CID J45 - Asma | Sintomas, Causas e Tratamento | MediLife
J45

Asma

Informações sobre Asma (CID-10: J45). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.

Sobre J45 - Asma

O que é Asma (CID J45)?

A asma, classificada como CID J45, é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas (brônquios) que causa episódios recorrentes de falta de ar, chiado no peito, tosse e aperto torácico. Durante uma crise, os brônquios se estreitam (broncoconstrição), suas paredes incham (edema) e produzem muco em excesso, dificultando a passagem do ar.

A asma afeta cerca de 339 milhões de pessoas no mundo, segundo a Global Initiative for Asthma (GINA). No Brasil, estima-se que 20 milhões de pessoas tenham asma, sendo o país com uma das maiores prevalências da doença na América Latina. A asma é responsável por cerca de 350 mil internações por ano no SUS e aproximadamente 2.500 óbitos anuais — a maioria evitáveis com tratamento adequado.

Subtipos da asma (CID J45)

  • J45.0 — Asma predominantemente alérgica: a forma mais comum, desencadeada por alérgenos como ácaros, pólen, mofo e pelos de animais
  • J45.1 — Asma não alérgica: desencadeada por infecções respiratórias, exercício, ar frio ou estresse emocional
  • J45.8 — Asma mista: combinação de componentes alérgicos e não alérgicos
  • J45.9 — Asma não especificada: quando o subtipo não é determinado

Sintomas da asma

Os sintomas da asma são variáveis e intermitentes, podendo ser leves ou graves:

  • Falta de ar (dispneia), especialmente à noite e nas primeiras horas da manhã
  • Chiado no peito (sibilância) — som agudo produzido pela passagem do ar pelos brônquios estreitados
  • Tosse seca ou com pouca secreção, que piora à noite, ao rir, ao se exercitar ou ao contato com ar frio
  • Aperto no peito — sensação de pressão ou peso
  • Dificuldade para realizar atividades físicas
  • Cansaço e fadiga durante as crises

Classificação da gravidade

A asma é classificada de acordo com o nível de controle dos sintomas:

  • Asma controlada: sintomas diurnos até 2 vezes por semana, sem limitação de atividades, sem sintomas noturnos
  • Asma parcialmente controlada: sintomas diurnos mais de 2 vezes por semana ou alguma limitação
  • Asma não controlada: sintomas frequentes, limitação de atividades, despertares noturnos e uso frequente de broncodilatador de resgate

Fatores desencadeantes (gatilhos)

Diversos fatores podem desencadear ou piorar os sintomas da asma:

  • Alérgenos: ácaros da poeira, mofo, pelos de animais, pólen, baratas
  • Irritantes respiratórios: fumaça de cigarro, poluição do ar, produtos de limpeza, perfumes fortes, tintas
  • Infecções respiratórias: gripes e resfriados são os desencadeantes mais comuns de crises
  • Exercício físico: especialmente em ar frio e seco (asma induzida por exercício)
  • Mudanças de temperatura: ar frio e seco, mudanças bruscas de clima
  • Estresse emocional: ansiedade, riso ou choro intensos
  • Medicamentos: aspirina e anti-inflamatórios (em alguns pacientes), betabloqueadores
  • Refluxo gastroesofágico: o ácido que sobe do estômago pode irritar as vias aéreas

Diagnóstico

O diagnóstico é feito com base nos sintomas clínicos e confirmado pela espirometria (teste de função pulmonar), que mede a quantidade e a velocidade do ar que o paciente consegue expirar. A presença de obstrução brônquica reversível (melhora após uso de broncodilatador) é o achado característico. Outros exames podem incluir pico de fluxo expiratório (peak flow), teste de broncoprovocação e testes alérgicos (prick test ou IgE específica).

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Causas

Causas da Asma (CID J45)

A asma é uma doença de origem multifatorial, resultante da interação entre predisposição genética e fatores ambientais. A inflamação crônica dos brônquios é o mecanismo central da doença.

Fatores genéticos

A hereditariedade desempenha papel importante na asma. O risco de uma criança desenvolver asma é de:

  • 25% se um dos pais tem asma
  • 50% se ambos os pais têm asma
  • 6-8% se nenhum dos pais tem a doença

Genes relacionados à produção de IgE (anticorpo envolvido nas reações alérgicas), à resposta inflamatória das vias aéreas e à hiperreatividade brônquica estão entre os mais estudados. A atopia — tendência genética a desenvolver reações alérgicas — é o fator de risco genético mais forte para asma.

Fatores ambientais na infância

  • Exposição a alérgenos: contato precoce e intenso com ácaros, mofo e baratas está associado ao desenvolvimento de sensibilização e asma
  • Infecções respiratórias virais: bronquiolite por vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus na primeira infância aumentam o risco de asma
  • Tabagismo materno: fumar durante a gestação reduz o crescimento pulmonar do feto e aumenta significativamente o risco de asma na criança
  • Poluição do ar: crianças que vivem próximas a vias de tráfego intenso têm maior risco
  • Nascimento por cesariana: pode alterar a colonização bacteriana do bebê, influenciando o desenvolvimento do sistema imunológico

A hipótese da higiene

A "hipótese da higiene" sugere que a exposição reduzida a infecções e microrganismos na infância (em ambientes muito limpos) pode predispor o sistema imunológico a reagir exageradamente a substâncias inofensivas (alérgenos). Isso ajuda a explicar por que a asma é mais prevalente em países desenvolvidos e em áreas urbanas.

Fatores que perpetuam a inflamação

  • Exposição contínua a alérgenos: ácaros na roupa de cama, mofo em ambientes úmidos, pelos de animais
  • Tabagismo ativo ou passivo: a fumaça de cigarro é o irritante mais prejudicial para as vias aéreas
  • Poluição ambiental: material particulado, ozônio e dióxido de nitrogênio agravam a inflamação
  • Exposição ocupacional: poeiras, produtos químicos, isocianatos (pinturas) e farinha podem causar asma ocupacional
  • Obesidade: a inflamação sistêmica da obesidade e a compressão mecânica dos pulmões pioram a asma

Mecanismo fisiopatológico

Na asma, ocorre uma cascata inflamatória nas vias aéreas envolvendo células como eosinófilos, mastócitos, linfócitos T e neutrófilos. Essa inflamação crônica leva a:

  • Hiperreatividade brônquica: os brônquios se contraem exageradamente em resposta a estímulos que não causariam reação em pessoas normais
  • Remodelamento das vias aéreas: com o tempo, a inflamação crônica causa espessamento permanente das paredes brônquicas, reduzindo o calibre das vias aéreas

Tratamentos

Tratamento da Asma (CID J45)

O objetivo do tratamento da asma é alcançar e manter o controle da doença, permitindo que o paciente tenha vida normal, sem limitações nas atividades diárias e com função pulmonar preservada. O tratamento é escalonado — começa com a menor dose eficaz e é ajustado conforme o controle dos sintomas.

Medicamentos de controle (uso contínuo)

São os medicamentos usados diariamente para prevenir crises e controlar a inflamação:

  • Corticoides inalatórios (CI): budesonida, beclometasona, fluticasona — são a base do tratamento da asma persistente. Reduzem a inflamação dos brônquios e previnem crises. Por serem inalados, a dose chega diretamente aos pulmões com mínimos efeitos colaterais sistêmicos
  • Broncodilatadores de longa ação (LABA): formoterol, salmeterol — associados aos corticoides inalatórios quando estes sozinhos não controlam os sintomas
  • Antileucotrienos: montelucaste — opção adicional, especialmente útil em asma alérgica e asma por exercício
  • Tiotrópio: anticolinérgico de longa ação, adicionado em asma moderada a grave não controlada

Medicamentos de resgate (crises)

  • Broncodilatadores de curta ação (SABA): salbutamol (Aerolin), fenoterol (Berotec) — inalatórios que aliviam rapidamente o broncoespasmo. Devem ser usados apenas quando necessário (resgate). O uso frequente (mais de 2 vezes por semana) indica que a asma está mal controlada
  • Corticoides orais: prednisona, prednisolona — usados por curtos períodos (5-7 dias) em crises moderadas a graves

Tratamento por degraus (GINA 2024)

  • Degrau 1 (intermitente): CI + formoterol em dose baixa, conforme necessário
  • Degrau 2 (leve persistente): CI em dose baixa diário (ex: budesonida 200-400 mcg/dia)
  • Degrau 3 (moderada): CI em dose baixa + LABA diário (ex: budesonida/formoterol)
  • Degrau 4 (moderada-grave): CI em dose média-alta + LABA
  • Degrau 5 (grave): dose alta de CI + LABA + tiotrópio e/ou imunobiológicos

Imunobiológicos (asma grave)

Para asma grave não controlada com tratamento convencional:

  • Omalizumabe: anti-IgE, para asma alérgica grave
  • Mepolizumabe, benralizumabe: anti-IL-5, para asma eosinofílica grave
  • Dupilumabe: anti-IL-4/IL-13, para asma eosinofílica e/ou com dermatite atópica

Técnica inalatória

A técnica correta de uso da bombinha é fundamental e frequentemente negligenciada. Estudos mostram que até 70% dos pacientes usam o inalador de forma incorreta, comprometendo a eficácia do tratamento. Espaçadores (câmaras de expansão) são recomendados para melhorar a deposição do medicamento nos pulmões, especialmente em crianças e idosos.

Controle ambiental

  • Encapar colchões e travesseiros com capas antiácaros
  • Lavar roupa de cama semanalmente em água quente
  • Evitar carpetes, cortinas pesadas e bichos de pelúcia
  • Manter ambientes ventilados e sem mofo
  • Evitar contato com tabagismo (ativo e passivo)

Prevenção

Como prevenir crises de Asma (CID J45)

Embora não seja possível prevenir o desenvolvimento da asma em si, é perfeitamente possível prevenir crises e manter a doença controlada. O controle adequado permite que asmáticos tenham vida completamente normal.

Medidas preventivas

  • Uso correto da medicação de controle: a principal causa de crises é a interrupção do corticoide inalatório. Mesmo sem sintomas, o medicamento de controle deve ser mantido conforme prescrição médica
  • Controle ambiental rigoroso: manter a casa livre de ácaros (usar capas em colchão e travesseiro, lavar roupas de cama semanalmente), evitar mofo (manter ambientes ventilados) e reduzir exposição a pelos de animais quando houver sensibilização
  • Evitar tabagismo: não fumar e evitar ambientes com fumaça de cigarro. O tabagismo piora a inflamação e reduz a eficácia dos corticoides inalatórios
  • Vacinação: manter as vacinas contra gripe (anual) e pneumococo em dia — infecções respiratórias são os principais desencadeantes de crises graves
  • Plano de ação escrito: ter um plano personalizado fornecido pelo médico que ensine a reconhecer sinais de piora e quais medicamentos usar em cada situação
  • Atividade física regular: o exercício melhora a capacidade pulmonar e o condicionamento. Aquecer antes da atividade e usar broncodilatador preventivo se indicado pelo médico
  • Manutenção do peso saudável: a obesidade piora o controle da asma
  • Tratar rinite alérgica: 80% dos asmáticos têm rinite alérgica associada. O tratamento da rinite melhora o controle da asma
  • Tratar refluxo gastroesofágico: o refluxo ácido pode desencadear crises — tratar com omeprazol ou medidas posturais quando presente
  • Monitoramento com peak flow: medir o pico de fluxo expiratório regularmente ajuda a detectar piora antes que os sintomas apareçam

Com tratamento adequado e medidas preventivas, mais de 95% dos asmáticos podem alcançar o controle completo da doença e levar uma vida sem limitações.

Complicações

Complicações da Asma (CID J45)

A asma bem controlada raramente causa complicações graves. No entanto, quando mal tratada ou não diagnosticada, pode levar a consequências sérias e potencialmente fatais.

Crise asmática grave (status asmaticus)

  • É a complicação mais temida da asma. Trata-se de uma crise grave e prolongada que não responde ao tratamento habitual com broncodilatadores. Os brônquios se fecham intensamente, causando falta de ar severa, queda da oxigenação e, se não tratada rapidamente, pode levar à insuficiência respiratória e parada cardiorrespiratória. Requer atendimento de emergência imediato

Remodelamento brônquico

  • A inflamação crônica não controlada causa alterações estruturais permanentes nos brônquios: espessamento das paredes, aumento das glândulas mucosas e fibrose. Isso leva à perda progressiva e irreversível da função pulmonar, com obstrução fixa ao fluxo aéreo — semelhante ao que ocorre na DPOC

Complicações respiratórias

  • Pneumotórax: em raros casos, o aprisionamento de ar nos pulmões durante crises graves pode causar ruptura de alvéolos e escape de ar para a cavidade pleural
  • Atelectasia: colapso de segmentos pulmonares por rolhas de muco que obstruem brônquios menores
  • Pneumonia: o muco retido nos brônquios pode servir de meio para infecções bacterianas
  • Insuficiência respiratória: em crises muito graves, a troca gasosa é comprometida, com queda do oxigênio e acúmulo de gás carbônico

Efeitos colaterais do tratamento

  • Corticoides orais frequentes: quando a asma exige cursos repetidos de prednisona, os efeitos colaterais incluem osteoporose, diabetes, catarata, ganho de peso, hipertensão e imunossupressão
  • Corticoides inalatórios em doses altas: candidíase oral (sapinho), rouquidão — prevenidos enxaguando a boca após cada uso
  • Uso excessivo de broncodilatadores: palpitações, tremores e, paradoxalmente, piora do controle da asma a longo prazo

Impacto na qualidade de vida

  • Limitação de atividades: pacientes com asma mal controlada evitam exercícios, viagens e atividades ao ar livre
  • Distúrbios do sono: sintomas noturnos frequentes causam insônia e cansaço diurno
  • Absenteísmo: crianças perdem dias de escola e adultos perdem dias de trabalho
  • Ansiedade e depressão: o medo de crises e as limitações impostas pela doença afetam a saúde mental

A boa notícia é que a grande maioria dessas complicações é evitável com o uso regular da medicação de controle, acompanhamento médico adequado e medidas de controle ambiental.

Consulte Sempre um Médico

As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes sobre J45

A asma, classificada como CID J45, é uma doença inflamatória crônica dos pulmões que causa episódios de falta de ar, chiado no peito, tosse e aperto torácico. Os brônquios (tubos que levam o ar aos pulmões) ficam inflamados e se estreitam, dificultando a respiração. Afeta cerca de 20 milhões de brasileiros e é a doença crônica mais comum na infância.
A asma não tem cura no sentido de desaparecer completamente, mas pode ser eficazmente controlada. Com o tratamento adequado, a maioria dos pacientes consegue viver sem sintomas e sem limitações. Em muitas crianças, os sintomas diminuem significativamente ou desaparecem na adolescência, embora a predisposição permaneça. O controle da asma permite uma vida completamente normal.
Os sintomas mais característicos da asma são chiado no peito (sibilância), falta de ar, tosse seca (que piora à noite e com exercícios) e sensação de aperto torácico. Os sintomas são variáveis — podem piorar em contato com poeira, frio, exercício, fumaça ou durante infecções respiratórias, e melhorar espontaneamente ou com o uso de broncodilatador (bombinha).
O pneumologista é o especialista principal para asma em adultos, e o pneumologista pediátrico ou alergista para crianças. O clínico geral e o pediatra podem diagnosticar e tratar casos leves a moderados. Para asma grave, o acompanhamento com pneumologista é fundamental. O alergista é importante quando há componente alérgico significativo, podendo indicar imunoterapia (vacina para alergia).
Sim, o CID J45 pode dar direito a benefícios do INSS em casos de asma grave com crises frequentes que impeçam o trabalho. Para auxílio-doença, é necessário atestado médico com mais de 15 dias e comprovação de incapacidade na perícia. Casos de asma ocupacional (desencadeada pelo ambiente de trabalho) podem configurar doença ocupacional, com direitos específicos como estabilidade no emprego.
O tratamento da asma é de longo prazo, geralmente contínuo. O corticoide inalatório (medicação de controle) deve ser usado diariamente enquanto prescrito pelo médico, mesmo sem sintomas. Após períodos prolongados de controle (3-6 meses sem crises), o médico pode tentar reduzir a dose gradualmente. A interrupção abrupta do tratamento é a principal causa de crises. Muitos pacientes precisam de tratamento por anos ou toda a vida.

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