CID G40 - Epilepsia | Sintomas, Causas e Tratamento | MediLife
G40

Epilepsia

Informações sobre Epilepsia (CID-10: G40). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.

Sobre G40 - Epilepsia

O que é Epilepsia (CID G40)?

A epilepsia, classificada como CID G40, é um transtorno neurológico crônico caracterizado pela predisposição a gerar crises epilépticas recorrentes. Uma crise epiléptica é uma descarga elétrica excessiva e temporária de neurônios no cérebro, que causa alterações súbitas no comportamento, movimentos, sensações ou consciência.

É importante esclarecer: ter uma crise única não é epilepsia. O diagnóstico exige pelo menos duas crises espontâneas (sem causa provocadora) ou uma crise com evidência de alto risco de recorrência.

A epilepsia afeta cerca de 50 milhões de pessoas no mundo (OMS), sendo uma das doenças neurológicas mais comuns. No Brasil, estima-se que 1 a 2% da população (2 a 4 milhões de pessoas) tenha epilepsia. Segundo o DATASUS, a epilepsia gera milhares de internações anuais e é uma das principais causas de atendimento neurológico no SUS.

Subtipos do CID G40

  • G40.0 — Epilepsia focal idiopática com início na infância: epilepsias focais benignas da infância
  • G40.1 — Epilepsia focal sintomática com crises simples: a consciência é preservada
  • G40.2 — Epilepsia focal sintomática com crises complexas: há comprometimento da consciência
  • G40.3 — Epilepsia generalizada idiopática: inclui epilepsia de ausência, mioclônica juvenil e tônico-clônica generalizada
  • G40.4 — Outras epilepsias generalizadas
  • G40.5 — Síndromes epilépticas especiais

Tipos de crises epilépticas

Crises focais (parciais): originam-se em uma área específica do cérebro

  • Focais com consciência preservada: a pessoa fica consciente mas apresenta movimentos involuntários, formigamento, alterações visuais ou sensação de "déjà vu"
  • Focais com consciência comprometida: a pessoa fica confusa, não responde normalmente, pode fazer movimentos automáticos (mastigação, manipulação de objetos)
  • Focais com evolução para bilateral (tônico-clônica): começa focal e se espalha para todo o cérebro

Crises generalizadas: envolvem todo o cérebro desde o início

  • Tônico-clônica ("grande mal"): perda súbita de consciência, rigidez (fase tônica), seguida de convulsões rítmicas (fase clônica), mordedura de língua, perda de urina
  • Ausência ("pequeno mal"): "desligamentos" breves (5-30 segundos), comuns em crianças, com olhar fixo e pausa na atividade
  • Mioclônica: abalos musculares súbitos e breves
  • Atônica: perda súbita do tônus muscular, causando queda

Mitos sobre epilepsia

  • MITO: epilepsia é doença mental ou contagiosa → FATO: é neurológica, não é contagiosa nem mental
  • MITO: deve-se colocar algo na boca durante a crise → FATO: NUNCA coloque objetos na boca — isso pode quebrar dentes e causar lesões
  • MITO: a pessoa pode engolir a língua → FATO: é anatomicamente impossível engolir a própria língua
  • MITO: pessoas com epilepsia não podem trabalhar, estudar ou praticar esportes → FATO: com tratamento adequado, podem viver com total normalidade

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Causas

Causas da Epilepsia (CID G40)

A epilepsia pode ter diversas causas, dependendo da idade de início e do tipo de crise. Em cerca de 50% dos casos, a causa específica não é identificada (epilepsia de causa desconhecida ou genética).

Causas genéticas

  • Epilepsias genéticas: diversas síndromes epilépticas têm base genética bem definida, como a epilepsia mioclônica juvenil e a epilepsia de ausência da infância
  • Canalopatias: mutações em genes que codificam canais iônicos neuronais (sódio, potássio, cálcio) são a causa mais comum de epilepsias genéticas
  • Histórico familiar: ter parentes de primeiro grau com epilepsia aumenta o risco em 2-4 vezes

Causas estruturais

  • AVC (derrame): principal causa de epilepsia em idosos (acima de 60 anos). A cicatriz cerebral do AVC pode gerar focos epilépticos
  • Traumatismo cranioencefálico (TCE): lesões cerebrais graves por acidentes, quedas ou agressões podem causar epilepsia pós-traumática
  • Tumores cerebrais: tanto benignos quanto malignos podem causar crises epilépticas
  • Malformações cerebrais: displasias corticais, heterotopias — frequentes em epilepsia de início na infância
  • Esclerose mesial temporal: cicatriz no hipocampo, causa mais comum de epilepsia focal resistente a medicamentos em adultos

Causas infecciosas

  • Neurocisticercose: infecção causada pela larva da Taenia solium (solitária) no cérebro. É a principal causa de epilepsia adquirida em países em desenvolvimento, incluindo o Brasil
  • Meningite e encefalite: infecções cerebrais de diversas origens
  • Toxoplasmose, HIV/AIDS, tuberculose cerebral

Causas metabólicas e tóxicas

  • Hipoglicemia: queda acentuada da glicose no sangue
  • Desequilíbrio eletrolítico: sódio, cálcio ou magnésio muito baixos
  • Insuficiência renal ou hepática
  • Álcool: tanto a intoxicação quanto a abstinência alcoólica podem causar crises convulsivas
  • Drogas: cocaína, anfetaminas e outros estimulantes

Causas por idade de início

  • Neonatal: encefalopatia hipóxico-isquêmica, malformações, infecções congênitas
  • Infância: epilepsias genéticas, convulsões febris (podem preceder epilepsia em alguns casos)
  • Adultos: TCE, tumores, neurocisticercose
  • Idosos: AVC, demência, tumores

Tratamentos

Tratamento da Epilepsia (CID G40)

O tratamento da epilepsia visa o controle completo das crises com o mínimo de efeitos colaterais. A boa notícia é que 70% dos pacientes conseguem ficar livres de crises com medicamentos antiepilépticos (também chamados de anticonvulsivantes).

Medicamentos antiepilépticos (DAEs)

Para crises focais:

  • Carbamazepina — um dos mais utilizados no Brasil, disponível no SUS
  • Oxcarbazepina — alternativa com menos interações medicamentosas
  • Lamotrigina — boa opção, especialmente para mulheres em idade fértil
  • Levetiracetam — poucos efeitos colaterais e interações
  • Lacosamida — opção mais recente e bem tolerada

Para crises generalizadas:

  • Ácido valproico/valproato — eficaz para a maioria das crises generalizadas. Disponível no SUS. Evitar em mulheres em idade fértil (risco de malformação fetal)
  • Lamotrigina — alternativa ao valproato, segura na gestação
  • Levetiracetam — eficaz e bem tolerado
  • Etosuximida — específica para crises de ausência

Para epilepsia refratária (30% dos casos):

  • Combinação de 2-3 DAEs com mecanismos diferentes
  • Clobazam como adjuvante
  • Canabidiol (CBD): aprovado pela ANVISA para síndromes epilépticas graves (Dravet, Lennox-Gastaut)

Tratamento cirúrgico

Para epilepsia focal resistente a medicamentos com foco identificável:

  • Ressecção do foco epiléptico: remoção da área cerebral onde as crises se originam. Taxa de sucesso de 60-70% para epilepsia do lobo temporal
  • Calosotomia: secção do corpo caloso para impedir a propagação das crises
  • Estimulação do nervo vago (ENV): dispositivo implantado que reduz a frequência e a intensidade das crises

Primeiros socorros durante uma crise convulsiva (tônico-clônica)

  • FAÇA: proteja a cabeça (coloque algo macio embaixo), afaste objetos perigosos, vire a pessoa de lado após a convulsão (posição de recuperação), anote o tempo de duração, fique ao lado até a recuperação completa
  • NÃO FAÇA: NÃO coloque nada na boca, NÃO segure a pessoa ou tente impedir os movimentos, NÃO jogue água
  • Ligue para o SAMU (192): se a crise durar mais de 5 minutos, se for a primeira crise, se a pessoa não recuperar a consciência, se houver lesão ou se houver dificuldade respiratória

Adesão ao tratamento

Tomar o antiepiléptico diariamente, nos horários corretos, é essencial. Pular doses é a principal causa de crises em pacientes tratados. Aplicativos como o MediLife podem ajudar com lembretes de medicação.

Prevenção

Como prevenir a Epilepsia (CID G40)

Embora muitas epilepsias (genéticas) não possam ser prevenidas, uma parcela significativa dos casos é causada por fatores evitáveis.

Prevenção das causas de epilepsia

  • Prevenção de AVC: controle da pressão arterial, colesterol, diabetes, não fumar e manter atividade física regular previnem o AVC — principal causa de epilepsia em idosos
  • Prevenção de traumatismo craniano: uso de cinto de segurança, capacete para motociclistas e ciclistas, prevenção de quedas em idosos
  • Prevenção de neurocisticercose: saneamento básico, consumo de carne de porco bem cozida, lavagem adequada de frutas e verduras. A neurocisticercose é a principal causa prevenível de epilepsia no Brasil
  • Pré-natal adequado: assistência durante a gestação previne infecções congênitas e complicações no parto que podem causar epilepsia
  • Vacinação: previne meningites e encefalites que podem causar epilepsia

Prevenção de crises em quem já tem epilepsia

  • Tomar o medicamento corretamente: nunca pular doses, manter horários regulares
  • Sono adequado: a privação de sono é um dos gatilhos mais potentes de crises epilépticas
  • Evitar álcool em excesso: o álcool reduz o limiar convulsivo e interfere nos medicamentos
  • Gerenciar estresse: técnicas de relaxamento e atividade física regular
  • Evitar luzes estroboscópicas: em quem tem epilepsia fotossensível (apenas 3-5% dos pacientes)
  • Acompanhamento médico regular: consultas a cada 3-6 meses com o neurologista

Complicações

Complicações da Epilepsia (CID G40)

A epilepsia, especialmente quando mal controlada, pode levar a complicações sérias que vão além das crises em si.

Complicações das crises

  • Estado de mal epiléptico (status epilepticus): crise convulsiva que dura mais de 5 minutos ou crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas. É uma emergência médica que pode causar dano cerebral permanente ou morte se não tratada rapidamente
  • Lesões traumáticas: quedas, fraturas, queimaduras, afogamento e acidentes durante crises
  • SUDEP (Morte Súbita Inesperada em Epilepsia): evento raro mas grave — morte súbita durante ou logo após uma crise, sem causa identificável. Mais comum em epilepsia mal controlada com crises tônico-clônicas frequentes

Complicações neurológicas e cognitivas

  • Déficits cognitivos: dificuldades de memória, atenção e velocidade de processamento — causadas tanto pelas crises quanto pelos medicamentos
  • Declínio cognitivo progressivo: crises frequentes e não controladas podem causar dano neuronal cumulativo

Complicações psiquiátricas

  • Depressão: presente em 30-50% dos pacientes com epilepsia — muito mais frequente que na população geral
  • Ansiedade: presente em 20-30% dos pacientes
  • Estigma e discriminação: a epilepsia ainda carrega estigma significativo, afetando autoestima, relacionamentos e oportunidades profissionais
  • Risco de suicídio: aumentado em pacientes com epilepsia, especialmente quando há depressão comórbida

Complicações sociais

  • Restrição de direção veicular: no Brasil, pessoas com epilepsia podem obter CNH após um período mínimo de 1 ano sem crises, com laudo do neurologista
  • Limitações profissionais: algumas profissões (trabalho em altura, operação de máquinas pesadas) podem ser restritas
  • Impacto na educação: crises de ausência frequentes na infância podem ser confundidas com desatenção e prejudicar o desempenho escolar

Complicações do tratamento

  • Efeitos colaterais dos antiepilépticos: tontura, sonolência, ganho de peso, alterações de humor variam conforme o medicamento
  • Teratogenicidade: alguns antiepilépticos (especialmente ácido valproico) causam malformações fetais — mulheres em idade fértil precisam de planejamento cuidadoso

Consulte Sempre um Médico

As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes sobre G40

A epilepsia (CID G40) é um transtorno neurológico crônico caracterizado por crises epilépticas recorrentes — descargas elétricas excessivas no cérebro que causam alterações temporárias de movimento, sensação, comportamento ou consciência. NÃO é doença mental, NÃO é contagiosa e NÃO é causada por possessão espiritual. É uma condição médica tratável que afeta 1-2% da população brasileira.
Em muitos casos, sim. Cerca de 70% dos pacientes ficam livres de crises com medicamentos. Alguns tipos de epilepsia infantil desaparecem espontaneamente na adolescência (remissão). Após 2-5 anos sem crises com medicamento, a retirada gradual pode ser tentada sob orientação médica, e muitos pacientes permanecem sem crises. Para epilepsia focal resistente a medicamentos, a cirurgia pode ser curativa em 60-70% dos casos. O importante é buscar tratamento adequado.
Depende do tipo de crise. Na crise tônico-clônica ('convulsão'): perda de consciência, rigidez, movimentos involuntários rítmicos, mordedura de língua, pode perder urina. Na crise de ausência: 'desligamento' breve (5-30 segundos) com olhar fixo. Na crise focal: formigamento, movimentos involuntários de um membro, alterações visuais, sensação de déjà vu, confusão. Após a crise, é comum fadiga, confusão e dor de cabeça.
O neurologista é o especialista indicado para diagnosticar e tratar a epilepsia. Para casos complexos ou resistentes ao tratamento, o ideal é procurar um centro especializado em epilepsia. No SUS, a UBS faz o encaminhamento para o neurologista. Exames como eletroencefalograma (EEG) e ressonância magnética do crânio são essenciais para o diagnóstico. Em caso de crise convulsiva com duração acima de 5 minutos, ligue para o SAMU (192).
Sim, a epilepsia (CID G40) pode dar direito a benefícios do INSS quando as crises não são controladas e causam incapacidade para o trabalho. O auxílio-doença pode ser concedido durante a fase de ajuste do tratamento. A aposentadoria por invalidez pode ser concedida em epilepsia refratária com crises frequentes. O BPC (LOAS) pode ser solicitado para pessoas com epilepsia grave que causa grande limitação funcional. A legislação brasileira proíbe discriminação no emprego por causa da epilepsia.
O tratamento medicamentoso geralmente é mantido por pelo menos 2-5 anos sem crises antes de se considerar a retirada. Em alguns tipos de epilepsia (como a mioclônica juvenil), o tratamento é para a vida toda. A retirada do medicamento, quando possível, deve ser feita muito gradualmente (ao longo de meses) e sob supervisão do neurologista. Nunca pare o antiepiléptico por conta própria — a interrupção abrupta pode causar crises graves.

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