Dorsalgia (dor nas costas)
Informações sobre Dorsalgia (dor nas costas) (CID-10: M54). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.
Sobre M54 - Dorsalgia (dor nas costas)
O que é Dorsalgia (CID M54)?
A dorsalgia, classificada como CID M54, é o termo médico utilizado para descrever dor nas costas de qualquer origem. Trata-se de uma das queixas mais frequentes em consultórios médicos e a principal causa de incapacidade funcional no mundo, segundo a OMS.
Estima-se que 80% da população mundial terá pelo menos um episódio significativo de dor nas costas ao longo da vida. No Brasil, a dorsalgia é responsável por mais de 160 mil afastamentos do trabalho por ano, representando um custo enorme para o sistema de saúde e previdência social.
Subtipos de dorsalgia (CID M54)
O CID M54 é subdividido de acordo com a região da coluna afetada:
- M54.0 — Paniculite da região cervical e dorsal: inflamação do tecido subcutâneo
- M54.1 — Radiculopatia: compressão de raiz nervosa com dor irradiada para braços ou pernas
- M54.2 — Cervicalgia: dor na região do pescoço (coluna cervical)
- M54.3 — Ciática (ciatalgia): dor que se irradia pelo trajeto do nervo ciático até a perna
- M54.4 — Lumbago com ciática: dor lombar com irradiação para a perna
- M54.5 — Dor lombar baixa (lombalgia): a forma mais comum, dor na região inferior das costas
- M54.6 — Dor na coluna torácica: dor na região média das costas
Sintomas da dorsalgia
Os sintomas variam conforme a região e a causa, mas geralmente incluem:
- Dor nas costas localizada ou difusa, que pode ser aguda (pontada) ou crônica (contínua)
- Rigidez e limitação dos movimentos
- Formigamento ou dormência nas pernas ou braços (quando há compressão nervosa)
- Fadiga muscular na região afetada
- Piora da dor ao ficar muito tempo sentado, em pé ou ao carregar peso
- Espasmos musculares involuntários
- Dificuldade para dormir pela dor
Quem é mais afetado
A dorsalgia pode afetar qualquer pessoa, mas é mais prevalente em:
- Adultos entre 30 e 55 anos: faixa etária mais produtiva, com maior impacto socioeconômico
- Profissionais com posturas inadequadas: trabalho em escritório, motoristas, trabalhadores braçais
- Pessoas sedentárias: musculatura fraca oferece menos suporte à coluna
- Obesos: o excesso de peso sobrecarrega as estruturas da coluna
- Gestantes: as alterações posturais e hormonais da gravidez favorecem a lombalgia
- Fumantes: o tabagismo reduz o fluxo sanguíneo para os discos vertebrais, acelerando a degeneração
Diagnóstico
O diagnóstico da dorsalgia começa com uma avaliação clínica detalhada, incluindo histórico do paciente, exame físico e testes neurológicos. Na maioria dos casos agudos, exames de imagem não são necessários inicialmente. Quando a dor persiste por mais de 6 semanas, é crônica ou apresenta sinais de alerta (febre, perda de peso, fraqueza nas pernas), o médico pode solicitar radiografia, ressonância magnética (RM) ou tomografia da coluna.
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Causas
Causas da Dorsalgia (CID M54)
A dor nas costas pode ter diversas origens, desde causas musculares benignas até condições mais sérias que exigem tratamento específico. Na maioria dos casos (85-90%), a dorsalgia é chamada de "inespecífica", ou seja, não é possível identificar uma estrutura anatômica específica como fonte da dor.
Causas musculoesqueléticas (mais comuns)
- Contratura e espasmo muscular: a causa mais frequente de dor aguda nas costas. Ocorre por esforço físico excessivo, movimentos bruscos ou postura inadequada prolongada
- Distensão ligamentar: estiramento dos ligamentos da coluna, comum após carregar peso de forma incorreta
- Degeneração discal: desgaste natural dos discos intervertebrais com a idade, perdendo sua capacidade de amortecimento
- Hérnia de disco: protrusão do núcleo do disco vertebral que pode comprimir nervos, causando dor irradiada (ciática)
- Artrose das articulações facetárias: desgaste das pequenas articulações entre as vértebras
- Estenose do canal vertebral: estreitamento do canal por onde passa a medula espinhal
Fatores posturais e ergonômicos
- Postura inadequada: trabalhar curvado, usar computador em altura errada, dormir em colchão inadequado
- Sedentarismo: musculatura paravertebral fraca não suporta adequadamente a coluna
- Sobrecarga mecânica: carregar peso excessivo, movimentos repetitivos no trabalho
- Obesidade: o peso abdominal desloca o centro de gravidade e aumenta a curvatura lombar (hiperlordose)
Causas menos comuns (sinais de alerta)
- Fraturas vertebrais: especialmente por osteoporose em idosos
- Espondilite anquilosante: doença inflamatória autoimune que afeta principalmente jovens do sexo masculino
- Infecções vertebrais (espondilodiscite): raras, mas graves
- Tumores: metástases ósseas na coluna, especialmente em pacientes com histórico de câncer
- Síndrome da cauda equina: compressão grave dos nervos na base da coluna — emergência médica
Fatores psicossociais
Fatores emocionais desempenham papel importante na cronificação da dor nas costas. Estresse, ansiedade, depressão e insatisfação no trabalho são fatores de risco reconhecidos para a transição de dor aguda para crônica. O medo de se movimentar (cinesiofobia) leva a um ciclo vicioso de inatividade, enfraquecimento muscular e piora da dor.
Tratamentos
Tratamento da Dorsalgia (CID M54)
O tratamento da dor nas costas depende da causa, duração e intensidade dos sintomas. A boa notícia é que 90% dos episódios agudos de dor lombar melhoram em até 6 semanas com tratamento adequado.
Tratamento da dor aguda (primeiras semanas)
- Manter-se ativo: ao contrário da crença popular, o repouso absoluto é prejudicial. Recomenda-se manter as atividades habituais dentro do tolerável
- Analgésicos: paracetamol e dipirona são a primeira opção para dor leve a moderada
- Anti-inflamatórios (AINEs): ibuprofeno e diclofenaco por curtos períodos (7-14 dias) para dor com componente inflamatório
- Relaxantes musculares: ciclobenzaprina pode ser útil quando há espasmo muscular significativo
- Compressas mornas: aplicação local de calor ajuda a relaxar a musculatura
Tratamento da dor crônica (mais de 12 semanas)
- Fisioterapia: é o tratamento mais eficaz para dor crônica nas costas. Inclui exercícios de fortalecimento, alongamento, mobilização e reeducação postural
- Exercícios físicos: pilates, natação e yoga apresentam forte evidência científica para lombalgia crônica
- Terapia cognitivo-comportamental: ajuda a gerenciar o componente emocional da dor crônica
- Acupuntura: pode ser útil como complemento ao tratamento convencional
- Medicamentos: antidepressivos tricíclicos em baixas doses (amitriptilina) ou duloxetina podem ser prescritos para dor crônica
Tratamento para casos com compressão nervosa
Quando há hérnia de disco ou estenose com compressão de nervo (ciática):
- Corticoides: em casos selecionados, cursos curtos via oral ou infiltrações epidurais
- Gabapentina ou pregabalina: para dor neuropática (formigamento, queimação)
- Cirurgia: indicada apenas quando há falha do tratamento conservador por 6-12 semanas, déficit neurológico progressivo ou síndrome da cauda equina (emergência)
O que evitar
- Repouso absoluto: ficar na cama piora a dor e retarda a recuperação
- Uso prolongado de anti-inflamatórios: risco de problemas gástricos e renais
- Opioides: devem ser evitados para dor lombar crônica — alto risco de dependência com pouca eficácia a longo prazo
- Exames desnecessários: ressonância magnética na fase aguda sem sinais de alerta pode gerar achados incidentais que aumentam a ansiedade
Prevenção
Como prevenir a Dorsalgia (CID M54)
A prevenção da dor nas costas envolve a adoção de hábitos posturais corretos, fortalecimento muscular e ergonomia adequada no trabalho e em casa.
Medidas preventivas essenciais
- Exercícios de fortalecimento do core: a musculatura abdominal e paravertebral forte é a melhor proteção para a coluna. Pilates, prancha e exercícios de estabilização são excelentes opções
- Postura correta: ao sentar, manter os pés apoiados no chão, costas retas e tela do computador na altura dos olhos. Levantar-se a cada 30-60 minutos
- Ergonomia no trabalho: cadeira com apoio lombar, mesa na altura correta, monitor a 50-70 cm dos olhos
- Técnica correta ao levantar peso: dobrar os joelhos (agachar), manter o objeto próximo ao corpo e usar a força das pernas, nunca das costas
- Manutenção do peso saudável: o excesso de peso abdominal sobrecarrega a coluna lombar
- Colchão e travesseiro adequados: colchão de firmeza média e travesseiro que mantenha o alinhamento cervical
- Alongamentos diários: especialmente para quem trabalha sentado — alongar isquiotibiais, quadríceps, psoas ilíaco e musculatura lombar
- Não fumar: o tabagismo reduz a nutrição dos discos intervertebrais e acelera sua degeneração
Estudos mostram que a prática regular de exercícios reduz em até 35% o risco de recorrência de episódios de dor lombar. Programas de fortalecimento muscular realizados 2-3 vezes por semana apresentam os melhores resultados a longo prazo.
Complicações
Complicações da Dorsalgia (CID M54)
Embora a maioria dos episódios de dor nas costas seja benigna e autolimitada, a cronificação e certas condições subjacentes podem levar a complicações significativas.
Cronificação da dor
- Dor lombar crônica: cerca de 10-15% dos pacientes com lombalgia aguda desenvolvem dor crônica (duração superior a 12 semanas). A dor crônica tem impacto devastador na qualidade de vida, sono, trabalho e relações sociais
- Síndrome de dor crônica: a dor persistente pode levar a alterações no sistema nervoso central (sensibilização central), tornando o organismo mais sensível a estímulos dolorosos
Complicações funcionais
- Incapacidade funcional: dificuldade ou impossibilidade de realizar atividades do dia a dia, trabalho e lazer
- Descondicionamento físico: a inatividade por medo da dor leva a fraqueza muscular, que piora a dor — criando um ciclo vicioso
- Afastamento do trabalho: a dorsalgia é uma das principais causas de absenteísmo e aposentadoria por invalidez no Brasil
Complicações neurológicas (em casos com compressão nervosa)
- Radiculopatia: dor, formigamento e fraqueza no membro afetado pela compressão do nervo
- Síndrome da cauda equina: compressão grave dos nervos na base da coluna — causa perda do controle da bexiga e intestino, dormência na região perineal e fraqueza nas pernas. É uma emergência médica que requer cirurgia imediata
- Perda de força muscular permanente: compressão prolongada de nervo pode causar dano irreversível
Complicações psicológicas
- Depressão e ansiedade: presentes em até 50% dos pacientes com dor lombar crônica
- Insônia: a dor noturna compromete significativamente a qualidade do sono
- Cinesiofobia: medo de se movimentar que leva ao isolamento e piora do quadro
Consulte Sempre um Médico
As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Perguntas Frequentes sobre M54
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