Genéricos vs Referência: Diferença Real e Mitos | MediLife
Genéricos e Referência

Medicamentos Genéricos vs Referência: Qual a Diferença Real?

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Entenda a diferença real entre medicamento genérico, de referência e similar. Saiba o que é bioequivalência, como a ANVISA aprova genéricos e quando é seguro fazer a troca.

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Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação médica ou farmacêutica. Em caso de dúvida sobre substituição de medicamentos, consulte o farmacêutico ou médico responsável.

Genérico, referência e similar: o que muda?

No Brasil, a ANVISA classifica os medicamentos em três categorias principais, e entender essa classificação é fundamental para fazer escolhas conscientes na farmácia:

TipoIdentificação na EmbalagemCaracterísticasPreço Médio
ReferênciaNome de marca (ex.: Tylenol, Glifage)Primeiro a ser registrado, com pesquisa clínica completaMais caro
GenéricoPrincípio ativo + "Medicamento Genérico" + tarja amarelaBioequivalente ao referência, sem nome de marcaNo mínimo 35% mais barato
SimilarNome de marca diferente do referênciaMesmo princípio ativo; intercambialidade precisa ser verificadaVariável

O medicamento de referência é aquele que foi desenvolvido e patenteado pelo laboratório que investiu na pesquisa original. Ele passou por anos de testes clínicos, desde ensaios em laboratório até estudos em humanos, para comprovar segurança e eficácia. Por isso, costuma ser o mais caro: o preço embute os custos bilionários de pesquisa e desenvolvimento.

Já o medicamento genérico é produzido após a expiração da patente do referência. Ele contém o mesmo princípio ativo, na mesma concentração e forma farmacêutica, e é obrigatoriamente submetido a testes de bioequivalência pela ANVISA. Não carrega nome de marca — é identificado pelo princípio ativo (ex.: "Paracetamol 500 mg — Medicamento Genérico").

O medicamento similar tem o mesmo princípio ativo do referência, mas pode ter marca comercial própria. Até pouco tempo, similares não eram obrigados a comprovar bioequivalência, mas a ANVISA alterou essa regra: hoje, similares que desejam ser intercambiáveis precisam apresentar os mesmos testes que os genéricos.

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O que é bioequivalência e por que ela é importante?

Bioequivalência é a comprovação científica de que dois medicamentos (o genérico e o referência) possuem a mesma biodisponibilidade — ou seja, liberam a mesma quantidade de princípio ativo na corrente sanguínea, na mesma velocidade. Os testes são rigorosos:

  1. Seleção de voluntários — indivíduos saudáveis, geralmente entre 18 e 50 anos, são selecionados.
  2. Estudo cruzado — cada voluntário toma o medicamento de referência em uma fase e o genérico em outra (com período de "lavagem" entre eles).
  3. Coleta de sangue — amostras são coletadas em vários intervalos de tempo para medir a concentração do fármaco no sangue.
  4. Análise estatística — os parâmetros farmacocinéticos (Cmax, Tmax, AUC) devem estar dentro de uma faixa de 80% a 125% em relação ao referência, com intervalo de confiança de 90%.

Se os resultados ficam dentro dessa faixa, o genérico é considerado bioequivalente e pode ser registrado. Esse processo é supervisionado pela ANVISA e segue padrões internacionais adotados pelo FDA (EUA), EMA (Europa) e OMS.

Mitos e verdades sobre medicamentos genéricos

Mito: "Genérico é mais fraco que o de marca"

Verdade: Se aprovado pela ANVISA como bioequivalente, o genérico tem a mesma eficácia clínica que o referência. A molécula é a mesma, na mesma concentração, com absorção equivalente comprovada por testes.

Mito: "Genérico tem mais efeitos colaterais"

Verdade: Os efeitos colaterais são determinados pelo princípio ativo, não pela marca. Como o princípio ativo é o mesmo, os efeitos colaterais também são os mesmos. Diferenças nos excipientes podem causar reações alérgicas específicas (ex.: lactose, corantes), mas isso é raro e não está relacionado à eficácia do fármaco.

Mito: "Posso trocar qualquer remédio por genérico"

Verdade parcial: Nem todos os medicamentos têm genérico disponível. Além disso, para medicamentos de janela terapêutica estreita (como levotiroxina, lítio e antiepilépticos), a troca deve ser feita com acompanhamento médico, pois pequenas variações na biodisponibilidade podem impactar o tratamento.

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Mito: "Similar é a mesma coisa que genérico"

Verdade: Não necessariamente. O similar tem marca própria e, até recentemente, não precisava comprovar bioequivalência. Hoje, a ANVISA exige testes para intercambialidade, mas verifique sempre com o farmacêutico se o similar específico é intercambiável.

Quanto se economiza com genéricos?

A legislação brasileira determina que o genérico custe, no mínimo, 35% menos que o medicamento de referência. Na prática, a economia pode ser ainda maior — chegando a 70% ou mais em alguns casos. Para tratamentos contínuos (hipertensão, diabetes, colesterol alto), a diferença acumulada ao longo de meses e anos é substancial.

Exemplo prático:

MedicamentoReferência (preço aproximado)Genérico (preço aproximado)Economia mensal
Atorvastatina 20 mg (30 cp)R$ 120,00R$ 35,00R$ 85,00
Losartana 50 mg (30 cp)R$ 60,00R$ 15,00R$ 45,00
Metformina 850 mg (30 cp)R$ 45,00R$ 12,00R$ 33,00

Valores ilustrativos. Consulte preços atualizados em sua região.

Como identificar um genérico legítimo

  • Tarja amarela na embalagem com a letra "G" e a frase "Medicamento Genérico".
  • Princípio ativo em destaque — sem nome de marca.
  • Registro na ANVISA — todo medicamento deve ter número de registro. Consulte no site da ANVISA ou no Bulário MediLife.
  • Compre em farmácias autorizadas — evite comprar medicamentos em locais não regulamentados.

A história dos genéricos no Brasil

A Lei dos Genéricos (Lei nº 9.787) foi sancionada em 1999, mas a implementação efetiva levou anos. Antes dela, o mercado brasileiro era dominado por medicamentos de referência e similares, e a população tinha pouco acesso a alternativas mais baratas com garantia de qualidade. Com a obrigatoriedade dos testes de bioequivalência, os genéricos ganharam credibilidade e, em pouco mais de duas décadas, passaram a representar mais de 35% das vendas de medicamentos no país.

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O impacto social foi significativo: milhões de brasileiros que antes não conseguiam manter o tratamento contínuo por questões financeiras passaram a ter acesso a medicamentos de qualidade comprovada. Programas como o Farmácia Popular ampliaram ainda mais esse alcance, oferecendo genéricos gratuitamente ou com descontos substanciais para doenças como hipertensão, diabetes e asma.

É importante ressaltar que a ANVISA brasileira é reconhecida internacionalmente como uma das agências reguladoras mais rigorosas do mundo. A aprovação de um genérico no Brasil segue padrões que muitos países adotam como referência. Quando você compra um genérico com o selo da ANVISA, está adquirindo um produto que passou por testes rigorosos de qualidade, segurança e eficácia.

Quando NÃO trocar por genérico sem orientação

Existem situações em que a troca exige cuidado redobrado:

  • Medicamentos de janela terapêutica estreita: levotiroxina, warfarina, fenitoína, lítio, carbamazepina, ciclosporina. Pequenas variações na biodisponibilidade podem impactar significativamente o controle da doença.
  • Formulações de liberação modificada: comprimidos de liberação lenta ou prolongada podem ter perfis de absorção diferentes entre marcas.
  • Tratamentos oncológicos: a troca deve sempre ser discutida com o oncologista.
  • Medicamentos biológicos: os "biossimilares" seguem regras diferentes dos genéricos de síntese química.

No Bulário MediLife você pode verificar se há genérico disponível para o seu medicamento e no Scanner de Medicamentos conferir rapidamente as informações da embalagem.

Perguntas frequentes (FAQ)

O farmacêutico pode fazer a troca por genérico na farmácia?

Sim. No Brasil, o farmacêutico pode substituir o medicamento de referência pelo genérico correspondente, desde que o prescritor não tenha restringido a troca na receita. Se o médico escrever "não substituir", a troca não é permitida.

Genéricos passam por controle de qualidade?

Sim. Além dos testes de bioequivalência para registro, a ANVISA realiza inspeções periódicas nas fábricas e programas de monitoramento pós-comercialização. Genéricos são tão fiscalizados quanto referências.

Posso confiar em genéricos para uso contínuo?

Para a maioria dos medicamentos, sim. Milhões de brasileiros usam genéricos diariamente para hipertensão, diabetes, colesterol e outras condições crônicas, com a mesma eficácia e segurança do referência. Se você sentir qualquer diferença ao trocar, informe o médico para avaliação.

Como o MediLife me ajuda na escolha entre genérico e referência?

No Bulário MediLife, você pesquisa pelo princípio ativo e visualiza todas as apresentações disponíveis — referência, genérico e similares. Isso permite comparar e, junto com a orientação do farmacêutico, tomar a melhor decisão. Cadastre seus medicamentos e receba lembretes personalizados.

Fontes e referências

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