Hérnia inguinal
Informações sobre Hérnia inguinal (CID-10: K40). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.
Sobre K40 - Hérnia inguinal
O que é Hérnia Inguinal (CID K40)?
A hérnia inguinal, classificada como CID K40, ocorre quando uma porção do intestino ou outro tecido abdominal protui (empurra para fora) através de um ponto fraco ou abertura na parede muscular da região da virilha (região inguinal). É o tipo mais comum de hérnia, representando cerca de 75% de todas as hérnias da parede abdominal.
No Brasil, a cirurgia de hérnia inguinal é uma das operações mais realizadas pelo SUS, com mais de 200 mil procedimentos por ano. A condição é muito mais comum em homens, com uma proporção de 8-10 homens para cada mulher afetada. Estima-se que 27% dos homens desenvolverão uma hérnia inguinal ao longo da vida, contra apenas 3% das mulheres.
Subtipos do CID K40
- K40.0 — Hérnia inguinal bilateral com obstrução, sem gangrena
- K40.1 — Hérnia inguinal bilateral com gangrena
- K40.2 — Hérnia inguinal bilateral sem obstrução ou gangrena
- K40.3 — Hérnia inguinal unilateral com obstrução, sem gangrena
- K40.4 — Hérnia inguinal unilateral com gangrena
- K40.9 — Hérnia inguinal unilateral sem obstrução ou gangrena (a mais comum)
Tipos anatômicos
- Hérnia inguinal indireta: passa pelo canal inguinal (o mesmo trajeto por onde o cordão espermático desce no homem). Mais comum em jovens, frequentemente congênita
- Hérnia inguinal direta: protrui diretamente pela parede posterior do canal inguinal. Mais comum em adultos e idosos por enfraquecimento muscular
Sintomas
- Abaulamento ou caroço na virilha: que aparece ou aumenta ao tossir, fazer esforço ou ficar em pé, e pode desaparecer ao deitar
- Dor ou desconforto na virilha, especialmente ao levantar peso, tossir ou se inclinar
- Sensação de peso ou arrasto na região inguinal
- Em homens, dor ou inchaço ao redor do testículo (quando a hérnia desce para o escroto)
- Queimação ou dor aguda no local da protrusão
Quando é emergência
Procure atendimento imediato se a hérnia não puder ser empurrada de volta (irredutível), se houver dor intensa e súbita, náusea, vômitos ou febre. Esses são sinais de hérnia encarcerada ou estrangulada, que requer cirurgia de urgência.
Diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico, feito pelo exame físico. O médico pede ao paciente para tossir ou fazer força enquanto palpa a região inguinal. Ultrassonografia da parede abdominal pode ser necessária em casos duvidosos. Tomografia é reservada para situações complexas ou hérnias recorrentes.
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Causas
Causas da Hérnia Inguinal (CID K40)
A hérnia inguinal ocorre pela combinação de um ponto fraco na parede abdominal com aumento da pressão intra-abdominal que empurra o conteúdo para fora.
Fraqueza da parede abdominal
- Congênita: persistência do conduto peritônio-vaginal (canal que permite a descida do testículo). É a causa principal das hérnias inguinais indiretas em crianças e jovens
- Envelhecimento: enfraquecimento progressivo dos tecidos conjuntivos e musculares da região inguinal
- Predisposição genética: alterações no colágeno que enfraquecem a fáscia transversalis
- Cirurgias prévias: cicatrizes na região inguinal podem enfraquecer a parede
Fatores que aumentam a pressão abdominal
- Esforço físico intenso: levantar peso, carregar objetos pesados repetidamente
- Tosse crônica: tabagismo, bronquite, DPOC — o aumento repetitivo da pressão abdominal pela tosse é fator de risco importante
- Constipação crônica: o esforço para evacuar aumenta a pressão abdominal
- Obesidade: o excesso de gordura abdominal aumenta a pressão sobre a parede inguinal
- Gravidez: nas mulheres, o aumento do volume abdominal e relaxamento dos tecidos
- Hiperplasia prostática: o esforço para urinar em homens com próstata aumentada
- Ascite: acúmulo de líquido no abdômen por doença hepática
Fatores de risco
- Sexo masculino: risco 8-10 vezes maior que mulheres
- Idade: incidência aumenta com o envelhecimento (enfraquecimento dos tecidos)
- Histórico familiar: ter parente de primeiro grau com hérnia aumenta o risco em 4-8 vezes
- Hérnia prévia contralateral: quem teve hérnia de um lado tem risco aumentado de desenvolver do outro
- Tabagismo: além da tosse crônica, a nicotina prejudica a qualidade do colágeno
- Prematuridade e baixo peso ao nascer: fator de risco para hérnia inguinal em crianças
Tratamentos
Tratamento da Hérnia Inguinal (CID K40)
O tratamento definitivo da hérnia inguinal é cirúrgico. Não existem medicamentos que curem a hérnia. O uso de cintas ou fundas herniárias é apenas paliativo e não substitui a cirurgia.
Indicações cirúrgicas
- Hérnias sintomáticas: dor, desconforto ou limitação das atividades — indicação cirúrgica é consenso
- Hérnias assintomáticas: em homens, pode-se optar por "espera vigilante" com acompanhamento regular. Porém, 70% dos pacientes em vigilância necessitarão de cirurgia em 5 anos por progressão dos sintomas
- Hérnias encarceradas ou estranguladas: cirurgia de urgência obrigatória
Técnicas cirúrgicas
Cirurgia aberta com tela (hernioplastia de Lichtenstein):
- Técnica mais realizada no mundo. Uma tela de polipropileno é fixada sobre o defeito da parede inguinal, reforçando a região
- Anestesia local + sedação, raquianestesia ou geral
- Recuperação: 1-2 semanas para atividades leves, 4-6 semanas para esforço físico
- Taxa de recidiva: 1-2%
Cirurgia laparoscópica/robótica:
- TEP (totalmente extraperitoneal): a tela é colocada por trás da parede abdominal sem entrar na cavidade peritoneal
- TAPP (transabdominal pré-peritoneal): acesso pela cavidade peritoneal para posicionar a tela
- Vantagens: menor dor pós-operatória, recuperação mais rápida, menor taxa de dor crônica, ideal para hérnias bilaterais e recidivadas
- Recuperação: retorno às atividades em 1-2 semanas
A tela cirúrgica
A tela (prótese) é feita de material sintético (geralmente polipropileno) e serve para reforçar a parede inguinal. O organismo incorpora a tela ao tecido ao longo de semanas. O uso de tela reduziu a taxa de recidiva de 15-20% (sem tela) para 1-2% (com tela).
Pós-operatório
- Dor leve a moderada controlada com analgésicos comuns
- Repouso relativo: evitar esforço físico intenso por 4-6 semanas
- Retorno ao trabalho: 1-2 semanas (trabalho leve) ou 4-6 semanas (trabalho braçal)
- Complicações pós-operatórias: hematoma, seroma, infecção (raro), dor crônica inguinal (5-10%)
Prevenção
Como prevenir Hérnia Inguinal (CID K40)
Nem toda hérnia inguinal pode ser prevenida, especialmente as congênitas. Porém, é possível reduzir o risco controlando os fatores que aumentam a pressão abdominal.
Medidas preventivas
- Técnica adequada ao levantar peso: usar a força das pernas (dobrar os joelhos), manter o objeto próximo ao corpo e evitar movimentos de torção
- Manter peso saudável: a obesidade aumenta a pressão sobre a parede abdominal
- Fortalecer a musculatura abdominal: exercícios de fortalecimento do core ajudam a dar suporte à parede inguinal
- Tratar tosse crônica: parar de fumar e tratar doenças respiratórias que causem tosse persistente
- Evitar constipação: dieta rica em fibras, hidratação adequada e atividade física regular para evitar esforço excessivo ao evacuar
- Tratar problemas prostáticos: em homens com dificuldade para urinar, buscar tratamento para evitar esforço miccional
Embora a prevenção não garanta que a hérnia não ocorra (fatores genéticos e congênitos são determinantes), essas medidas reduzem significativamente o risco, especialmente em pessoas com predisposição familiar.
Complicações
Complicações da Hérnia Inguinal (CID K40)
A maioria das hérnias inguinais é benigna, mas sem tratamento pode progredir e causar complicações graves.
Complicações da hérnia não operada
- Encarceramento: o conteúdo herniário (geralmente alça intestinal) fica preso e não pode ser devolvido ao abdômen. Causa dor intensa, inchaço que não reduz e é indicação de cirurgia de urgência
- Estrangulamento: complicação mais grave — o suprimento sanguíneo do tecido herniado é interrompido, causando isquemia e necrose (morte do tecido). Pode levar a perfuração intestinal, peritonite e sepse. É uma emergência que requer cirurgia imediata e pode ser fatal
- Obstrução intestinal: a alça intestinal encarcerada pode causar bloqueio do trânsito intestinal com distensão abdominal, vômitos e impossibilidade de evacuar
- Crescimento progressivo: a hérnia tende a aumentar com o tempo se não operada
Complicações da cirurgia
- Dor crônica inguinal (inguinodinia): ocorre em 5-10% dos casos, podendo ser incapacitante em 1-2%. É a complicação pós-operatória mais problemática
- Recidiva: retorno da hérnia em 1-2% com uso de tela (até 15-20% sem tela)
- Infecção da tela: rara (1-2%), pode necessitar remoção da prótese
- Hematoma e seroma: acúmulo de sangue ou líquido no local, geralmente reabsorvidos espontaneamente
- Lesão do ducto deferente: rara, pode afetar a fertilidade
Consulte Sempre um Médico
As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Perguntas Frequentes sobre K40
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