CID E78 - Colesterol Alto (Dislipidemia) | Sintomas, Causas e Tratamento | MediLife
E78

Distúrbios do metabolismo de lipoproteínas e outras lipidemias

Informações sobre Distúrbios do metabolismo de lipoproteínas e outras lipidemias (CID-10: E78). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.

Sobre E78 - Distúrbios do metabolismo de lipoproteínas e outras lipidemias

O que são Distúrbios do Metabolismo de Lipoproteínas (CID E78)?

Os distúrbios do metabolismo de lipoproteínas, classificados como CID E78, englobam um conjunto de condições caracterizadas por alterações nos níveis de gorduras (lipídios) no sangue, especialmente colesterol e triglicerídeos. O termo mais popular para essas condições é dislipidemia ou, no caso mais comum, "colesterol alto".

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, estima-se que cerca de 40% da população adulta brasileira apresente algum tipo de dislipidemia. Dados do DATASUS apontam que as doenças cardiovasculares — diretamente relacionadas ao colesterol elevado — são a principal causa de morte no Brasil, responsáveis por mais de 400 mil óbitos anuais.

Subtipos do CID E78

  • E78.0 — Hipercolesterolemia pura: elevação isolada do colesterol LDL ("colesterol ruim")
  • E78.1 — Hipertrigliceridemia pura: elevação isolada dos triglicerídeos
  • E78.2 — Hiperlipidemia mista: elevação simultânea de colesterol e triglicerídeos
  • E78.3 — Hiperquilomicronemia: acúmulo de quilomícrons no sangue
  • E78.4 — Outras hiperlipidemias
  • E78.5 — Hiperlipidemia não especificada
  • E78.6 — Deficiência de lipoproteínas: níveis muito baixos de colesterol (raro)

Entendendo o colesterol

O colesterol é uma gordura essencial para o corpo humano — faz parte das membranas celulares, é precursor de hormônios e da vitamina D. O problema surge quando seus níveis ficam desequilibrados:

  • LDL (colesterol "ruim"): quando em excesso, deposita-se nas paredes das artérias formando placas de gordura (aterosclerose)
  • HDL (colesterol "bom"): remove o colesterol das artérias e o leva de volta ao fígado. Níveis altos são protetores
  • Triglicerídeos: quando muito elevados (acima de 500 mg/dL), aumentam o risco de pancreatite aguda

Valores de referência

  • Colesterol total: desejável abaixo de 190 mg/dL
  • LDL: desejável abaixo de 130 mg/dL (abaixo de 70 mg/dL para pacientes de alto risco cardiovascular)
  • HDL: desejável acima de 40 mg/dL (homens) e 50 mg/dL (mulheres)
  • Triglicerídeos: desejável abaixo de 150 mg/dL

Sintomas

A dislipidemia é uma condição geralmente silenciosa — não causa sintomas perceptíveis até que ocorra uma complicação grave como infarto ou AVC. Em casos de hipercolesterolemia familiar severa, podem surgir sinais visíveis:

  • Xantomas: depósitos amarelados de gordura na pele, cotovelos, joelhos e tendões
  • Xantelasma: depósitos amarelados ao redor dos olhos
  • Arco corneano: anel esbranquiçado ao redor da íris (mais comum em jovens com colesterol muito alto)

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Causas

Causas dos Distúrbios do Metabolismo de Lipoproteínas (CID E78)

As dislipidemias podem ter origem genética (primárias) ou serem consequência de outras condições e hábitos de vida (secundárias). Na maioria dos pacientes, há uma combinação de ambos os fatores.

Causas primárias (genéticas)

  • Hipercolesterolemia familiar (HF): doença genética que afeta 1 em cada 250 pessoas. Os receptores de LDL no fígado funcionam de forma deficiente, impedindo a remoção adequada do colesterol do sangue. Pacientes podem ter LDL acima de 300 mg/dL desde a infância
  • Hiperlipidemia familiar combinada: a forma genética mais comum, com elevação de colesterol e triglicerídeos
  • Disbetalipoproteinemia: acúmulo de lipoproteínas de densidade intermediária (IDL)
  • Hipertrigliceridemia familiar: elevação genética dos triglicerídeos

Causas secundárias (adquiridas)

  • Alimentação inadequada: dieta rica em gorduras saturadas (carnes gordas, embutidos, laticínios integrais), gorduras trans (alimentos ultraprocessados, margarina hidrogenada) e açúcares refinados
  • Sedentarismo: a falta de exercício reduz o HDL e aumenta triglicerídeos e LDL
  • Obesidade: especialmente a gordura abdominal (visceral), que está fortemente associada à elevação de triglicerídeos e redução do HDL
  • Diabetes mellitus tipo 2: a resistência à insulina altera profundamente o metabolismo lipídico, causando a chamada "dislipidemia diabética"
  • Hipotireoidismo: a redução dos hormônios tireoidianos diminui a remoção do LDL do sangue
  • Doença renal crônica: altera o metabolismo de lipoproteínas
  • Alcoolismo: o consumo excessivo de álcool eleva significativamente os triglicerídeos
  • Medicamentos: corticoides, anticoncepcionais orais, diuréticos tiazídicos e betabloqueadores podem alterar o perfil lipídico

Fatores de risco

  • Idade: o colesterol tende a subir com o envelhecimento
  • Sexo: homens têm risco maior antes dos 55 anos; após a menopausa, o risco nas mulheres se iguala
  • Histórico familiar: parentes de primeiro grau com doença cardiovascular precoce (homens antes dos 55 anos ou mulheres antes dos 65 anos)
  • Tabagismo: reduz o HDL e favorece a oxidação do LDL, tornando-o mais prejudicial

Tratamentos

Tratamento dos Distúrbios do Metabolismo de Lipoproteínas (CID E78)

O tratamento da dislipidemia visa reduzir o risco cardiovascular por meio da normalização dos níveis lipídicos. A estratégia combina mudanças no estilo de vida com medicamentos, conforme o risco individual do paciente.

Mudanças no estilo de vida

São a base do tratamento para todos os pacientes e, em casos leves, podem ser suficientes:

  • Alimentação saudável: reduzir gorduras saturadas (menos de 7% das calorias diárias), eliminar gorduras trans, aumentar consumo de fibras (aveia, frutas, legumes), peixes ricos em ômega-3 (salmão, sardinha, atum) e oleaginosas (castanhas, nozes)
  • Exercício físico: pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada. O exercício regular pode elevar o HDL em 5 a 10% e reduzir triglicerídeos em 20 a 30%
  • Perda de peso: reduzir 5 a 10% do peso corporal melhora significativamente o perfil lipídico
  • Cessação do tabagismo: parar de fumar pode elevar o HDL em até 10%
  • Moderação no álcool: essencial para quem tem triglicerídeos elevados

Tratamento medicamentoso

Estatinas (principal classe):

  • Sinvastatina, atorvastatina, rosuvastatina, pravastatina
  • Reduzem o LDL em 30 a 55% dependendo da dose e do tipo
  • São os medicamentos com maior evidência de redução de eventos cardiovasculares (infarto e AVC)
  • A sinvastatina é amplamente disponível pelo SUS

Ezetimiba:

  • Inibe a absorção do colesterol no intestino
  • Reduz o LDL em 15 a 20% adicionais quando combinada com estatina

Fibratos:

  • Fenofibrato, bezafibrato, ciprofibrato
  • Principais medicamentos para redução de triglicerídeos (redução de 30 a 50%)
  • Indicados quando triglicerídeos estão acima de 500 mg/dL (risco de pancreatite)

Inibidores de PCSK9 (medicamentos biológicos):

  • Evolocumabe, alirocumabe
  • Injetáveis, reduzem o LDL em até 60%
  • Indicados para hipercolesterolemia familiar ou pacientes que não atingem a meta com estatinas

Acompanhamento

O perfil lipídico deve ser reavaliado a cada 3 a 6 meses no início do tratamento e anualmente após atingir as metas. A dosagem de enzimas hepáticas (TGO/TGP) e CPK é recomendada para monitorar possíveis efeitos colaterais das estatinas. O uso de aplicativos como o MediLife pode ajudar no controle dos horários de medicação e acompanhamento dos exames.

Prevenção

Como prevenir Distúrbios do Metabolismo de Lipoproteínas (CID E78)

A prevenção das dislipidemias envolve a adoção de hábitos de vida saudáveis desde cedo, idealmente na infância e adolescência, quando os padrões alimentares e de atividade física são formados.

Medidas preventivas

  • Alimentação equilibrada: priorizar alimentos in natura e minimamente processados. A dieta mediterrânea (rica em azeite, peixes, frutas, verduras e grãos integrais) demonstrou reduzir em até 30% o risco de eventos cardiovasculares
  • Fibras solúveis: aveia, cevada, feijão, lentilha, frutas (maçã, laranja) — as fibras solúveis se ligam ao colesterol no intestino e ajudam a eliminá-lo
  • Atividade física regular: exercícios aeróbicos elevam o HDL e melhoram a sensibilidade à insulina. Mesmo caminhadas diárias de 30 minutos fazem diferença
  • Manutenção do peso saudável: IMC entre 18,5 e 24,9 e circunferência abdominal controlada
  • Não fumar: o tabagismo é um dos principais fatores que reduzem o HDL
  • Controlar o estresse: o cortisol (hormônio do estresse) favorece o acúmulo de gordura abdominal e piora o perfil lipídico
  • Exames periódicos: a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda dosagem do perfil lipídico a partir dos 10 anos de idade em crianças com histórico familiar de dislipidemia, e a partir dos 20 anos para todos os adultos

Para pessoas com hipercolesterolemia familiar, a prevenção medicamentosa com estatinas pode ser necessária desde a adolescência, pois as mudanças no estilo de vida isoladamente não são suficientes para normalizar os níveis de LDL.

Complicações

Complicações dos Distúrbios do Metabolismo de Lipoproteínas (CID E78)

A dislipidemia não tratada é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, que representam a primeira causa de morte no Brasil e no mundo.

Complicações cardiovasculares

  • Aterosclerose: o acúmulo progressivo de placas de gordura (ateromas) nas paredes das artérias é a complicação central da dislipidemia. O processo é lento e silencioso, podendo levar décadas até causar obstrução significativa
  • Doença arterial coronariana e infarto: a aterosclerose nas artérias coronárias reduz o fluxo de sangue para o coração. A ruptura de uma placa pode causar um infarto agudo do miocárdio
  • AVC (derrame): a aterosclerose nas artérias que irrigam o cérebro pode causar AVC isquêmico. O colesterol alto aumenta o risco de AVC em até 25%
  • Doença arterial periférica: obstrução das artérias das pernas, causando dor ao caminhar (claudicação intermitente) e, em casos graves, gangrena

Complicações metabólicas

  • Pancreatite aguda: triglicerídeos muito elevados (acima de 1000 mg/dL) podem causar inflamação grave do pâncreas, uma emergência médica potencialmente fatal
  • Esteatose hepática (gordura no fígado): acúmulo de gordura no fígado que pode evoluir para inflamação (esteato-hepatite) e cirrose

Outras complicações

  • Xantomas e xantelasmas: depósitos de gordura na pele e ao redor dos olhos, com impacto estético
  • Disfunção erétil: a aterosclerose também afeta as artérias penianas, sendo muitas vezes um sinal precoce de doença cardiovascular

Estudos demonstram que cada redução de 40 mg/dL no LDL com tratamento adequado diminui o risco de eventos cardiovasculares maiores em aproximadamente 22%.

Consulte Sempre um Médico

As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes sobre E78

Dislipidemia, classificada como CID E78, é o termo médico para alterações nos níveis de gorduras no sangue — principalmente colesterol e triglicerídeos. O tipo mais comum é a hipercolesterolemia (colesterol LDL alto), mas também inclui triglicerídeos elevados e HDL baixo. É um dos principais fatores de risco para infarto e AVC.
Depende da causa. Quando a dislipidemia é causada por hábitos de vida (alimentação inadequada, sedentarismo), mudanças no estilo de vida podem normalizar os valores. Porém, na hipercolesterolemia familiar (genética) ou quando há alto risco cardiovascular, o tratamento medicamentoso geralmente é necessário por tempo indeterminado. O importante é que o colesterol alto é controlável com acompanhamento adequado.
O colesterol alto geralmente não apresenta nenhum sintoma — é uma condição silenciosa. Por isso é chamado de 'inimigo invisível'. Apenas em casos graves ou formas genéticas podem surgir sinais como depósitos de gordura na pele (xantomas), depósitos amarelados ao redor dos olhos (xantelasma) ou um anel branco ao redor da íris. A única forma de detectar é pelo exame de sangue (perfil lipídico).
O clínico geral ou médico de família pode diagnosticar e tratar a maioria dos casos de dislipidemia. O cardiologista é indicado para pacientes com alto risco cardiovascular ou formas familiares de colesterol alto. O endocrinologista pode ser consultado quando há associação com diabetes, obesidade ou doenças hormonais. A consulta com nutricionista é altamente recomendada para orientação alimentar personalizada.
O CID E78 isoladamente raramente gera direito a afastamento pelo INSS, pois a dislipidemia por si só não costuma causar incapacidade para o trabalho. No entanto, quando há complicações como infarto, AVC ou doença arterial periférica grave, o afastamento pode ser concedido com base no CID da complicação. Em casos de hipercolesterolemia familiar severa com múltiplas complicações, pode haver direito a benefícios previdenciários.
Para pacientes de baixo risco com dislipidemia leve, 3 a 6 meses de mudanças no estilo de vida podem ser suficientes para normalizar os valores. Se não houver resposta adequada, o tratamento medicamentoso com estatinas é iniciado e geralmente mantido por tempo indeterminado — especialmente em pacientes de alto risco cardiovascular. A suspensão do medicamento, quando possível, deve ser feita sob orientação médica com monitoramento do perfil lipídico.

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