CID M79 - Fibromialgia e Mialgia | Sintomas, Causas e Tratamento | MediLife
M79

Outros transtornos dos tecidos moles

Informações sobre Outros transtornos dos tecidos moles (CID-10: M79). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.

Sobre M79 - Outros transtornos dos tecidos moles

O que são Outros Transtornos dos Tecidos Moles (CID M79)?

Os outros transtornos dos tecidos moles, classificados como CID M79, englobam condições que afetam músculos, tendões, ligamentos, fáscias e outros tecidos conjuntivos do corpo, sem estar associados a uma articulação específica. A condição mais relevante e conhecida deste grupo é a fibromialgia.

Esses transtornos são extremamente comuns na prática clínica e representam uma parcela significativa das queixas em consultórios de reumatologia, ortopedia e clínica geral. No Brasil, a fibromialgia afeta aproximadamente 2 a 3% da população, sendo até 9 vezes mais comum em mulheres do que em homens.

Subtipos do CID M79

  • M79.0 — Reumatismo não especificado: dor musculoesquelética difusa sem diagnóstico definido
  • M79.1 — Mialgia: dor muscular localizada ou generalizada
  • M79.2 — Nevralgia e neurite não especificada: dor de origem nervosa periférica
  • M79.3 — Paniculite não especificada: inflamação do tecido gorduroso subcutâneo
  • M79.4 — Hipertrofia do coxim gorduroso infrapatelar: aumento da gordura atrás do tendão patelar
  • M79.5 — Corpo estranho residual nos tecidos moles: fragmentos de material retidos em tecidos
  • M79.6 — Dor em membro: dor localizada em braços ou pernas sem causa articular definida
  • M79.7 — Fibromialgia: síndrome de dor crônica difusa com pontos dolorosos característicos

Fibromialgia — a condição principal

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor difusa crônica por todo o corpo, fadiga intensa, distúrbios do sono e alterações cognitivas ("nevoeiro cerebral"). Não é uma doença inflamatória ou degenerativa, mas sim um transtorno de sensibilização central, no qual o sistema nervoso amplifica os sinais de dor.

Sintomas

  • Dor difusa: dor em pelo menos 4 de 5 regiões do corpo, presente por mais de 3 meses
  • Fadiga crônica: cansaço desproporcional ao esforço, que não melhora com repouso
  • Distúrbios do sono: sono não reparador, insônia, apneia do sono
  • Disfunção cognitiva: dificuldade de concentração, memória e raciocínio (fibro fog)
  • Pontos-gatilho (trigger points): pontos específicos de hipersensibilidade à pressão em músculos
  • Dor de cabeça crônica e enxaquecas
  • Formigamento e dormência em extremidades
  • Sensibilidade aumentada a estímulos (luz, ruído, temperatura)

Diagnóstico

O diagnóstico da fibromialgia é clínico, baseado nos critérios do American College of Rheumatology (ACR). Não existem exames laboratoriais ou de imagem específicos para a doença. Exames são solicitados para excluir outras condições que podem mimetizar a fibromialgia, como hipotireoidismo, artrite reumatoide, anemia e doenças autoimunes.

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Causas

Causas dos Transtornos dos Tecidos Moles (CID M79)

As causas variam conforme o subtipo específico. A fibromialgia, por ser a condição mais relevante, é a principal abordada.

Causas da fibromialgia

A causa exata da fibromialgia não é completamente conhecida, mas envolve uma disfunção no processamento da dor pelo sistema nervoso central:

  • Sensibilização central: alteração no modo como o cérebro e a medula espinhal processam os sinais de dor. O limiar de dor fica reduzido, e estímulos normalmente indolores passam a ser percebidos como dolorosos (alodinia)
  • Alterações neuroquímicas: desequilíbrio de neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e substância P, que regulam a percepção de dor, humor e sono
  • Predisposição genética: parentes de primeiro grau de pacientes com fibromialgia têm risco 8 vezes maior de desenvolver a doença
  • Fatores desencadeantes: eventos que podem disparar o início da fibromialgia em pessoas predispostas incluem traumas físicos (acidentes), infecções virais, cirurgias, estresse emocional intenso e parto

Causas da mialgia (M79.1)

  • Esforço muscular excessivo: exercícios intensos, especialmente em pessoas descondicionadas
  • Infecções virais: COVID-19, dengue, chikungunya e gripe frequentemente causam mialgia difusa
  • Medicamentos: estatinas (para colesterol), antivirais e alguns anti-hipertensivos podem causar dor muscular como efeito colateral
  • Deficiências nutricionais: baixos níveis de vitamina D, magnésio e vitamina B12
  • Estresse e tensão muscular crônica: contração muscular prolongada por estresse e ansiedade
  • Doenças endócrinas: hipotireoidismo, insuficiência adrenal

Causas da dor em membro (M79.6)

  • Uso excessivo: atividades repetitivas ou sobrecarga em esportes e trabalho
  • Neuropatia periférica: dano em nervos periféricos por diabetes, alcoolismo ou compressão
  • Insuficiência vascular: redução do fluxo sanguíneo nos membros
  • Síndrome miofascial: presença de pontos-gatilho ativos em músculos, gerando dor referida

Tratamentos

Tratamento dos Transtornos dos Tecidos Moles (CID M79)

O tratamento varia conforme a condição específica. Para a fibromialgia, o tratamento é multidisciplinar e individualizado.

Tratamento da fibromialgia

Exercícios físicos (pilar do tratamento):

  • Exercícios aeróbicos: caminhada, natação, hidroginástica e bicicleta ergométrica. Devem ser iniciados de forma leve e progressiva. Estudos comprovam que exercícios aeróbicos são tão eficazes quanto medicamentos para a fibromialgia
  • Alongamentos: diários, com foco nas regiões mais tensas
  • Fortalecimento muscular: exercícios com carga leve a moderada, 2-3 vezes por semana
  • Yoga e tai chi: evidências crescentes de benefício na dor, sono e qualidade de vida

Tratamento medicamentoso:

  • Duloxetina: antidepressivo inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina, aprovado para fibromialgia. Melhora dor, fadiga e humor
  • Pregabalina: modulador de dor neuropática, eficaz para reduzir a dor e melhorar o sono
  • Amitriptilina: antidepressivo tricíclico em doses baixas (12,5-50 mg à noite), melhora dor e qualidade do sono
  • Ciclobenzaprina: relaxante muscular que pode ser usado em doses baixas para melhorar o sono
  • Analgésicos simples: paracetamol e dipirona para crises de dor aguda

Importante: Anti-inflamatórios (ibuprofeno, diclofenaco) e opioides não são recomendados para fibromialgia por apresentarem pouca eficácia e riscos significativos.

Terapias complementares:

  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC): ajuda a modificar padrões de pensamento e comportamento que amplificam a dor
  • Acupuntura: pode proporcionar alívio adicional da dor
  • Higiene do sono: horários regulares, ambiente escuro e fresco, evitar telas antes de dormir
  • Mindfulness e meditação: redução do estresse e melhora na percepção da dor

Tratamento da mialgia aguda

  • Repouso relativo e aplicação de calor local
  • Analgésicos e anti-inflamatórios por período curto
  • Correção de deficiências nutricionais (vitamina D, magnésio)
  • Fisioterapia com técnicas de liberação miofascial para pontos-gatilho

Prevenção

Como prevenir Transtornos dos Tecidos Moles (CID M79)

A prevenção é especialmente importante para a fibromialgia e as mialgias crônicas, focando em hábitos de vida saudáveis e gerenciamento do estresse.

Medidas preventivas

  • Atividade física regular: exercícios aeróbicos moderados (pelo menos 150 minutos por semana) são a melhor forma de prevenir e controlar dores musculares crônicas. O exercício libera endorfinas e regula os neurotransmissores envolvidos na dor
  • Gerenciamento do estresse: técnicas de relaxamento, meditação, mindfulness e terapia psicológica ajudam a reduzir a tensão muscular crônica
  • Sono de qualidade: manter rotina regular de sono, dormir 7-8 horas por noite, evitar cafeína e telas antes de dormir. O sono reparador é fundamental para a recuperação muscular
  • Alimentação equilibrada: dieta rica em frutas, verduras, peixes (ômega-3) e grãos integrais. Manter níveis adequados de vitamina D e magnésio
  • Aquecimento e alongamento: antes de atividades físicas ou trabalho braçal, aquecer os músculos e alongar após
  • Ergonomia: postura adequada no trabalho, pausas regulares e alternância de atividades
  • Evitar sobrecarga: respeitar os limites do corpo, aumentar intensidade de exercícios gradualmente
  • Hidratação: a desidratação pode contribuir para cãibras e dores musculares

Manter uma rotina de exercícios regulares, sono adequado e controle do estresse reduz significativamente o risco de desenvolver fibromialgia e outras condições de dor crônica dos tecidos moles.

Complicações

Complicações dos Transtornos dos Tecidos Moles (CID M79)

Os transtornos dos tecidos moles, especialmente a fibromialgia, podem causar complicações que afetam múltiplos aspectos da vida do paciente.

Complicações da fibromialgia

  • Incapacidade funcional: a dor crônica e a fadiga podem limitar severamente as atividades do dia a dia, trabalho e lazer
  • Depressão e ansiedade: presentes em até 60-70% dos pacientes com fibromialgia. A dor crônica altera os circuitos cerebrais do humor
  • Distúrbios do sono crônicos: o sono não reparador perpetua o ciclo de dor e fadiga
  • Síndrome do intestino irritável: presente em até 50-70% dos pacientes com fibromialgia
  • Enxaqueca crônica: cefaleia frequente que agrava o quadro álgico
  • Síndrome de fadiga crônica: sobreposição significativa com a fibromialgia, com fadiga debilitante
  • Descondicionamento físico: o medo de se exercitar leva ao sedentarismo, que piora a dor — ciclo vicioso

Complicações sociais e profissionais

  • Afastamento do trabalho: a fibromialgia é uma causa crescente de afastamento previdenciário no Brasil
  • Isolamento social: a dor e a fadiga limitam a participação em atividades sociais
  • Comprometimento das relações: a condição crônica pode gerar tensões familiares e conjugais
  • Redução da qualidade de vida: impacto global na saúde física, emocional e social

Complicações do uso inadequado de medicamentos

  • Dependência de opioides: o uso indevido de opioides na fibromialgia pode levar à dependência sem benefício real na dor
  • Efeitos colaterais medicamentosos: uso crônico de anti-inflamatórios pode causar problemas gástricos e renais

Consulte Sempre um Médico

As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes sobre M79

A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica classificada no CID M79, caracterizada por dor difusa pelo corpo por mais de 3 meses, fadiga intensa, distúrbios do sono e dificuldades cognitivas (nevoeiro mental). Não é uma doença inflamatória, mas sim um transtorno no processamento da dor pelo sistema nervoso central, que amplifica os sinais dolorosos.
Atualmente, a fibromialgia não tem cura, mas pode ser controlada de forma eficaz com tratamento adequado. A combinação de exercícios físicos regulares, medicamentos (duloxetina, pregabalina, amitriptilina), terapia cognitivo-comportamental e hábitos saudáveis permite que a maioria dos pacientes tenha boa qualidade de vida. Muitos pacientes apresentam melhora significativa dos sintomas.
Os sintomas principais são dor difusa pelo corpo (em pelo menos 4 de 5 regiões corporais), fadiga crônica que não melhora com repouso, sono não reparador, dificuldade de concentração e memória (fibro fog), dor de cabeça frequente, formigamento nas extremidades e sensibilidade aumentada a estímulos como luz, ruído e temperatura.
O reumatologista é o especialista mais indicado para diagnosticar e tratar fibromialgia. O clínico geral pode fazer a avaliação inicial. Como o tratamento é multidisciplinar, a equipe ideal inclui também fisioterapeuta, psicólogo (terapia cognitivo-comportamental), educador físico e, se necessário, psiquiatra para manejo de depressão e ansiedade associadas.
Sim, o CID M79 pode dar direito a afastamento pelo INSS, especialmente nos casos de fibromialgia grave com incapacidade comprovada para o trabalho. A fibromialgia é reconhecida pela perícia do INSS como condição incapacitante quando há documentação médica adequada. É importante manter laudos, exames e relatórios de tratamento atualizados para a perícia médica.
O tratamento da fibromialgia é contínuo e de longo prazo, pois trata-se de uma condição crônica. Medicamentos podem ser ajustados ao longo do tempo conforme a resposta. Exercícios físicos e estratégias de autocuidado devem ser mantidos permanentemente. Muitos pacientes conseguem reduzir medicamentos gradualmente à medida que desenvolvem bons hábitos de vida.

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