Angina pectoris
Informações sobre Angina pectoris (CID-10: I20). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.
Sobre I20 - Angina pectoris
O que é Angina Pectoris (CID I20)?
A angina pectoris, classificada como CID I20, é uma dor ou desconforto no peito causada pela redução temporária do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco (isquemia miocárdica). Não é uma doença em si, mas um sintoma da doença arterial coronariana, na qual as artérias que irrigam o coração estão parcialmente obstruídas por placas de gordura (aterosclerose).
No Brasil, as doenças isquêmicas do coração são a principal causa de morte, responsáveis por cerca de 90 mil óbitos por ano, segundo o DATASUS. A angina afeta milhões de brasileiros e é frequentemente o primeiro sinal de alerta de que o coração está em risco.
Subtipos do CID I20
- I20.0 — Angina instável: dor que surge em repouso, é nova, ou tem padrão crescente (mais frequente, intensa ou duradoura). É uma emergência médica pois pode preceder um infarto
- I20.1 — Angina com espasmo documentado: causada por contração (espasmo) de uma artéria coronária, mesmo sem obstrução significativa (angina de Prinzmetal)
- I20.8 — Outras formas de angina: angina de esforço, angina estável crônica
- I20.9 — Angina pectoris não especificada
Sintomas da angina
- Dor ou pressão no peito: sensação de aperto, peso, queimação ou pressão no centro ou lado esquerdo do peito
- Irradiação: a dor pode se espalhar para braço esquerdo, pescoço, mandíbula, ombro ou costas
- Falta de ar acompanhando a dor
- Náusea e sudorese fria
- Tontura e mal-estar
- Fadiga incomum
Angina estável: dor previsível, desencadeada por esforço físico ou estresse emocional, que melhora com repouso ou nitroglicerina em 5-15 minutos.
Angina instável: dor imprevisível, que surge em repouso ou com esforço mínimo, é mais intensa ou prolongada que o habitual. Procure emergência imediatamente.
Diagnóstico
O diagnóstico envolve eletrocardiograma, troponina (para excluir infarto), teste ergométrico (esteira), ecocardiograma de estresse, cintilografia miocárdica e, quando indicado, cateterismo cardíaco (coronariografia) — que é o padrão-ouro para avaliar obstruções nas coronárias.
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Causas
Causas da Angina Pectoris (CID I20)
A angina ocorre quando o coração não recebe oxigênio suficiente para atender à sua demanda. A causa mais comum é a obstrução das artérias coronárias por placas de aterosclerose.
Aterosclerose coronariana
É a causa de mais de 90% dos casos de angina. Placas compostas por gordura, cálcio e células inflamatórias se acumulam nas paredes das artérias coronárias ao longo de décadas, estreitando progressivamente a luz do vaso. Quando a obstrução ultrapassa 70%, o fluxo sanguíneo torna-se insuficiente durante esforço.
Espasmo coronariano
Contração súbita de uma artéria coronária que reduz temporariamente o fluxo sanguíneo, mesmo sem obstrução fixa significativa (angina de Prinzmetal). Pode ser desencadeado por tabagismo, uso de cocaína, frio intenso ou estresse emocional.
Fatores de risco para doença coronariana
- Hipertensão arterial: danifica as paredes dos vasos, facilitando a formação de placas
- Colesterol LDL elevado: o "colesterol ruim" é o principal componente das placas de aterosclerose
- Tabagismo: o cigarro danifica o endotélio vascular, promove inflamação e favorece a trombose. É o fator de risco modificável mais importante
- Diabetes: acelera a aterosclerose e prejudica a circulação coronariana
- Obesidade: especialmente a gordura abdominal (visceral)
- Sedentarismo: falta de exercício contribui para múltiplos fatores de risco
- Histórico familiar: doença coronariana em parente de 1º grau antes dos 55 anos (homem) ou 65 anos (mulher)
- Estresse crônico: ativação simpática e liberação de cortisol promovem aterosclerose
- Idade: homens >45 anos e mulheres >55 anos
Fatores desencadeantes de crise de angina
- Esforço físico (subir escadas, carregar peso, relações sexuais)
- Estresse emocional intenso (raiva, medo, ansiedade)
- Exposição ao frio
- Refeições copiosas
- Anemia grave (reduz a capacidade de transporte de oxigênio)
Tratamentos
Tratamento da Angina Pectoris (CID I20)
O tratamento visa aliviar a dor, prevenir infarto e melhorar a qualidade de vida. A abordagem depende do tipo de angina (estável vs. instável) e da gravidade da doença coronariana.
Tratamento de emergência (angina instável)
A angina instável é uma emergência médica. O tratamento imediato inclui:
- AAS (aspirina) mastigado imediatamente
- Nitroglicerina sublingual
- Heparina (anticoagulante)
- Cateterismo cardíaco de urgência para avaliar necessidade de angioplastia ou cirurgia
Medicamentos para angina estável
- Antiplaquetários: AAS (aspirina) em dose baixa diariamente — reduz risco de infarto e AVC
- Estatinas: atorvastatina ou rosuvastatina — reduzem o colesterol LDL e estabilizam as placas
- Betabloqueadores: atenolol, metoprolol, bisoprolol — reduzem frequência cardíaca e demanda de oxigênio
- Nitratos: dinitrato de isossorbida, mononitrato de isossorbida — dilatam as coronárias. Nitroglicerina sublingual para alívio rápido durante crises
- Bloqueadores dos canais de cálcio: anlodipino, diltiazem — especialmente úteis na angina vasoespástica
- IECA: enalapril, ramipril — proteção cardiovascular adicional
Procedimentos de revascularização
- Angioplastia com stent: através de cateter, um balão é inflado na artéria obstruída e um stent (malha metálica) é implantado para manter o vaso aberto. Procedimento minimamente invasivo
- Cirurgia de revascularização miocárdica (ponte de safena/mamária): indicada quando há obstruções múltiplas ou no tronco da coronária esquerda. Pontes de veia safena ou artéria mamária desviam o sangue ao redor das obstruções
Mudanças no estilo de vida
- Parar de fumar (o risco de infarto cai 50% no primeiro ano)
- Dieta mediterrânea: azeite, peixes, frutas, vegetais, oleaginosas
- Exercício regular supervisionado (reabilitação cardíaca)
- Controle rigoroso de pressão, diabetes e colesterol
- Controle do peso e redução do estresse
Prevenção
Como prevenir a Angina Pectoris (CID I20)
A prevenção da angina equivale à prevenção da doença arterial coronariana, controlando os fatores de risco cardiovascular.
Medidas preventivas
- Não fumar: a cessação do tabagismo é a medida isolada mais eficaz. O risco de infarto diminui 50% já no primeiro ano
- Controlar o colesterol: manter LDL abaixo de 70 mg/dL em pacientes de alto risco. A dieta e estatinas são as principais ferramentas
- Controlar a pressão arterial: manter abaixo de 130/80 mmHg
- Controlar o diabetes: hemoglobina glicada abaixo de 7%
- Alimentação saudável: dieta mediterrânea reduz eventos cardiovasculares em 30%
- Exercício físico: 150 minutos semanais de atividade moderada reduzem o risco de doença coronariana em 30-40%
- Peso saudável: circunferência abdominal <94 cm (homens) e <80 cm (mulheres)
- Gerenciar estresse: técnicas de relaxamento e equilíbrio entre trabalho e lazer
A adoção conjunta de estilo de vida saudável pode prevenir até 80% dos eventos coronarianos, segundo a OMS.
Complicações
Complicações da Angina Pectoris (CID I20)
A angina é um sinal de alerta de que o coração está em risco. Sem tratamento adequado, pode evoluir para complicações graves.
Complicações mais graves
- Infarto agudo do miocárdio: ruptura de uma placa de aterosclerose com formação de coágulo que obstrui completamente a artéria — morte do tecido cardíaco. É a complicação mais temida
- Morte súbita cardíaca: arritmia ventricular fatal pode ser a primeira manifestação em pacientes com doença coronariana grave
- Insuficiência cardíaca: episódios repetidos de isquemia ou um infarto extenso podem enfraquecer permanentemente o músculo cardíaco
- Arritmias: fibrilação atrial, taquicardia ventricular — a isquemia desestabiliza a atividade elétrica do coração
Complicações da angina instável
- Progressão para infarto: 10-15% dos pacientes com angina instável evoluem para infarto nas primeiras semanas se não tratados adequadamente
- Choque cardiogênico: falência aguda da bomba cardíaca com queda grave da pressão arterial
Impacto na qualidade de vida
- Limitação funcional: medo de crises limita atividades diárias, trabalho e exercícios
- Ansiedade e depressão: comuns em pacientes com angina crônica
- Disfunção sexual: medo de esforço e efeitos colaterais de medicamentos
- Redução da capacidade de trabalho: necessidade de evitar esforços intensos
Consulte Sempre um Médico
As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Perguntas Frequentes sobre I20
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