Doença cardíaca hipertensiva
Informações sobre Doença cardíaca hipertensiva (CID-10: I11). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.
Sobre I11 - Doença cardíaca hipertensiva
O que é a Doença Cardíaca Hipertensiva (CID I11)?
A doença cardíaca hipertensiva, classificada como CID I11, é o conjunto de alterações estruturais e funcionais do coração causadas pela hipertensão arterial crônica mal controlada. É a consequência cardíaca mais comum da pressão alta e uma das principais causas de insuficiência cardíaca no Brasil.
Segundo o DATASUS, as doenças hipertensivas são responsáveis por mais de 300 mil internações por ano no SUS e representam uma das principais causas de morte cardiovascular no país. A hipertensão afeta cerca de 32% dos adultos brasileiros, e estima-se que 30-40% dos hipertensos desenvolvam algum grau de comprometimento cardíaco ao longo da vida.
Subtipos do CID I11
- I11.0 — Doença cardíaca hipertensiva com insuficiência cardíaca (congestiva): o coração não consegue mais bombear sangue adequadamente
- I11.9 — Doença cardíaca hipertensiva sem insuficiência cardíaca (congestiva): há alterações estruturais (hipertrofia), mas a função de bomba está preservada
Como a hipertensão afeta o coração
Quando a pressão arterial permanece elevada por anos, o coração precisa fazer força extra para bombear sangue contra a resistência aumentada dos vasos. Isso causa:
- Hipertrofia ventricular esquerda (HVE): espessamento das paredes do ventrículo esquerdo — presente em 30-40% dos hipertensos
- Disfunção diastólica: o coração enrijece e não relaxa adequadamente para se encher de sangue
- Dilatação cardíaca: em fases avançadas, o coração se dilata e perde força
- Insuficiência cardíaca: o estágio final, quando o coração não consegue atender às demandas do corpo
Sintomas
- Falta de ar aos esforços, que progride até falta de ar em repouso
- Dor no peito ou desconforto torácico
- Palpitações e sensação de coração acelerado
- Inchaço nas pernas, tornozelos e pés (edema)
- Fadiga e cansaço desproporcional aos esforços
- Falta de ar ao deitar (ortopneia) e despertar noturno por falta de ar
- Tontura e desmaios (síncope)
Diagnóstico
O diagnóstico envolve aferição da pressão arterial, eletrocardiograma (ECG), ecocardiograma (exame essencial que avalia espessura das paredes, tamanho das câmaras e função cardíaca), dosagem de BNP/NT-proBNP (marcadores de insuficiência cardíaca), radiografia de tórax e, quando indicado, ressonância magnética cardíaca.
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Causas
Causas da Doença Cardíaca Hipertensiva (CID I11)
A causa direta é a hipertensão arterial crônica não controlada ou mal controlada. Diversos fatores influenciam a velocidade e gravidade do comprometimento cardíaco.
Mecanismo de desenvolvimento
A hipertensão causa sobrecarga crônica de pressão no ventrículo esquerdo. Para compensar, o músculo cardíaco se espessa (hipertrofia). Inicialmente, essa é uma resposta adaptativa, mas com o tempo torna-se prejudicial:
- Fase compensada: hipertrofia ventricular mantém o débito cardíaco adequado, mas o coração se torna "rígido"
- Fase de transição: disfunção diastólica (dificuldade de relaxamento) causa congestão pulmonar
- Fase descompensada: dilatação ventricular com disfunção sistólica (perda de força de contração) — insuficiência cardíaca clínica
Fatores que aceleram o dano cardíaco
- Pressão arterial muito elevada ou não controlada: quanto maior a pressão e mais tempo sem controle, mais rápido o dano
- Diabetes mellitus: a combinação de hipertensão e diabetes multiplica o risco cardiovascular
- Obesidade: aumenta o volume sanguíneo e a demanda cardíaca
- Doença arterial coronariana: a isquemia coronariana associada piora a função cardíaca
- Consumo excessivo de sal: aumenta a retenção de líquidos e a sobrecarga cardíaca
- Não adesão ao tratamento: interromper ou tomar medicamentos de forma irregular é a principal causa de descompensação
- Consumo excessivo de álcool: efeito tóxico direto no músculo cardíaco (cardiomiopatia alcoólica)
- Apneia do sono: as paradas respiratórias noturnas causam picos de pressão e hipóxia que sobrecarregam o coração
Tratamentos
Tratamento da Doença Cardíaca Hipertensiva (CID I11)
O tratamento visa controlar rigorosamente a pressão arterial, reverter ou estabilizar as alterações cardíacas e prevenir a progressão para insuficiência cardíaca.
Controle da pressão arterial
O alvo pressórico deve ser inferior a 130/80 mmHg na presença de lesão cardíaca:
- Inibidores da ECA ou BRAs: enalapril, ramipril, losartana, valsartana — são a primeira escolha, pois reduzem a hipertrofia ventricular e protegem o coração
- Betabloqueadores: carvedilol, bisoprolol, metoprolol — reduzem a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio pelo coração. Essenciais na insuficiência cardíaca
- Diuréticos: hidroclorotiazida, furosemida, espironolactona — reduzem o volume sanguíneo e o edema
- Bloqueadores dos canais de cálcio: anlodipino — útil quando betabloqueadores são contraindicados
Tratamento da insuficiência cardíaca (I11.0)
Quando há insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida:
- Terapia quádrupla: IECA/BRA (ou sacubitril/valsartana), betabloqueador, antagonista mineralocorticoide (espironolactona) e inibidor de SGLT2 (dapagliflozina ou empagliflozina)
- Diuréticos de alça: furosemida para controle de congestão e edema
- Digoxina: em casos selecionados com fibrilação atrial ou sintomas refratários
- Restrição de sódio: limitar a 2-3g de sal por dia
- Restrição hídrica: em casos graves, limitar a 1-1,5 litro de líquidos por dia
Dispositivos e cirurgia
- CDI (cardiodesfibrilador implantável): para prevenção de morte súbita em pacientes com fração de ejeção muito baixa (≤35%)
- TRC (terapia de ressincronização cardíaca): marca-passo especial para coordenar a contração das câmaras cardíacas
- Transplante cardíaco: em estágio terminal refratário a todo tratamento
Reabilitação cardíaca
Programa supervisionado de exercícios físicos que melhora a capacidade funcional, qualidade de vida e reduz internações. Disponível no SUS em centros de reabilitação.
Prevenção
Como prevenir a Doença Cardíaca Hipertensiva (CID I11)
A prevenção da doença cardíaca hipertensiva passa essencialmente pelo controle adequado da hipertensão arterial.
Medidas preventivas
- Controle rigoroso da pressão arterial: manter a PA abaixo de 130/80 mmHg com medicamentos e mudanças de estilo de vida. Medir regularmente em casa (MRPA)
- Adesão ao tratamento: tomar os medicamentos corretamente, todos os dias, sem interrupção. Utilizar lembretes de medicação pode ajudar significativamente
- Dieta com restrição de sódio: limitar o consumo de sal a 5g/dia. A dieta DASH é especialmente recomendada
- Exercício físico regular: pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada. O exercício reduz a pressão e melhora diretamente a função cardíaca
- Controle do peso: manter IMC entre 18,5-24,9 kg/m². Cada 5 kg perdidos reduzem a pressão em 3-4 mmHg
- Não fumar: o tabagismo danifica os vasos e acelera a aterosclerose coronariana
- Limitar álcool: no máximo 1-2 doses por dia
- Tratar apneia do sono: o uso de CPAP melhora o controle pressórico e reduz a sobrecarga cardíaca noturna
- Acompanhamento cardiológico regular: ecocardiograma periódico para monitorar a estrutura e função cardíaca
Estudos demonstram que o controle adequado da pressão arterial reduz o risco de insuficiência cardíaca em até 50%.
Complicações
Complicações da Doença Cardíaca Hipertensiva (CID I11)
A doença cardíaca hipertensiva pode evoluir para complicações graves e potencialmente fatais.
Complicações cardíacas
- Insuficiência cardíaca: o coração não consegue bombear sangue suficiente. Causa falta de ar progressiva, edema e limitação funcional severa
- Fibrilação atrial: arritmia mais comum associada à hipertrofia ventricular, que aumenta o risco de AVC em 5 vezes
- Morte súbita cardíaca: arritmias ventriculares malignas podem ocorrer em corações com hipertrofia importante
- Angina e infarto: a hipertrofia aumenta a demanda de oxigênio do coração, enquanto a hipertensão acelera a aterosclerose coronariana
Complicações em outros órgãos
- AVC: o risco é proporcional ao grau de dano cardíaco
- Insuficiência renal crônica: a hipertensão danifica os rins simultaneamente ao coração
- Retinopatia hipertensiva: dano aos vasos da retina com comprometimento visual
Impacto na qualidade de vida
- Limitação funcional progressiva: dificuldade para realizar atividades diárias, subir escadas, caminhar
- Internações recorrentes: pacientes com insuficiência cardíaca têm alta taxa de reinternação (30% em 30 dias)
- Depressão: presente em até 40% dos pacientes com insuficiência cardíaca
- Redução da expectativa de vida: insuficiência cardíaca tem mortalidade de 50% em 5 anos se não tratada adequadamente
Consulte Sempre um Médico
As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Perguntas Frequentes sobre I11
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