Gastrite e duodenite
Informações sobre Gastrite e duodenite (CID-10: K29). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.
Sobre K29 - Gastrite e duodenite
O que é Gastrite e Duodenite (CID K29)?
A gastrite e duodenite, classificadas como CID K29, são condições inflamatórias que afetam o revestimento interno (mucosa) do estômago e do duodeno (primeira porção do intestino delgado), respectivamente. Quando ambas ocorrem simultaneamente, a condição é chamada de gastroduodenite.
A gastrite é uma das doenças gastrointestinais mais comuns no mundo. Estima-se que mais de 50% da população mundial apresente algum grau de inflamação gástrica, embora muitos sejam assintomáticos. No Brasil, a prevalência é elevada, com estudos indicando que 60 a 70% dos adultos apresentam evidências de gastrite em exames endoscópicos.
Tipos de gastrite (subtipos do CID K29)
- K29.0 — Gastrite hemorrágica aguda: inflamação aguda com sangramento da mucosa gástrica
- K29.1 — Outras gastrites agudas: formas agudas não hemorrágicas
- K29.2 — Gastrite alcoólica: inflamação causada pelo consumo excessivo de álcool
- K29.3 — Gastrite crônica superficial: inflamação limitada à camada superficial da mucosa
- K29.4 — Gastrite crônica atrófica: forma avançada com atrofia (afinamento) da mucosa
- K29.5 — Gastrite crônica não especificada: o subtipo mais diagnosticado
- K29.8 — Duodenite: inflamação do duodeno
- K29.9 — Gastroduodenite não especificada: inflamação simultânea do estômago e duodeno
Sintomas da gastrite e duodenite
Os sintomas mais comuns incluem:
- Dor abdominal na região superior do abdômen (epigástrio), tipo queimação ou pontada
- Náusea e sensação de estômago embrulhado, especialmente em jejum ou após refeições
- Vômito, que pode conter sangue em casos graves (hematemese)
- Sensação de estômago cheio (empachamento) mesmo após pequenas refeições
- Azia e queimação na boca do estômago (pirose)
- Eructação (arrotos) frequentes
- Perda de peso involuntária em casos crônicos avançados
- Fadiga e fraqueza (quando há sangramento crônico com anemia)
Quando a gastrite é uma emergência
Procure atendimento médico de urgência se apresentar:
- Vômito com sangue vivo ou aspecto de borra de café
- Fezes escuras e com odor fétido (melena — indicativo de sangramento digestivo)
- Dor abdominal intensa e súbita
- Desmaio ou tontura intensa com palidez
Diagnóstico
O diagnóstico definitivo é feito por endoscopia digestiva alta com biópsia da mucosa gástrica. O exame permite visualizar diretamente a inflamação, erosões, úlceras e colher amostras para pesquisa de Helicobacter pylori (principal causa de gastrite crônica). Exames complementares incluem teste respiratório para H. pylori, hemograma (para detectar anemia) e pesquisa de sangue oculto nas fezes.
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Causas
Causas da Gastrite e Duodenite (CID K29)
A gastrite pode ser causada por diversos fatores que agridem a mucosa gástrica, rompendo o equilíbrio entre os mecanismos de defesa (muco protetor, bicarbonato) e os agentes agressores (ácido gástrico, bactérias, medicamentos).
Causas infecciosas
- Helicobacter pylori (H. pylori): é a causa mais comum de gastrite crônica no mundo. Essa bactéria coloniza a mucosa gástrica e causa inflamação persistente. Estima-se que 60-70% dos brasileiros estejam infectados. A transmissão ocorre por via oral-oral ou fecal-oral, sendo mais frequente em condições de menor saneamento
- Outras infecções: em pacientes imunossuprimidos, vírus (citomegalovírus), fungos (cândida) e outros microrganismos podem causar gastrite
Causas medicamentosas
- Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): ibuprofeno, diclofenaco, naproxeno e aspirina são os maiores agressores da mucosa gástrica após o H. pylori. Eles inibem a produção de prostaglandinas que protegem o estômago
- Corticoides: uso prolongado, especialmente em combinação com AINEs, aumenta significativamente o risco
- Outros medicamentos: cloreto de potássio, bifosfonatos (para osteoporose) e alguns antibióticos
Causas comportamentais
- Álcool: o consumo excessivo causa irritação direta da mucosa gástrica. A gastrite alcoólica (K29.2) pode ser aguda (após consumo exagerado) ou crônica
- Tabagismo: o cigarro reduz a produção de muco protetor e aumenta a secreção ácida
- Estresse intenso: situações de estresse grave (internação em UTI, grandes cirurgias, queimaduras extensas) podem causar gastrite erosiva aguda (gastrite de estresse)
- Hábitos alimentares: jejum prolongado, excesso de alimentos ácidos, condimentados ou gordurosos podem agravar os sintomas, embora não sejam causa primária
Causas autoimunes
A gastrite autoimune ocorre quando o sistema imunológico ataca as células produtoras de ácido do estômago (células parietais). Isso leva à gastrite atrófica, redução da absorção de vitamina B12 e, potencialmente, anemia perniciosa. É mais comum em pessoas com outras doenças autoimunes, como tireoidite de Hashimoto e diabetes tipo 1.
Outras causas
- Refluxo biliar: bile que retorna do duodeno para o estômago
- Doença de Crohn: pode afetar qualquer parte do trato digestivo, incluindo o estômago
- Radioterapia: em tratamentos de câncer na região abdominal
Tratamentos
Tratamento da Gastrite e Duodenite (CID K29)
O tratamento da gastrite e duodenite depende da causa identificada. O objetivo principal é reduzir a agressão à mucosa, permitir sua cicatrização e eliminar o agente causador.
Erradicação do Helicobacter pylori
Quando o H. pylori é identificado, o tratamento padrão no Brasil (esquema tríplice) consiste em:
- Omeprazol 20 mg (ou outro inibidor de bomba de prótons) — 2 vezes ao dia por 14 dias
- Amoxicilina 1g — 2 vezes ao dia por 14 dias
- Claritromicina 500 mg — 2 vezes ao dia por 14 dias
A taxa de erradicação com esse esquema é de 80-90%. Após o tratamento, é importante confirmar a eliminação da bactéria com teste respiratório ou exame de fezes.
Medicamentos para redução da acidez
- Inibidores de bomba de prótons (IBPs): omeprazol, pantoprazol, esomeprazol, lansoprazol. São os mais eficazes para reduzir a produção de ácido gástrico. O tratamento costuma durar de 4 a 8 semanas
- Antagonistas H2: ranitidina, famotidina — opções alternativas ou complementares
- Antiácidos: hidróxido de alumínio, hidróxido de magnésio — alívio rápido e temporário dos sintomas
- Sucralfato: forma uma barreira protetora sobre a mucosa lesionada
Ajustes no estilo de vida
- Alimentação: fracionar as refeições (5-6 pequenas refeições ao dia), evitar longos períodos de jejum, reduzir alimentos muito ácidos (limão, laranja, tomate), picantes, frituras e café
- Evitar AINEs: substituir anti-inflamatórios como ibuprofeno por alternativas mais seguras quando possível, ou usar protetor gástrico junto
- Reduzir álcool: limitar ou eliminar o consumo durante o tratamento
- Parar de fumar: o tabaco retarda a cicatrização da mucosa
- Gerenciar estresse: técnicas de relaxamento, exercícios físicos regulares e sono adequado
- Não deitar após comer: aguardar pelo menos 2 horas após a refeição antes de se deitar
Quando a cirurgia é necessária
A cirurgia é raramente necessária na gastrite. Pode ser indicada em situações de emergência, como sangramento digestivo incontrolável ou perfuração gástrica, que não respondem ao tratamento endoscópico.
Prevenção
Como prevenir a Gastrite e Duodenite (CID K29)
A prevenção da gastrite envolve principalmente a proteção da mucosa gástrica contra seus principais agressores.
Medidas preventivas
- Higiene alimentar: lavar bem frutas e verduras, consumir água tratada e manter boas práticas de higiene das mãos — essencial para prevenir a infecção por H. pylori
- Uso racional de anti-inflamatórios: evitar automedicação com AINEs (ibuprofeno, diclofenaco). Quando necessários, usar pelo menor tempo possível e sempre com proteção gástrica (omeprazol)
- Alimentação equilibrada: fazer refeições regulares, não pular refeições e evitar jejum prolongado. Incluir frutas, verduras e fibras na dieta
- Moderação no álcool: limitar o consumo e evitar bebidas de alto teor alcoólico em jejum
- Não fumar: o tabagismo enfraquece a barreira protetora da mucosa gástrica
- Controle do estresse: o estresse crônico aumenta a produção de ácido gástrico. Praticar exercícios, meditação ou atividades relaxantes
- Atenção aos sintomas: procurar o médico ao surgimento de queimação persistente, dor no estômago ou outros sintomas digestivos — o diagnóstico precoce evita complicações
- Tratamento de H. pylori: se diagnosticado, tratar a infecção adequadamente, pois a bactéria pode causar gastrite crônica, úlcera e, em raros casos, câncer gástrico
A adoção de hábitos alimentares saudáveis e o uso consciente de medicamentos são as estratégias mais eficazes para prevenir episódios de gastrite ao longo da vida.
Complicações
Complicações da Gastrite e Duodenite (CID K29)
Quando não tratada adequadamente, a gastrite e a duodenite podem evoluir para complicações mais sérias.
Úlcera péptica
- A complicação mais direta da gastrite crônica não tratada é o desenvolvimento de úlceras — feridas profundas na mucosa do estômago (úlcera gástrica) ou do duodeno (úlcera duodenal). A infecção persistente por H. pylori e o uso crônico de AINEs são os principais fatores para a progressão de gastrite para úlcera
Sangramento digestivo
- Hemorragia digestiva alta: a gastrite erosiva pode causar sangramento que se manifesta como vômito com sangue (hematemese) ou fezes escuras e malcheirosas (melena). Sangramentos graves podem levar a choque hipovolêmico e constituem emergência médica
- Anemia ferropriva: sangramentos crônicos e de pequeno volume podem não ser percebidos, mas levam a perda gradual de ferro e anemia, causando fadiga, palidez e falta de ar
Gastrite atrófica e suas consequências
- Deficiência de vitamina B12 e anemia perniciosa: a gastrite atrófica (especialmente autoimune) destrói as células parietais que produzem o fator intrínseco, necessário para absorção de vitamina B12
- Metaplasia intestinal: transformação das células gástricas em células do tipo intestinal — considerada uma lesão pré-maligna
- Câncer gástrico: a gastrite crônica por H. pylori com atrofia e metaplasia intestinal é um fator de risco para adenocarcinoma gástrico. O H. pylori é classificado como carcinógeno classe 1 pela OMS
Perfuração gástrica
- Em casos raros e graves, úlceras profundas podem perfurar a parede do estômago, causando peritonite (infecção da cavidade abdominal) — uma emergência cirúrgica com risco de vida
Estenose pilórica
- Cicatrização repetida de úlceras na região do piloro (saída do estômago) pode causar estreitamento, dificultando a passagem dos alimentos e causando vômitos recorrentes
Consulte Sempre um Médico
As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Perguntas Frequentes sobre K29
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