CID E11 - Diabetes Mellitus Tipo 2 | Sintomas, Causas e Tratamento | MediLife
E11

Diabetes mellitus não insulino-dependente (Tipo 2)

Informações sobre Diabetes mellitus não insulino-dependente (Tipo 2) (CID-10: E11). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.

Sobre E11 - Diabetes mellitus não insulino-dependente (Tipo 2)

O que é Diabetes Mellitus Tipo 2 (CID E11)?

O diabetes mellitus tipo 2, classificado como CID E11, é uma doença crônica metabólica caracterizada pela resistência à insulina e pela incapacidade progressiva do pâncreas em produzir insulina suficiente para manter os níveis de glicose (açúcar) no sangue dentro da faixa normal. É a forma mais comum de diabetes, representando 90 a 95% de todos os casos.

Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), cerca de 537 milhões de adultos vivem com diabetes no mundo. No Brasil, estima-se que 16,8 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos tenham a doença, colocando o país na 5ª posição no ranking mundial. Destes, cerca de 40% não sabem que têm a doença.

Como o diabetes tipo 2 se desenvolve

Em pessoas saudáveis, o pâncreas produz insulina — um hormônio que funciona como uma "chave" que abre as células do corpo para que a glicose do sangue entre e seja usada como energia. No diabetes tipo 2, ocorrem duas alterações principais:

  • Resistência à insulina: as células do corpo (músculos, fígado, tecido adiposo) se tornam menos sensíveis à ação da insulina — como se a "fechadura" das células estivesse enferrujada e a "chave" não funcionasse bem
  • Deficiência relativa de insulina: o pâncreas inicialmente compensa produzindo mais insulina, mas com o tempo se esgota e a produção diminui

O resultado é o acúmulo de glicose no sangue (hiperglicemia), que, ao longo dos anos, danifica vasos sanguíneos, nervos e diversos órgãos.

Sintomas do diabetes tipo 2

O diabetes tipo 2 frequentemente se desenvolve de forma gradual e silenciosa. Muitos pacientes são diagnosticados apenas quando surgem complicações. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Sede excessiva (polidipsia) e boca seca
  • Vontade frequente de urinar (poliúria), especialmente à noite
  • Fome excessiva (polifagia), mesmo após comer
  • Fadiga e cansaço persistentes
  • Visão embaçada
  • Formigamento ou dormência nas mãos e pés
  • Cicatrização lenta de feridas e cortes
  • Infecções frequentes (pele, urina, gengiva)
  • Perda de peso inexplicada (em alguns casos)
  • Manchas escuras na pele (acantose nigricans), especialmente em pescoço, axilas e virilhas

Fatores de risco

  • Sobrepeso e obesidade: principal fator de risco — presente em 80-90% dos diabéticos tipo 2
  • Histórico familiar: ter pais ou irmãos diabéticos aumenta o risco em 2 a 6 vezes
  • Sedentarismo: a inatividade física reduz a sensibilidade à insulina
  • Idade: risco aumenta após os 45 anos, embora esteja crescendo em jovens e adolescentes
  • Pré-diabetes: glicemia de jejum entre 100-125 mg/dL ou hemoglobina glicada entre 5,7-6,4%
  • Diabetes gestacional prévio
  • Síndrome do ovário policístico
  • Hipertensão arterial e colesterol/triglicerídeos elevados

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por exames de sangue:

  • Glicemia de jejum: igual ou superior a 126 mg/dL (em duas medições)
  • Hemoglobina glicada (HbA1c): igual ou superior a 6,5% — reflete a média da glicose nos últimos 2-3 meses
  • Teste oral de tolerância à glicose (TOTG): glicemia igual ou superior a 200 mg/dL 2 horas após ingestão de 75g de glicose
  • Glicemia aleatória: igual ou superior a 200 mg/dL com sintomas clássicos

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Causas

Causas do Diabetes Mellitus Tipo 2 (CID E11)

O diabetes tipo 2 resulta de uma combinação de fatores genéticos e ambientais que levam à resistência à insulina e à falência progressiva das células beta do pâncreas.

Fatores genéticos

A predisposição genética é um componente importante do diabetes tipo 2. Se ambos os pais são diabéticos, o risco de desenvolver a doença chega a 40-70%. Mais de 100 variantes genéticas já foram associadas ao risco de diabetes tipo 2, afetando a secreção de insulina, a sensibilidade das células à insulina e o metabolismo da glicose. No entanto, ter a predisposição genética não significa desenvolver a doença — fatores ambientais são determinantes para a manifestação.

Obesidade e gordura visceral

A obesidade, especialmente o acúmulo de gordura abdominal (visceral), é o fator de risco mais importante e modificável. O tecido adiposo visceral é metabolicamente ativo e produz substâncias inflamatórias (adipocinas) que:

  • Reduzem a sensibilidade das células à insulina (resistência insulínica)
  • Aumentam a produção de glicose pelo fígado
  • Causam inflamação crônica de baixo grau que danifica as células beta do pâncreas

Pessoas com IMC acima de 30 kg/m² têm risco 7 vezes maior de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação com pessoas de peso normal.

Sedentarismo

A falta de atividade física reduz a capacidade dos músculos de captar glicose do sangue. O exercício físico é um dos mais poderosos sensibilizadores de insulina — durante e após a atividade, os músculos captam glicose mesmo com menos insulina.

Alimentação inadequada

  • Dieta rica em açúcares refinados e carboidratos ultraprocessados: causa picos repetidos de glicose e insulina, sobrecarregando o pâncreas
  • Excesso de gorduras saturadas e trans: contribuem para resistência insulínica
  • Baixo consumo de fibras: fibras retardam a absorção de glicose e melhoram a sensibilidade à insulina
  • Bebidas açucaradas: refrigerantes e sucos industrializados estão fortemente associados ao risco de diabetes

Outros fatores contribuintes

  • Estresse crônico: eleva os níveis de cortisol, que aumenta a glicemia e a resistência à insulina
  • Privação de sono: dormir menos de 6 horas por noite está associado a maior risco de diabetes
  • Tabagismo: fumantes têm 30-40% mais risco de desenvolver diabetes tipo 2
  • Poluição ambiental: estudos recentes associam a exposição a poluentes à resistência insulínica
  • Microbiota intestinal: desequilíbrios na flora intestinal podem contribuir para inflamação e resistência à insulina

Tratamentos

Tratamento do Diabetes Mellitus Tipo 2 (CID E11)

O tratamento do diabetes tipo 2 visa manter a hemoglobina glicada (HbA1c) abaixo de 7% na maioria dos pacientes, prevenindo complicações crônicas. O tratamento é individualizado e envolve mudanças no estilo de vida, medicamentos orais e, em alguns casos, insulina.

Mudanças no estilo de vida (base do tratamento)

  • Alimentação: dieta equilibrada com controle de carboidratos, preferência por grãos integrais, legumes, verduras, frutas (com moderação) e proteínas magras. Evitar açúcares refinados, ultraprocessados e refrigerantes
  • Exercício físico: pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada (caminhada, natação, bicicleta) combinados com exercícios de resistência (musculação) 2-3 vezes por semana
  • Perda de peso: redução de 5-10% do peso corporal pode melhorar drasticamente o controle glicêmico. Em alguns casos, pode levar à remissão do diabetes
  • Cessação do tabagismo: o cigarro piora a resistência à insulina e acelera as complicações vasculares

Medicamentos orais

Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes, o médico prescreve medicamentos. As principais classes são:

Primeira linha:

  • Metformina: o medicamento mais prescrito no mundo para diabetes tipo 2. Reduz a produção de glicose pelo fígado e melhora a sensibilidade à insulina. Dose usual: 500 a 2.550 mg/dia

Segunda linha (associados à metformina quando necessário):

  • Sulfonilureias: glibenclamida, glimepirida, gliclazida — estimulam o pâncreas a produzir mais insulina
  • Inibidores de SGLT2: empagliflozina, dapagliflozina — fazem os rins eliminarem glicose pela urina. Têm benefícios extras para coração e rins
  • Inibidores de DPP-4: sitagliptina, vildagliptina — aumentam os hormônios intestinais que estimulam a insulina
  • Agonistas de GLP-1: liraglutida, semaglutida — injetáveis que melhoram o controle glicêmico e promovem perda de peso significativa

Insulinoterapia

A insulina é indicada quando os medicamentos orais não conseguem manter a HbA1c no alvo, ou em situações especiais (internação, cirurgia, gestação). Existem diversos tipos:

  • Insulina basal: NPH, glargina, detemir — ação prolongada, aplicada 1-2 vezes ao dia
  • Insulina rápida: regular, lispro, asparte — antes das refeições

Monitoramento

  • Glicemia capilar: automonitoramento com glicosímetro, conforme orientação médica
  • HbA1c: exame a cada 3-6 meses para avaliar o controle geral
  • Exames periódicos: função renal, fundo de olho, perfil lipídico, pés (neuropatia) — pelo menos anualmente

O acompanhamento regular com uma equipe multidisciplinar (endocrinologista, nutricionista, educador em diabetes) é essencial para o sucesso do tratamento. Ferramentas de lembrete, como o MediLife, ajudam a manter a adesão ao tratamento medicamentoso.

Prevenção

Como prevenir o Diabetes Mellitus Tipo 2 (CID E11)

A prevenção do diabetes tipo 2 é altamente eficaz. Grandes estudos científicos (como o Diabetes Prevention Program) demonstraram que mudanças no estilo de vida podem reduzir o risco de desenvolver a doença em até 58% — mais eficaz do que qualquer medicamento.

Medidas preventivas comprovadas

  • Controle do peso: manter o IMC abaixo de 25 kg/m². Para quem já está acima do peso, a perda de apenas 5-7% do peso corporal reduz significativamente o risco
  • Atividade física regular: 150 minutos por semana de exercício moderado (30 minutos, 5 vezes por semana). A caminhada diária já é eficaz. Exercícios de resistência (musculação) melhoram a sensibilidade à insulina
  • Alimentação saudável: priorizar alimentos integrais, frutas, verduras, legumes e proteínas magras. Reduzir açúcar refinado, ultraprocessados, refrigerantes e gorduras trans
  • Fibras na dieta: consumir pelo menos 25-30g de fibras por dia (aveia, feijão, lentilha, vegetais). Fibras retardam a absorção de glicose
  • Sono adequado: dormir 7-8 horas por noite. A privação de sono altera hormônios que regulam apetite e glicemia
  • Não fumar: fumantes têm risco 30-40% maior de desenvolver diabetes tipo 2
  • Moderação no álcool: o consumo excessivo pode causar ganho de peso e alterações metabólicas
  • Exames de rastreamento: verificar a glicemia de jejum anualmente a partir dos 45 anos, ou antes se houver fatores de risco (obesidade, histórico familiar, pré-diabetes)

Pré-diabetes: a janela de oportunidade

O pré-diabetes (glicemia de jejum entre 100-125 mg/dL) é o estágio anterior ao diabetes e representa a melhor oportunidade de prevenção. Nesta fase, a adoção de hábitos saudáveis pode reverter completamente a condição e impedir a progressão para o diabetes. Estima-se que 50 milhões de brasileiros estejam nessa faixa sem saber.

Complicações

Complicações do Diabetes Mellitus Tipo 2 (CID E11)

O diabetes tipo 2 mal controlado provoca danos progressivos em diversos órgãos e sistemas, causados pelo efeito tóxico da glicose elevada sobre os vasos sanguíneos e nervos. As complicações se dividem em microvasculares (pequenos vasos) e macrovasculares (grandes vasos).

Complicações microvasculares

  • Retinopatia diabética: dano aos vasos da retina que pode levar à visão embaçada e cegueira. É a principal causa de cegueira em adultos em idade produtiva. Exame de fundo de olho anual é essencial
  • Nefropatia diabética: lesão dos rins que pode progredir para insuficiência renal crônica e necessidade de hemodiálise. O diabetes é a causa número 1 de doença renal terminal
  • Neuropatia diabética: dano aos nervos periféricos causando formigamento, dormência, dor tipo queimação e perda de sensibilidade, especialmente nos pés

Complicações macrovasculares

  • Doença cardiovascular: o diabetes duplica o risco de infarto do miocárdio e AVC. É a principal causa de morte em diabéticos tipo 2
  • Doença arterial periférica: comprometimento da circulação nas pernas, com dor ao caminhar e risco de gangrena
  • Hipertensão arterial: presente em 60-80% dos diabéticos tipo 2, potencializando o risco cardiovascular

Pé diabético

  • A combinação de neuropatia (perda de sensibilidade) e doença vascular (má circulação) torna os pés dos diabéticos extremamente vulneráveis. Pequenas feridas podem evoluir para úlceras graves e infecções que, em casos extremos, levam à amputação. O diabetes é responsável por mais de 70% das amputações não traumáticas de membros inferiores

Outras complicações

  • Cetoacidose diabética: embora mais comum no tipo 1, pode ocorrer no tipo 2 em situações de estresse grave (infecções, cirurgias)
  • Estado hiperglicêmico hiperosmolar: complicação grave com glicemia extremamente elevada (acima de 600 mg/dL), desidratação intensa e confusão mental — emergência médica
  • Disfunção erétil: afeta 35-75% dos homens diabéticos
  • Depressão: diabéticos têm risco 2 vezes maior de desenvolver depressão
  • Maior susceptibilidade a infecções: a hiperglicemia compromete o sistema imunológico

O controle adequado da glicemia (HbA1c < 7%), da pressão arterial e do colesterol reduz drasticamente o risco de todas essas complicações. O exame regular dos pés, olhos e rins é fundamental para detecção precoce.

Consulte Sempre um Médico

As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes sobre E11

O diabetes mellitus tipo 2, classificado como CID E11, é uma doença crônica em que o corpo não consegue usar a insulina de forma eficiente (resistência à insulina) e/ou o pâncreas não produz insulina suficiente. Isso causa acúmulo de açúcar (glicose) no sangue. É a forma mais comum de diabetes, representando 90-95% dos casos, e está fortemente associada ao excesso de peso e sedentarismo.
Atualmente, o diabetes tipo 2 não tem cura definitiva, mas pode entrar em remissão. Estudos mostram que a perda de 10-15% do peso corporal, especialmente nos primeiros anos após o diagnóstico, pode normalizar a glicemia sem necessidade de medicamentos — o que é considerado remissão. Cirurgia bariátrica também pode levar à remissão em 60-80% dos casos. Mesmo em remissão, o acompanhamento médico regular é necessário.
Os sintomas clássicos incluem sede excessiva, vontade frequente de urinar (especialmente à noite), fome exagerada, fadiga, visão embaçada, formigamento nas mãos e pés, cicatrização lenta de feridas e infecções frequentes. Porém, muitos pacientes não apresentam sintomas no início, sendo diagnosticados apenas em exames de rotina — por isso o rastreamento regular é tão importante.
O clínico geral pode diagnosticar e iniciar o tratamento do diabetes tipo 2. Para casos mais complexos, que necessitam de insulina ou apresentam complicações, o endocrinologista é o especialista indicado. O acompanhamento ideal envolve uma equipe multidisciplinar: endocrinologista, nutricionista, oftalmologista (fundo de olho anual), nefrologista e podólogo.
Sim, o CID E11 pode dar direito a benefícios do INSS quando o diabetes causa incapacidade para o trabalho. Casos com complicações graves (retinopatia com perda visual, nefropatia com diálise, pé diabético com amputação, neuropatia incapacitante) podem dar direito a auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez. Além disso, diabéticos que usam insulina podem ter direito à isenção de IPI na compra de veículos.
O tratamento do diabetes tipo 2 é, em geral, para a vida toda, pois se trata de uma doença crônica. No entanto, com mudanças significativas no estilo de vida (perda de peso, exercícios, dieta), é possível reduzir ou até suspender medicamentos sob supervisão médica. O monitoramento da glicemia e da hemoglobina glicada (HbA1c) a cada 3-6 meses é essencial para ajustar o tratamento.

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