CID M51 - Hérnia de Disco | Sintomas, Causas e Tratamento | MediLife
M51

Outros transtornos de discos intervertebrais

Informações sobre Outros transtornos de discos intervertebrais (CID-10: M51). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.

Sobre M51 - Outros transtornos de discos intervertebrais

O que são Transtornos de Discos Intervertebrais (CID M51)?

Os transtornos de discos intervertebrais, classificados como CID M51, englobam um conjunto de condições que afetam os discos localizados entre as vértebras da coluna vertebral. A condição mais conhecida desse grupo é a hérnia de disco, na qual o material gelatinoso do interior do disco (núcleo pulposo) se desloca e comprime estruturas nervosas adjacentes.

Os discos intervertebrais funcionam como amortecedores naturais da coluna, absorvendo impactos e permitindo a mobilidade entre as vértebras. Com o envelhecimento, esforços repetitivos ou traumas, esses discos podem sofrer degeneração, protrusão ou herniação, causando dor nas costas, dor irradiada para membros e limitação funcional significativa.

Subtipos do CID M51

  • M51.0 — Transtornos de discos lombares com mielopatia: hérnia com compressão da medula espinhal
  • M51.1 — Transtornos de discos lombares com radiculopatia: hérnia com compressão de raiz nervosa (ciática)
  • M51.2 — Outros deslocamentos de disco intervertebral: protrusões e extrusões discais
  • M51.3 — Degeneração de disco intervertebral: desgaste progressivo do disco
  • M51.4 — Nódulos de Schmorl: herniação do disco para dentro do corpo vertebral

Epidemiologia no Brasil

A hérnia de disco é uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil, segundo dados do INSS. Estima-se que 5,4 milhões de brasileiros sofram de hérnia de disco, com maior incidência entre 30 e 50 anos de idade. A região lombar (L4-L5 e L5-S1) é a mais acometida, respondendo por cerca de 90% dos casos, seguida pela região cervical (C5-C6 e C6-C7).

Sintomas principais

Os sintomas dependem da localização e do grau de compressão nervosa:

  • Hérnia lombar: dor lombar intensa, dor irradiada para a perna seguindo o trajeto do nervo ciático (ciática), formigamento, dormência e fraqueza no membro inferior
  • Hérnia cervical: dor no pescoço com irradiação para ombro e braço, formigamento nos dedos das mãos, fraqueza muscular
  • Hérnia torácica: dor na região média das costas, rara (menos de 2% dos casos)

Diagnóstico

O diagnóstico é feito pela avaliação clínica (teste de Lasègue, exame neurológico) e confirmado por ressonância magnética (RM), que é o exame padrão-ouro para visualizar os discos intervertebrais e eventuais compressões nervosas. Radiografias simples podem mostrar redução do espaço discal, mas não visualizam o disco em si. A eletroneuromiografia pode ser solicitada para avaliar o grau de comprometimento nervoso.

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Causas

Causas dos Transtornos de Discos Intervertebrais (CID M51)

A hérnia de disco e outros transtornos discais resultam de uma combinação de fatores degenerativos, mecânicos e genéticos que comprometem a integridade dos discos intervertebrais ao longo do tempo.

Processo degenerativo natural

A partir dos 25 anos de idade, os discos intervertebrais começam a perder água e elasticidade progressivamente. Esse processo, chamado de degeneração discal, reduz a capacidade de amortecimento do disco e torna seu anel fibroso (camada externa) mais suscetível a fissuras. Aos 50 anos, praticamente todos os indivíduos apresentam algum grau de degeneração discal, embora nem todos desenvolvam sintomas.

Fatores mecânicos

  • Esforço físico repetitivo: carregar peso de forma inadequada, especialmente com rotação do tronco, é uma das causas mais comuns de hérnia de disco
  • Vibração corporal: profissionais expostos a vibração (motoristas de caminhão, operadores de máquinas pesadas) têm risco aumentado
  • Posturas inadequadas: permanecer sentado por longos períodos com postura incorreta aumenta a pressão intradiscal em até 40%
  • Trauma agudo: quedas, acidentes automobilísticos ou lesões esportivas podem causar hérnia de disco aguda
  • Movimentos bruscos: flexão ou rotação súbita da coluna sob carga pode romper o anel fibroso

Fatores de risco

  • Idade: maior incidência entre 30 e 50 anos
  • Genética: estudos mostram que a predisposição genética responde por até 75% da degeneração discal, independente de fatores ambientais
  • Obesidade: o excesso de peso aumenta a carga sobre os discos lombares
  • Tabagismo: reduz o fluxo sanguíneo para os discos, acelerando a degeneração
  • Sedentarismo: a musculatura fraca do tronco oferece menos suporte e proteção à coluna
  • Profissão: trabalhos que exigem levantamento de peso, vibrações ou posturas forçadas (construção civil, enfermagem, motoristas)

Mecanismo da herniação

O disco intervertebral é composto por um núcleo gelatinoso (núcleo pulposo) envolvido por camadas concêntricas de fibras resistentes (anel fibroso). Quando o anel fibroso sofre fissuras — por degeneração ou trauma — o núcleo pulposo pode se deslocar e comprimir as raízes nervosas ou a medula espinhal. Conforme o grau de deslocamento, classifica-se como protrusão (abaulamento), extrusão (saída parcial do núcleo) ou sequestro (fragmento livre no canal vertebral).

Tratamentos

Tratamento dos Transtornos de Discos Intervertebrais (CID M51)

O tratamento da hérnia de disco e outros transtornos discais é predominantemente conservador (sem cirurgia). Estudos mostram que 80 a 90% dos pacientes melhoram com tratamento não cirúrgico em 6 a 12 semanas.

Tratamento conservador (primeira linha)

Fase aguda (primeiras 2-4 semanas):

  • Repouso relativo: evitar atividades que agravem a dor, mas manter-se ativo dentro do tolerável. Repouso absoluto na cama é contraindicado
  • Analgésicos: paracetamol e dipirona para alívio da dor
  • Anti-inflamatórios: ibuprofeno, diclofenaco ou naproxeno por períodos curtos (7-14 dias)
  • Relaxantes musculares: ciclobenzaprina para espasmo muscular associado
  • Medicamentos para dor neuropática: gabapentina ou pregabalina quando há dor irradiada intensa (ciática)
  • Corticoides: prednisona em ciclo curto (5-7 dias) pode ser prescrita em casos de dor intensa com inflamação importante

Fase de reabilitação (a partir da 2ª-4ª semana):

  • Fisioterapia: é o pilar do tratamento conservador. Inclui exercícios de estabilização da coluna (core), método McKenzie, tração manual, eletroterapia e fortalecimento muscular progressivo
  • Exercícios físicos: caminhada, natação e pilates são excelentes para fortalecer a musculatura e proteger a coluna
  • Reeducação postural global (RPG): correção de desvios posturais que contribuem para a sobrecarga discal

Procedimentos minimamente invasivos

  • Infiltração epidural de corticoides: injeção guiada por fluoroscopia no espaço ao redor dos nervos comprimidos. Indicada quando há dor ciática intensa que não responde ao tratamento oral
  • Bloqueio de raiz nervosa: injeção de anestésico e corticoide diretamente na raiz nervosa comprimida
  • Rizotomia por radiofrequência: ablação de nervos que transmitem a dor nas articulações facetárias

Tratamento cirúrgico

A cirurgia é indicada em menos de 10% dos casos, nas seguintes situações:

  • Falha do tratamento conservador após 6-12 semanas de reabilitação adequada
  • Déficit neurológico progressivo (fraqueza muscular crescente, pé caído)
  • Síndrome da cauda equina: emergência cirúrgica — perda do controle da bexiga/intestino, dormência na região perineal
  • Dor incapacitante que impede atividades básicas do dia a dia

Tipos de cirurgia:

  • Microdiscectomia: remoção do fragmento de disco que comprime o nervo, por meio de incisão pequena e uso de microscópio. É o procedimento mais realizado para hérnia de disco lombar
  • Discectomia endoscópica: técnica minimamente invasiva com câmera e instrumentos por portal único
  • Artrodese (fusão vertebral): em casos de instabilidade associada, com fixação de vértebras adjacentes
  • Prótese de disco: substituição do disco doente por implante artificial, preservando a mobilidade

Prevenção

Como prevenir Transtornos de Discos Intervertebrais (CID M51)

A prevenção da hérnia de disco e de outros transtornos discais baseia-se em proteger a coluna vertebral por meio de hábitos posturais corretos, fortalecimento muscular e ergonomia adequada.

Medidas preventivas essenciais

  • Fortalecimento do core: exercícios para musculatura abdominal, lombar e pélvica (pilates, prancha, ponte) são a principal forma de proteger os discos intervertebrais. Recomenda-se pelo menos 2-3 sessões por semana
  • Técnica correta ao levantar peso: sempre dobrar os joelhos (agachar), manter as costas retas e o objeto próximo ao corpo. Nunca girar o tronco enquanto carrega peso
  • Postura adequada: ao sentar, manter a coluna apoiada no encosto da cadeira, pés apoiados no chão e evitar cruzar as pernas por longos períodos
  • Pausas regulares: levantar-se e alongar a cada 30-60 minutos quando em trabalho sedentário
  • Exercícios aeróbicos: caminhada, natação e bicicleta melhoram a nutrição dos discos intervertebrais, que dependem de movimento para receber nutrientes
  • Manutenção do peso saudável: cada kg a mais aumenta a carga sobre os discos lombares
  • Cessação do tabagismo: o cigarro acelera a degeneração discal ao reduzir o fluxo sanguíneo para os discos
  • Colchão e travesseiro adequados: colchão de firmeza média e travesseiro que mantenha alinhamento da coluna

Pessoas que praticam exercícios regularmente e mantêm boa postura reduzem em até 50% o risco de desenvolver hérnia de disco sintomática, mesmo com predisposição genética.

Complicações

Complicações dos Transtornos de Discos Intervertebrais (CID M51)

Quando não tratados adequadamente, os transtornos de discos intervertebrais podem evoluir com complicações que afetam significativamente a qualidade de vida e a funcionalidade do paciente.

Complicações neurológicas

  • Radiculopatia crônica: compressão prolongada de raiz nervosa causando dor persistente, formigamento, dormência e fraqueza no membro afetado
  • Pé caído (foot drop): fraqueza na dorsiflexão do pé por compressão da raiz L5, dificultando a marcha
  • Síndrome da cauda equina: compressão grave dos nervos na região lombar baixa, causando perda do controle urinário e fecal, dormência perineal e fraqueza bilateral nas pernas. É uma emergência cirúrgica — o atraso no tratamento pode causar sequelas permanentes
  • Mielopatia cervical: compressão da medula espinhal por hérnia cervical, causando alteração da marcha, fraqueza nas mãos e perda de coordenação motora fina

Complicações musculoesqueléticas

  • Atrofia muscular: a denervação prolongada causa perda de massa muscular no membro afetado
  • Instabilidade segmentar: degeneração discal avançada pode causar movimentação anormal entre vértebras
  • Doença do segmento adjacente: após cirurgia de fusão, os discos vizinhos podem degenerar mais rapidamente por sobrecarga compensatória

Complicações psicossociais

  • Dor crônica: cerca de 10-20% dos pacientes desenvolvem dor crônica que persiste além de 12 semanas
  • Depressão e ansiedade: frequentes em pacientes com dor lombar crônica e limitação funcional
  • Incapacidade laboral: a hérnia de disco é uma das principais causas de afastamento prolongado do trabalho e aposentadoria por invalidez no Brasil

Consulte Sempre um Médico

As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes sobre M51

A hérnia de disco, classificada dentro do CID M51, é uma condição em que o material gelatinoso interno do disco intervertebral (núcleo pulposo) se desloca para fora de sua posição normal e pode comprimir nervos da coluna. Os discos ficam entre as vértebras e funcionam como amortecedores. A região lombar (parte baixa das costas) é a mais afetada, respondendo por 90% dos casos.
Sim, na grande maioria dos casos. Cerca de 80 a 90% dos pacientes com hérnia de disco melhoram com tratamento conservador (fisioterapia, medicamentos, exercícios) em 6 a 12 semanas. O próprio corpo pode reabsorver parte do material herniado ao longo do tempo. Nos casos que necessitam de cirurgia, a taxa de sucesso é superior a 90%.
Os sintomas mais comuns são dor nas costas (lombar ou cervical) com irradiação para perna ou braço, formigamento, dormência e fraqueza muscular no membro afetado. Na hérnia lombar, a dor que desce pela perna é chamada de ciática. Os sintomas costumam piorar ao sentar, tossir, espirrar ou fazer esforço e melhorar ao deitar.
O ortopedista ou neurocirurgião são os especialistas mais indicados para avaliar hérnia de disco. O clínico geral pode fazer a avaliação inicial e encaminhar ao especialista. O fisiatra (médico de reabilitação) também é uma opção excelente para coordenar o tratamento conservador. A fisioterapia é fundamental e deve ser iniciada o mais cedo possível.
Sim, o CID M51 pode dar direito a afastamento pelo INSS quando a hérnia de disco causa incapacidade para o trabalho. É necessário atestado médico com mais de 15 dias e aprovação na perícia médica do INSS. Casos graves com déficit neurológico permanente podem dar direito a aposentadoria por invalidez. É importante manter toda a documentação médica e exames atualizados para a perícia.
O tratamento conservador da fase aguda dura de 6 a 12 semanas na maioria dos casos. A fisioterapia costuma ser realizada por 2 a 3 meses. Após a melhora, exercícios de manutenção (pilates, natação, fortalecimento) devem ser mantidos indefinidamente para prevenir recidivas. Quando há necessidade de cirurgia, a recuperação completa leva de 3 a 6 meses.

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