Hipertensão essencial (primária)
Informações sobre Hipertensão essencial (primária) (CID-10: I10). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.
Sobre I10 - Hipertensão essencial (primária)
O que é Hipertensão Essencial (CID I10)?
A hipertensão arterial essencial, classificada como CID I10, é uma condição crônica caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial acima dos valores considerados normais (140/90 mmHg). É chamada "essencial" ou "primária" porque, na maioria dos casos, não possui uma causa identificável específica — diferente da hipertensão secundária, que é provocada por doenças renais, endócrinas ou uso de medicamentos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a hipertensão afeta cerca de 1,28 bilhão de adultos entre 30 e 79 anos no mundo. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde estima que 32,5% da população adulta seja hipertensa, o que representa mais de 60 milhões de pessoas. É a principal causa de doenças cardiovasculares e a condição crônica mais comum em consultas de atenção primária.
Como a hipertensão afeta o corpo
Quando a pressão arterial permanece elevada por longos períodos, o coração precisa trabalhar com mais força para bombear o sangue. Esse esforço extra causa espessamento das paredes do ventrículo esquerdo (hipertrofia ventricular), o que, com o tempo, pode levar à insuficiência cardíaca. Além disso, a pressão elevada danifica progressivamente as paredes dos vasos sanguíneos, favorecendo o acúmulo de placas de gordura (aterosclerose) e aumentando o risco de AVC e infarto.
Classificação da pressão arterial
- Normal: menor que 120/80 mmHg
- Pré-hipertensão: 121-139/81-89 mmHg
- Hipertensão estágio 1: 140-159/90-99 mmHg
- Hipertensão estágio 2: 160-179/100-109 mmHg
- Hipertensão estágio 3 (crise hipertensiva): igual ou superior a 180/110 mmHg
Sintomas da hipertensão
A hipertensão é frequentemente chamada de "assassina silenciosa" porque, na grande maioria dos casos, não apresenta sintomas evidentes até que ocorra uma complicação grave. Quando surgem, os sintomas mais comuns incluem:
- Dor de cabeça, especialmente na região da nuca (cefaleia occipital matinal)
- Tontura e sensação de instabilidade
- Visão embaçada ou escurecimento visual
- Dor no peito ou sensação de aperto
- Falta de ar aos esforços
- Palpitações
- Formigamento nas extremidades
- Sangramento nasal (epistaxe)
Fatores de risco
Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da hipertensão essencial:
- Idade: o risco aumenta significativamente após os 50 anos
- Histórico familiar: ter pais ou irmãos hipertensos eleva o risco em até 4 vezes
- Excesso de peso: a obesidade está presente em 60-70% dos hipertensos
- Consumo excessivo de sódio: o brasileiro consome em média 12g de sal/dia, mais que o dobro do recomendado
- Sedentarismo: a inatividade física aumenta o risco em 30-50%
- Estresse crônico
- Tabagismo e consumo excessivo de álcool
- Etnia: pessoas negras têm maior prevalência e formas mais graves da doença
Diagnóstico
O diagnóstico é feito pela aferição da pressão arterial em pelo menos duas consultas distintas, com valores iguais ou superiores a 140/90 mmHg. Exames complementares como MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) em 24 horas, eletrocardiograma, ecocardiograma, exames de sangue (creatinina, potássio, glicemia, perfil lipídico) e exame de urina ajudam a avaliar possíveis lesões em órgãos-alvo e descartar causas secundárias.
Sintomas Relacionados
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Causas
Causas da Hipertensão Essencial (CID I10)
A hipertensão essencial, por definição, não possui uma causa única identificável. Ela resulta da interação complexa entre fatores genéticos, ambientais e comportamentais que, ao longo do tempo, elevam a pressão arterial de forma persistente.
Fatores genéticos
Estima-se que a hereditariedade responda por 30 a 50% da variabilidade da pressão arterial entre indivíduos. Mais de 100 variantes genéticas já foram associadas à hipertensão, afetando mecanismos como a reabsorção de sódio pelos rins, a produção de óxido nítrico (vasodilatador natural) e a atividade do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA).
Fatores ambientais e comportamentais
- Excesso de sódio na dieta: o consumo elevado de sal aumenta o volume sanguíneo e a resistência vascular. O limite recomendado pela OMS é de 5g de sal por dia (2g de sódio)
- Baixa ingestão de potássio: o potássio ajuda a contrabalançar os efeitos do sódio. Frutas, verduras e legumes são as principais fontes
- Obesidade: o tecido adiposo em excesso produz substâncias inflamatórias e hormônios que elevam a pressão. Cada 5 kg de peso perdido pode reduzir a pressão em 4 mmHg
- Sedentarismo: a falta de atividade física reduz a capacidade dos vasos de se dilatarem e aumenta a rigidez arterial
- Estresse crônico: a ativação constante do sistema nervoso simpático mantém os vasos contraídos e eleva a frequência cardíaca
- Álcool em excesso: mais de 2 doses diárias para homens ou 1 para mulheres está associado a elevação pressórica
- Tabagismo: a nicotina provoca vasoconstrição aguda e, a longo prazo, danifica o endotélio dos vasos
Mecanismos fisiopatológicos
Na hipertensão essencial, vários sistemas do corpo funcionam de forma desregulada simultaneamente:
- Sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA): hiperatividade que causa retenção de sódio e água e vasoconstrição
- Sistema nervoso simpático: ativação excessiva que mantém a frequência cardíaca e o tônus vascular elevados
- Disfunção endotelial: redução da produção de óxido nítrico, comprometendo a vasodilatação
- Remodelamento vascular: espessamento e enrijecimento das paredes dos vasos sanguíneos
Tratamentos
Tratamento da Hipertensão Essencial (CID I10)
O tratamento da hipertensão essencial tem como objetivo manter a pressão arterial abaixo de 140/90 mmHg (ou abaixo de 130/80 mmHg para pacientes com diabetes ou doença renal). O tratamento envolve mudanças no estilo de vida e, na maioria dos casos, uso de medicamentos anti-hipertensivos.
Tratamento não medicamentoso (mudanças no estilo de vida)
As modificações no estilo de vida são a base do tratamento e podem, em casos leves, ser suficientes para controlar a pressão:
- Redução do sal: limitar a ingestão a 5g/dia pode reduzir a pressão em 2 a 8 mmHg
- Dieta DASH: rica em frutas, verduras, cereais integrais, laticínios desnatados e pobre em gorduras saturadas
- Perda de peso: cada kg perdido reduz a pressão em aproximadamente 1 mmHg
- Exercício físico regular: pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada (caminhada, natação, bicicleta)
- Moderação do álcool: limitar a 1 dose/dia para mulheres e 2 doses/dia para homens
- Cessação do tabagismo: o cigarro potencializa significativamente o risco cardiovascular
- Gerenciamento do estresse: técnicas de relaxamento, meditação e psicoterapia
Tratamento medicamentoso
Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes, o médico pode prescrever um ou mais medicamentos. As principais classes de anti-hipertensivos são:
Bloqueadores do sistema renina-angiotensina:
- Inibidores da ECA: enalapril, captopril, ramipril
- Bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA): losartana, valsartana, olmesartana
Diuréticos:
- Tiazídicos: hidroclorotiazida, clortalidona, indapamida
- Estes medicamentos ajudam os rins a eliminar sódio e água em excesso
Bloqueadores dos canais de cálcio:
- Anlodipino, nifedipino — relaxam as paredes dos vasos sanguíneos
Betabloqueadores:
- Atenolol, metoprolol, carvedilol — reduzem a frequência cardíaca e a força de contração
Adesão ao tratamento
A adesão ao tratamento é um dos maiores desafios no controle da hipertensão. Estima-se que 50% dos hipertensos abandonam o tratamento no primeiro ano. O uso de lembretes automáticos, como os oferecidos pelo MediLife, pode aumentar significativamente a adesão e os resultados do tratamento. O acompanhamento médico regular, com consultas a cada 3 a 6 meses, é fundamental para ajustar doses e avaliar possíveis efeitos colaterais.
Prevenção
Como prevenir a Hipertensão Essencial (CID I10)
Embora fatores genéticos não possam ser modificados, a prevenção da hipertensão é possível e altamente eficaz por meio de hábitos de vida saudáveis adotados desde a juventude.
Medidas preventivas comprovadas
- Alimentação equilibrada: adotar a dieta DASH ou dieta mediterrânea, ricas em frutas, verduras, grãos integrais e gorduras boas (azeite, peixes). Reduzir alimentos ultraprocessados, embutidos e fast food
- Controle do sódio: não ultrapassar 5g de sal por dia. Ler rótulos de alimentos industrializados e evitar adicionar sal extra nas refeições
- Atividade física regular: pelo menos 150 minutos por semana de exercícios aeróbicos moderados. A prática regular pode reduzir o risco de hipertensão em até 40%
- Manutenção do peso saudável: manter o IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m². A circunferência abdominal deve ser inferior a 94 cm em homens e 80 cm em mulheres
- Sono adequado: dormir de 7 a 8 horas por noite. A apneia do sono é um fator de risco importante e tratável
- Moderação no álcool: limitar o consumo e evitar episódios de consumo excessivo
- Não fumar: o tabagismo potencializa todos os fatores de risco cardiovascular
- Monitoramento regular: verificar a pressão arterial pelo menos uma vez ao ano a partir dos 18 anos, e com maior frequência após os 40 anos ou se houver histórico familiar
Estudos demonstram que pessoas que adotam pelo menos quatro dessas medidas simultaneamente reduzem o risco de desenvolver hipertensão em até 80%, mesmo com predisposição genética.
Complicações
Complicações da Hipertensão Essencial (CID I10)
A hipertensão não tratada ou mal controlada é responsável por danos progressivos em diversos órgãos, conhecidos como lesões em órgãos-alvo. As complicações mais graves incluem:
Complicações cardiovasculares
- Doença arterial coronariana e infarto: a hipertensão é o principal fator de risco para infarto agudo do miocárdio
- Insuficiência cardíaca: o coração hipertrofia e perde a capacidade de bombear sangue adequadamente
- Arritmias cardíacas: especialmente fibrilação atrial, que aumenta o risco de AVC em 5 vezes
Complicações cerebrovasculares
- AVC (derrame): a hipertensão é responsável por 80% dos AVCs. Pode ser hemorrágico (rompimento de vaso) ou isquêmico (obstrução de vaso)
- Demência vascular: a hipertensão crônica danifica pequenos vasos cerebrais, contribuindo para declínio cognitivo
Complicações renais
- Nefroesclerose hipertensiva: dano progressivo aos rins, podendo evoluir para insuficiência renal crônica e necessidade de hemodiálise
Complicações oculares
- Retinopatia hipertensiva: dano aos vasos da retina que pode causar visão embaçada e, em casos graves, cegueira
Outras complicações
- Aneurisma de aorta: dilatação perigosa da principal artéria do corpo
- Doença arterial periférica: comprometimento da circulação nas pernas, com dor ao caminhar
- Disfunção erétil: a hipertensão e alguns de seus medicamentos podem afetar a função sexual masculina
O controle adequado da pressão arterial reduz o risco de AVC em 35-40%, de infarto em 20-25% e de insuficiência cardíaca em até 50%.
Consulte Sempre um Médico
As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Perguntas Frequentes sobre I10
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