CID F17 - Tabagismo (Dependência de Nicotina) | Sintomas, Causas e Tratamento | MediLife
F17

Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo

Informações sobre Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo (CID-10: F17). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.

Sobre F17 - Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo

O que são Transtornos Mentais e Comportamentais Devidos ao Uso de Tabaco (CID F17)?

Os transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de tabaco, classificados como CID F17, referem-se à dependência de nicotina e suas manifestações clínicas. O tabagismo é reconhecido pela OMS como uma doença crônica pertencente ao grupo dos transtornos mentais e comportamentais, causada pela dependência da nicotina presente nos produtos de tabaco.

O Brasil é referência mundial no combate ao tabagismo. A prevalência de fumantes caiu de 34,8% em 1989 para 12,8% em 2019 (PNS/IBGE), mas ainda são cerca de 20 milhões de fumantes no país. O tabagismo é a principal causa evitável de morte no mundo, responsável por mais de 8 milhões de óbitos anuais globalmente e cerca de 160 mil mortes/ano no Brasil.

Subtipos do CID F17

  • F17.0 — Intoxicação aguda por tabaco: rara, pode ocorrer em crianças que ingerem tabaco acidentalmente
  • F17.1 — Uso nocivo de tabaco: consumo que causa dano à saúde sem dependência estabelecida
  • F17.2 — Síndrome de dependência de tabaco: o tipo mais diagnosticado, com compulsão pelo uso
  • F17.3 — Síndrome de abstinência de tabaco: sintomas ao parar de fumar

A dependência de nicotina

A nicotina é uma das substâncias mais viciantes conhecidas. Ao ser inalada na fumaça do cigarro, ela atinge o cérebro em apenas 10 segundos, ativando o sistema de recompensa e liberando dopamina. Essa velocidade de ação é o que torna o cigarro tão aditivo. A dependência tem três componentes:

  • Dependência física: o corpo adapta-se à nicotina e apresenta sintomas de abstinência quando ela é retirada
  • Dependência psicológica: o ato de fumar fica associado a situações, emoções e hábitos do dia a dia (café, estresse, após refeições)
  • Dependência comportamental: os gestos repetitivos de pegar o cigarro, acender e tragar tornam-se automáticos

Sintomas de abstinência

Ao parar de fumar, podem surgir sintomas que duram de 2 a 4 semanas:

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Causas

Causas dos Transtornos Devidos ao Uso de Tabaco (CID F17)

A dependência do tabaco resulta da combinação de fatores farmacológicos (ação da nicotina no cérebro), psicológicos e socioambientais.

Fatores farmacológicos

  • Ação da nicotina: a nicotina liga-se a receptores colinérgicos nicotínicos no cérebro (receptores nAChR), estimulando a liberação de dopamina no núcleo accumbens — o centro de recompensa cerebral. Essa sensação de prazer e alívio é o motor da dependência
  • Velocidade de ação: a nicotina inalada atinge o cérebro em 10 segundos, muito mais rápido que por outras vias. Cada tragada funciona como uma "dose" de reforço
  • Tolerância: o cérebro aumenta o número de receptores nicotínicos em resposta à exposição crônica, exigindo mais nicotina para o mesmo efeito
  • Meia-vida curta: a nicotina é metabolizada em 2 horas, fazendo o fumante precisar de cigarros frequentes para manter os níveis cerebrais

Fatores genéticos

  • Hereditariedade: estudos com gêmeos estimam que fatores genéticos respondem por 50 a 70% do risco de se tornar dependente de nicotina
  • Variações genéticas: polimorfismos nos genes dos receptores nicotínicos (CHRNA5, CHRNA3, CHRNB4) e nas enzimas que metabolizam a nicotina (CYP2A6) influenciam a intensidade da dependência

Fatores psicológicos

  • Comorbidades psiquiátricas: pessoas com depressão, ansiedade e TDAH têm taxas significativamente maiores de tabagismo
  • Manejo do estresse: o cigarro é frequentemente usado como regulador emocional, embora o efeito seja ilusório — a nicotina alivia os sintomas de abstinência que ela mesma causa
  • Associação com atividades: fumar após refeições, com café, ao telefone, em pausas no trabalho — essas associações criam condicionamentos fortes

Fatores sociais

  • Influência de pares: especialmente na adolescência, quando a maioria dos fumantes começa
  • Exposição na infância: filhos de pais fumantes têm risco 2 a 3 vezes maior de se tornarem fumantes
  • Nível socioeconômico: a prevalência de tabagismo é maior em populações de menor renda e escolaridade
  • Marketing: apesar das restrições, a indústria do tabaco investe bilhões em estratégias de promoção, incluindo cigarros eletrônicos direcionados a jovens

Tratamentos

Tratamento dos Transtornos Devidos ao Uso de Tabaco (CID F17)

Parar de fumar é possível e o Brasil possui um dos programas de cessação do tabagismo mais eficazes do mundo, oferecido gratuitamente pelo SUS. O tratamento combina aconselhamento comportamental e medicamentos.

Abordagem comportamental (essencial)

  • Aconselhamento individual ou em grupo: oferecido nas UBS, com orientação sobre estratégias para lidar com a fissura e os gatilhos
  • Programa Nacional de Controle do Tabagismo (INCA/MS): protocolo de 4 sessões estruturadas em grupo, amplamente disponível no SUS
  • Terapia cognitivo-comportamental: identifica pensamentos e situações que levam ao consumo e desenvolve alternativas
  • Suporte por telefone: Disque Saúde 136 — orientações sobre cessação do tabagismo
  • Apoio digital: aplicativos de cessação podem complementar o tratamento

Tratamento medicamentoso (primeira linha)

Terapia de reposição de nicotina (TRN):

  • Adesivo de nicotina (21 mg, 14 mg, 7 mg) — liberação transdérmica por 24 horas, redução progressiva em 8-12 semanas
  • Goma de nicotina (2 mg, 4 mg) — uso conforme necessidade para controlar a fissura
  • Pastilha de nicotina — alternativa à goma
  • Todos disponíveis gratuitamente pelo SUS
  • A TRN aumenta a chance de sucesso em 50 a 70%

Bupropiona (Zyban/Wellbutrin):

  • Antidepressivo que reduz a fissura e os sintomas de abstinência
  • Dose: 150 mg/dia por 3 dias, depois 150 mg duas vezes ao dia por 7-12 semanas
  • Iniciar 1-2 semanas antes da data de parada
  • Disponível pelo SUS

Vareniclina (Champix):

  • Agonista parcial do receptor nicotínico — o medicamento mais eficaz para cessação do tabagismo
  • Reduz o prazer de fumar e alivia a abstinência
  • Aumenta a chance de sucesso em até 3 vezes comparado ao placebo
  • Tratamento de 12 semanas, podendo estender para 24 semanas

Taxas de sucesso

  • Sem ajuda: apenas 3-5% conseguem parar
  • Com aconselhamento: 10-15%
  • Com medicamento: 20-30%
  • Com aconselhamento + medicamento: 25-40%

A maioria dos ex-fumantes bem-sucedidos fez 3 a 5 tentativas antes de parar definitivamente. Cada tentativa é um aprendizado, não um fracasso.

Prevenção

Como prevenir Transtornos Relacionados ao Tabaco (CID F17)

A prevenção do tabagismo é uma das estratégias de saúde pública mais custo-efetivas. O Brasil é reconhecido internacionalmente pelo sucesso de suas políticas antitabagismo.

Prevenção primária (evitar o início)

  • Educação nas escolas: programas de prevenção adaptados à faixa etária, focados em habilidades de vida e pensamento crítico sobre a indústria do tabaco
  • Conversa familiar: pais e responsáveis devem abordar o tema de forma aberta e honesta, sem sermões — jovens respondem melhor a diálogos do que a proibições
  • Atenção aos cigarros eletrônicos: os dispositivos eletrônicos de fumar (vapes, pods) estão atraindo jovens e são proibidos pela ANVISA no Brasil, mas seu comércio ilegal cresce. Eles também causam dependência de nicotina
  • Ambientes livres de fumo: a Lei Federal 12.546/2011 proíbe fumar em ambientes fechados, reduzindo a exposição passiva e a normalização do ato de fumar

Prevenção secundária (parar o mais cedo possível)

  • Rastreamento: profissionais de saúde devem perguntar sobre tabagismo em todas as consultas e oferecer ajuda para parar
  • Intervenção breve: mesmo uma orientação de 3 minutos sobre cessação aumenta a taxa de parada em 30%
  • Acesso ao tratamento: procurar a UBS mais próxima para inscrição no Programa de Cessação do Tabagismo do SUS — é gratuito e eficaz

Benefícios de parar de fumar

  • 20 minutos após: pressão arterial e frequência cardíaca normalizam
  • 24 horas: o nível de monóxido de carbono no sangue normaliza
  • 2-12 semanas: a circulação melhora e a função pulmonar aumenta
  • 1 ano: o risco de doença coronariana cai pela metade
  • 5-15 anos: o risco de AVC se iguala ao de quem nunca fumou
  • 10 anos: o risco de câncer de pulmão cai pela metade

Complicações

Complicações dos Transtornos Devidos ao Uso de Tabaco (CID F17)

O tabagismo é a principal causa evitável de doenças e mortes no mundo. A fumaça do cigarro contém mais de 7.000 substâncias químicas, das quais pelo menos 70 são cancerígenas.

Câncer

  • Câncer de pulmão: o tabagismo é responsável por 85-90% dos casos. Fumantes têm risco 15 a 30 vezes maior que não fumantes
  • Outros cânceres: boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, rim, bexiga, colo do útero e leucemia mieloide aguda — todos com risco significativamente aumentado pelo tabagismo

Doenças respiratórias

  • DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica): enfisema e bronquite crônica. O tabagismo é a causa de 80-90% dos casos. Causa falta de ar progressiva e irreversível
  • Asma: piora significativa dos sintomas e crises
  • Infecções respiratórias: maior suscetibilidade a pneumonias e tuberculose

Doenças cardiovasculares

  • Infarto do miocárdio: o tabagismo duplica ou triplica o risco
  • AVC: risco 2 a 4 vezes maior em fumantes
  • Hipertensão arterial
  • Doença arterial periférica: principal causa de amputações de membros

Outras complicações

  • Disfunção erétil: o tabagismo é o principal fator de risco modificável
  • Complicações na gravidez: prematuridade, baixo peso ao nascer, descolamento prematuro de placenta, morte súbita do lactente
  • Envelhecimento precoce: rugas, manchas na pele, cabelos opacos
  • Doença periodontal: perda de dentes, gengivite, mau hálito
  • Osteoporose: redução da densidade óssea, especialmente em mulheres

O tabagismo está associado a uma redução média de 10 anos na expectativa de vida. No entanto, parar de fumar em qualquer idade traz benefícios — parar antes dos 40 anos reduz o risco de morte prematura em mais de 90%.

Consulte Sempre um Médico

As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes sobre F17

O tabagismo, classificado como CID F17, é reconhecido pela OMS como uma doença crônica causada pela dependência de nicotina. Não se trata de simples hábito ou escolha — a nicotina é uma substância altamente viciante que altera o funcionamento do cérebro. O CID F17 abrange desde o uso nocivo (F17.1) até a dependência instalada (F17.2) e a síndrome de abstinência (F17.3).
Sim, é possível parar de fumar definitivamente e milhões de pessoas conseguem. O tratamento disponível no SUS (gratuito) combina aconselhamento em grupo e medicamentos (adesivos de nicotina, bupropiona ou vareniclina) com taxas de sucesso de 25 a 40%. A maioria dos ex-fumantes precisou de 3 a 5 tentativas antes de parar de vez — cada tentativa é um passo na direção certa, não um fracasso.
Os sintomas que caracterizam a dependência incluem: fissura intensa (desejo compulsivo de fumar), necessidade de fumar cada vez mais cigarros para obter o mesmo efeito, sintomas de abstinência ao tentar parar (irritabilidade, ansiedade, insônia, dificuldade de concentração, aumento de apetite), fumar logo ao acordar (quanto mais cedo, maior a dependência) e dificuldade de ficar sem fumar em situações onde é proibido.
O caminho mais acessível é procurar a UBS (Unidade Básica de Saúde) mais próxima e solicitar inscrição no Programa de Cessação do Tabagismo do SUS, coordenado pelo INCA. O atendimento inclui consultas em grupo, acompanhamento individual e medicamentos gratuitos. Pneumologistas e psiquiatras também podem conduzir o tratamento. O importante é não tentar parar sozinho — com ajuda profissional, as chances de sucesso são muito maiores.
O CID F17 isoladamente raramente gera afastamento pelo INSS. No entanto, as complicações do tabagismo — como DPOC, câncer de pulmão, infarto e AVC — frequentemente causam incapacidade para o trabalho e podem dar direito a auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez. O afastamento será baseado no CID da complicação específica, e a dependência de tabaco pode ser mencionada como fator contribuinte.
O tratamento medicamentoso padrão dura de 8 a 12 semanas (podendo se estender para 24 semanas em alguns casos). O acompanhamento comportamental é recomendado por pelo menos 6 meses. Os sintomas de abstinência mais intensos ocorrem nas primeiras 2 a 4 semanas e diminuem progressivamente. A fissura por cigarros pode ocorrer ocasionalmente por meses, mas fica cada vez mais fraca e menos frequente com o tempo.

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