CID F19 - Uso de Múltiplas Drogas (Poliuso) | Sintomas, Causas e Tratamento | MediLife
F19

Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas

Informações sobre Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas (CID-10: F19). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.

Sobre F19 - Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas

O que são Transtornos Mentais e Comportamentais Devidos ao Uso de Múltiplas Drogas (CID F19)?

Os transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas e outras substâncias psicoativas, classificados como CID F19, referem-se a condições clínicas onde a pessoa faz uso problemático de duas ou mais substâncias psicoativas simultaneamente (poliuso), sem que uma droga específica predomine. É também utilizado quando não é possível identificar com precisão quais substâncias estão sendo utilizadas.

No Brasil, o uso de múltiplas drogas é uma realidade frequente. Dados do III Levantamento Nacional sobre Uso de Drogas pela População Brasileira (FIOCRUZ) indicam que o padrão de poliuso é mais a regra do que a exceção — a maioria das pessoas que usam drogas ilícitas também consome álcool e tabaco. Segundo o DATASUS, as internações por transtornos relacionados a drogas representam uma parcela significativa das admissões psiquiátricas no SUS.

Subtipos do CID F19

  • F19.0 — Intoxicação aguda por múltiplas drogas
  • F19.1 — Uso nocivo de múltiplas drogas: padrão de consumo que causa dano à saúde
  • F19.2 — Síndrome de dependência de múltiplas drogas: dependência estabelecida de duas ou mais substâncias
  • F19.3 — Síndrome de abstinência: sintomas ao interromper o uso
  • F19.4 — Síndrome de abstinência com delirium
  • F19.5 — Transtorno psicótico

Padrões comuns de poliuso no Brasil

  • Álcool + tabaco: a combinação mais frequente mundialmente
  • Álcool + cocaína/crack: combinação de alto risco, associada à formação de cocaetileno (substância cardiotóxica)
  • Maconha + álcool: padrão frequente entre jovens
  • Crack + tabaco + álcool: padrão comum em populações em situação de vulnerabilidade
  • Benzodiazepínicos + álcool: combinação extremamente perigosa com risco de depressão respiratória

Sinais de alerta

  • Uso de mais de uma substância no mesmo dia ou na mesma semana
  • Substituição de uma droga por outra quando a preferida não está disponível
  • Deterioração progressiva da saúde, aparência e higiene pessoal
  • Isolamento social e afastamento de atividades anteriormente prazerosas
  • Oscilações extremas de humor e comportamento
  • Problemas financeiros, legais ou familiares recorrentes

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Causas

Causas dos Transtornos Devidos ao Uso de Múltiplas Drogas (CID F19)

O uso de múltiplas substâncias psicoativas resulta de uma interação complexa entre fatores neurobiológicos, psicológicos e socioambientais. O modelo biopsicossocial é o mais aceito para explicar a dependência de drogas.

Fatores neurobiológicos

  • Sistema de recompensa: diferentes drogas ativam o sistema dopaminérgico mesolímbico por vias distintas. O uso combinado pode potencializar os efeitos de prazer, aumentando o risco de dependência
  • Tolerância cruzada: a tolerância a uma substância pode levar ao uso de outra para obter o efeito desejado
  • Predisposição genética: estima-se que fatores genéticos respondam por 40 a 60% da vulnerabilidade à dependência. Genes envolvidos no metabolismo de drogas e na função dopaminérgica são os mais estudados
  • Neuroadaptação: o uso crônico altera a estrutura e o funcionamento cerebral, comprometendo áreas de tomada de decisão, controle de impulsos e avaliação de riscos

Fatores psicológicos

  • Comorbidades psiquiátricas: depressão, transtornos de ansiedade, TDAH, transtorno de personalidade borderline e transtorno de estresse pós-traumático estão frequentemente associados ao poliuso de substâncias
  • Automedicação: uso de substâncias para lidar com sintomas psiquiátricos — por exemplo, álcool para ansiedade, estimulantes para depressão, benzodiazepínicos para insônia
  • Traumas e adversidades na infância: abuso físico, sexual, emocional e negligência são fatores de risco consistentes para dependência

Fatores sociais

  • Vulnerabilidade social: pobreza, desemprego, baixa escolaridade, falta de moradia e exclusão social
  • Ambiente de uso: convivência com outros usuários, disponibilidade de múltiplas substâncias
  • Estigma: a discriminação e o preconceito contra pessoas que usam drogas dificultam a busca por tratamento e a reintegração social
  • Início precoce: quanto mais cedo o primeiro uso de qualquer substância, maior o risco de progressão para poliuso e dependência

Tratamentos

Tratamento dos Transtornos Devidos ao Uso de Múltiplas Drogas (CID F19)

O tratamento do poliuso de substâncias é mais complexo que o de dependência de uma única droga, exigindo uma abordagem integrada e multidisciplinar. O plano terapêutico deve ser individualizado, considerando quais substâncias são usadas, a gravidade da dependência de cada uma e a presença de comorbidades.

Acolhimento e avaliação

  • Avaliação completa: identificação de todas as substâncias usadas, padrão de consumo, história de tratamentos anteriores, comorbidades clínicas e psiquiátricas
  • Exames laboratoriais: hemograma, função hepática e renal, sorologias (HIV, hepatites B e C, sífilis), toxicológico de urina
  • Avaliação de risco: ideação suicida, situação de rua, violência, exploração

Desintoxicação

A desintoxicação de múltiplas substâncias requer monitoramento atento, pois diferentes drogas causam síndromes de abstinência distintas que podem se sobrepor:

  • Abstinência de álcool e benzodiazepínicos: risco de convulsões e delirium — tratada com diazepam em dose decrescente
  • Abstinência de opioides: náusea, dores, diarreia — tratada com clonidina ou metadona
  • Abstinência de estimulantes (cocaína/crack): fadiga intensa, depressão, hipersonia — manejo sintomático

Tratamento no SUS

O SUS oferece uma rede de atenção psicossocial (RAPS) completa para o cuidado:

  • CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas): principal equipamento de tratamento. Oferece atendimento diário com equipe multiprofissional (psiquiatra, psicólogo, assistente social, enfermeiro, terapeuta ocupacional)
  • CAPS AD III: funcionamento 24 horas, com leitos para acolhimento noturno
  • Consultório na Rua: equipes que vão até onde as pessoas estão, oferecendo cuidado a quem vive em situação de rua
  • Unidades de Acolhimento: moradia temporária para quem precisa de ambiente protegido
  • Comunidades Terapêuticas: opção para internação voluntária de longa permanência

Abordagens terapêuticas

  • Redução de danos: estratégia pragmática que visa minimizar os riscos do uso sem exigir abstinência imediata como condição para o cuidado
  • Terapia cognitivo-comportamental
  • Entrevista motivacional
  • Terapia familiar e de rede social
  • Grupos de mútua ajuda: Narcóticos Anônimos (NA), Alcoólicos Anônimos (AA)

Prevenção

Como prevenir Transtornos Relacionados ao Uso de Múltiplas Drogas (CID F19)

A prevenção do uso problemático de drogas é um desafio complexo que envolve ações em diversos níveis — individual, familiar, comunitário e de políticas públicas.

Prevenção primária

  • Programas escolares baseados em evidências: programas que desenvolvem habilidades socioemocionais, pensamento crítico e resistência à pressão de pares são mais eficazes do que abordagens puramente informativas ou alarmistas
  • Fortalecimento familiar: famílias com comunicação aberta, limites claros e vínculos afetivos fortes são fatores de proteção consistentes
  • Retardar o primeiro uso: quanto mais tarde o primeiro contato com qualquer substância, menor o risco de dependência futura
  • Tratamento de comorbidades: identificar e tratar precocemente transtornos mentais como depressão, ansiedade e TDAH reduz a automedicação com substâncias

Prevenção secundária (intervenção precoce)

  • Triagem em serviços de saúde: instrumentos como o ASSIST (Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test) da OMS permitem identificar uso de risco antes que a dependência se instale
  • Intervenção breve: orientações rápidas em consultas de rotina podem reduzir o consumo em até 30%
  • Rede de apoio: se perceber que alguém próximo está usando múltiplas substâncias, acolha sem julgamento e oriente sobre os serviços de ajuda disponíveis (CAPS AD, Ligue 132 — Centro de Informações sobre Saúde e Álcool)

Redução de danos

  • Para quem já usa: evitar misturar substâncias (especialmente álcool com outras drogas), nunca usar sozinho, informar-se sobre os riscos específicos de cada combinação
  • Prevenção de overdose: kits de naloxona (para overdose de opioides) e orientações sobre sinais de alerta

Complicações

Complicações dos Transtornos Devidos ao Uso de Múltiplas Drogas (CID F19)

O uso simultâneo de múltiplas substâncias é significativamente mais perigoso do que o uso de uma droga isolada, pois as interações entre substâncias podem potencializar efeitos tóxicos de forma imprevisível.

Complicações agudas (risco de morte)

  • Overdose: o risco de overdose é muito maior com poliuso. A combinação de depressores do sistema nervoso central (álcool + benzodiazepínicos + opioides) pode causar parada respiratória e morte
  • Cocaetileno: a mistura de álcool com cocaína produz no fígado uma substância chamada cocaetileno, altamente cardiotóxica, que aumenta enormemente o risco de morte súbita cardíaca
  • Convulsões: podem ocorrer por intoxicação ou abstinência de várias substâncias
  • Psicose aguda: alucinações, paranoia e agitação intensa

Complicações clínicas crônicas

  • Dano hepático: o fígado é sobrecarregado pela metabolização simultânea de múltiplas substâncias
  • Doenças infecciosas: HIV, hepatites B e C (pelo compartilhamento de seringas e comportamento de risco), tuberculose
  • Desnutrição: o uso crônico de drogas frequentemente substitui a alimentação adequada
  • Dano cerebral: déficits cognitivos cumulativos — memória, atenção, raciocínio e controle de impulsos
  • Complicações cardiovasculares: arritmias, cardiomiopatia, endocardite infecciosa

Complicações psiquiátricas

  • Transtornos psicóticos persistentes: o uso de múltiplas substâncias aumenta significativamente o risco de psicose
  • Depressão severa e risco de suicídio: significativamente elevado no poliuso
  • Transtorno de personalidade antissocial: frequentemente coexiste com poliuso

Complicações sociais

  • Situação de rua: o uso crônico de múltiplas substâncias é uma das principais causas de perda de moradia
  • Envolvimento com criminalidade
  • Rompimento de vínculos familiares e sociais
  • Perda de emprego e capacidade produtiva

Consulte Sempre um Médico

As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes sobre F19

O CID F19 classifica transtornos mentais e comportamentais causados pelo uso simultâneo de duas ou mais substâncias psicoativas (poliuso). É utilizado quando não há uma droga única predominante ou quando não é possível identificar todas as substâncias consumidas. Inclui desde o uso nocivo até a dependência severa de múltiplas drogas. É uma condição de saúde reconhecida pela OMS, não uma escolha moral.
A dependência de substâncias é considerada uma doença crônica, semelhante ao diabetes ou hipertensão — pode ser controlada e a pessoa pode ter uma vida plena em recuperação, mas requer acompanhamento contínuo. Muitas pessoas conseguem manter a abstinência por anos ou pela vida toda com o tratamento adequado. A recaída não significa fracasso, mas a necessidade de ajustar o plano terapêutico. O SUS oferece tratamento gratuito e integral nos CAPS AD.
Os sintomas incluem: uso compulsivo de duas ou mais substâncias, incapacidade de controlar o consumo, tolerância (precisar de doses maiores), sintomas de abstinência ao parar, abandono de atividades e responsabilidades, deterioração da saúde física e mental, isolamento social, mudanças bruscas de humor e comportamento, problemas financeiros e legais recorrentes, e continuar usando apesar das consequências negativas.
O ponto de acesso mais indicado é o CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas), presente na maioria dos municípios brasileiros, com atendimento gratuito pelo SUS. A equipe inclui psiquiatra, psicólogo, assistente social, enfermeiro e terapeuta ocupacional. A UBS também pode fazer o acolhimento inicial e encaminhar. Em emergências (overdose, agitação, psicose), procure o SAMU (192) ou pronto-socorro.
Sim, o CID F19 pode dar direito a benefícios do INSS quando a dependência de múltiplas drogas causa incapacidade para o trabalho. O auxílio-doença pode ser concedido durante o tratamento intensivo. A aposentadoria por invalidez pode ser concedida quando há danos irreversíveis (dano cerebral, cirrose, HIV avançado). É necessário laudo médico detalhado e aprovação na perícia do INSS.
O tratamento é de longa duração e varia conforme a gravidade. A desintoxicação dura de 1 a 4 semanas. O tratamento intensivo inicial (no CAPS AD ou comunidade terapêutica) dura de 3 a 9 meses. O acompanhamento ambulatorial é recomendado por pelo menos 2 anos. A participação em grupos de apoio (NA, AA) é recomendada indefinidamente. A recuperação é um processo contínuo, e o suporte a longo prazo é essencial para prevenir recaídas.

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