CID G47 - Distúrbios do Sono | Insônia, Apneia e Tratamento | MediLife
G47

Distúrbios do sono

Informações sobre Distúrbios do sono (CID-10: G47). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.

Sobre G47 - Distúrbios do sono

O que são os Distúrbios do Sono (CID G47)?

Os distúrbios do sono, classificados como CID G47, compreendem um grupo de condições que afetam a qualidade, a duração e o ritmo do sono. Incluem insônia, apneia obstrutiva do sono, narcolepsia, hipersonia e parassonias, entre outros.

Segundo dados do Instituto do Sono e da Associação Brasileira do Sono, estima-se que 73 milhões de brasileiros sofram de algum distúrbio do sono. A insônia é o mais prevalente, afetando cerca de 30-40% da população adulta em algum momento da vida. A apneia obstrutiva do sono afeta aproximadamente 33% dos homens e 17% das mulheres adultos no Brasil.

Subtipos do CID G47

  • G47.0 — Insônia: dificuldade para iniciar ou manter o sono, ou despertar precoce com incapacidade de retornar ao sono
  • G47.1 — Hipersonia: sonolência excessiva diurna, dormindo mais de 9 horas sem se sentir descansado
  • G47.2 — Distúrbios do ciclo vigília-sono: alterações no ritmo circadiano (jet lag, trabalho em turnos)
  • G47.3 — Apneia do sono: paradas repetidas da respiração durante o sono
  • G47.4 — Narcolepsia e cataplexia: ataques irresistíveis de sono durante o dia com perda súbita do tônus muscular
  • G47.8 — Outros distúrbios do sono: síndrome das pernas inquietas, bruxismo do sono

Sintomas gerais dos distúrbios do sono

  • Dificuldade para adormecer ou manter o sono
  • Sonolência excessiva durante o dia
  • Fadiga e cansaço constante
  • Ronco alto e engasgos noturnos (apneia)
  • Irritabilidade, dificuldade de concentração e falhas de memória
  • Dor de cabeça matinal
  • Movimentos involuntários das pernas durante o sono
  • Despertares frequentes durante a noite

Impacto na saúde

Os distúrbios do sono não tratados estão associados a aumento do risco de hipertensão, diabetes tipo 2, obesidade, doenças cardiovasculares, depressão, acidentes de trânsito e de trabalho. Estima-se que a privação crônica de sono custe ao Brasil bilhões de reais por ano em perda de produtividade.

Diagnóstico

O diagnóstico envolve história clínica detalhada, uso de questionários validados (Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh, Escala de Sonolência de Epworth) e, quando indicado, polissonografia — exame realizado em laboratório do sono que monitora atividade cerebral, respiração, oxigenação, frequência cardíaca e movimentos durante a noite.

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Causas

Causas dos Distúrbios do Sono (CID G47)

Os distúrbios do sono têm causas variadas, desde fatores comportamentais até condições médicas e neurológicas.

Causas da insônia

  • Estresse e ansiedade: a causa mais comum de insônia aguda. Preocupações com trabalho, saúde e finanças mantêm o cérebro hiperativo
  • Maus hábitos de sono (higiene do sono inadequada): horários irregulares, uso de telas antes de dormir, ambiente inadequado
  • Transtornos de ansiedade e depressão: a insônia é sintoma frequente de transtornos psiquiátricos e também pode desencadeá-los
  • Medicamentos: antidepressivos (ISRS), corticoides, descongestionantes, betabloqueadores e cafeína
  • Dor crônica: dor nas costas, fibromialgia e artrite perturbam o sono
  • Envelhecimento: alterações naturais na arquitetura do sono com a idade

Causas da apneia obstrutiva do sono

  • Obesidade: o principal fator de risco — o acúmulo de gordura na região cervical estreita as vias aéreas
  • Anatomia das vias aéreas: mandíbula pequena (retrognatia), amígdalas grandes, desvio de septo, língua volumosa
  • Consumo de álcool: relaxa a musculatura das vias aéreas, agravando a apneia
  • Sexo masculino: homens têm risco 2-3 vezes maior que mulheres (antes da menopausa)
  • Idade: prevalência aumenta significativamente após os 50 anos

Causas da narcolepsia

  • Deficiência de hipocretina (orexina): neurotransmissor produzido no hipotálamo que regula a vigília. Na narcolepsia tipo 1, há destruição autoimune dos neurônios produtores de hipocretina
  • Predisposição genética: associação com o antígeno HLA-DQB1*06:02

Outras causas

  • Síndrome das pernas inquietas: causada por deficiência de ferro cerebral e disfunção dopaminérgica
  • Distúrbios do ritmo circadiano: trabalho noturno, viagens transmeridianas, síndrome do atraso de fase (comum em adolescentes)
  • Condições médicas: insuficiência cardíaca, DPOC, refluxo gastroesofágico e hipertireoidismo

Tratamentos

Tratamento dos Distúrbios do Sono (CID G47)

O tratamento depende do tipo específico de distúrbio do sono diagnosticado.

Tratamento da insônia

Terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I):

É o tratamento de primeira linha recomendado por todas as diretrizes internacionais, mais eficaz que medicamentos a longo prazo:

  • Controle de estímulos: usar a cama apenas para dormir e atividade sexual
  • Restrição de sono: limitar o tempo na cama ao tempo real de sono
  • Reestruturação cognitiva: modificar pensamentos disfuncionais sobre o sono
  • Técnicas de relaxamento: relaxamento muscular progressivo, meditação mindfulness

Medicamentos (quando necessário):

  • Indutores de sono não benzodiazepínicos: zolpidem, zopiclona — uso por curto período (2-4 semanas)
  • Melatonina: especialmente útil para distúrbios do ritmo circadiano e idosos
  • Antidepressivos sedativos: trazodona, doxepina em baixas doses
  • Evitar benzodiazepínicos crônicos pelo risco de dependência e efeitos cognitivos

Tratamento da apneia obstrutiva do sono

  • CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas): aparelho que mantém as vias aéreas abertas durante o sono por meio de pressão de ar. É o tratamento padrão-ouro para apneia moderada a grave
  • Aparelho intraoral (AIO): dispositivo dentário que avança a mandíbula, indicado para apneia leve a moderada ou intolerância ao CPAP
  • Perda de peso: redução de 10% do peso pode melhorar a apneia em até 50%
  • Cirurgia: uvulopalatofaringoplastia (UPFP), amigdalectomia, cirurgia ortognática em casos selecionados
  • Mudanças posicionais: evitar dormir de barriga para cima (posição supina)

Tratamento da narcolepsia

  • Modafinila: estimulante de primeira linha para sonolência diurna
  • Oxibato de sódio: para cataplexia e melhora do sono noturno
  • Antidepressivos: venlafaxina e fluoxetina para cataplexia
  • Cochilos programados: cochilos curtos (15-20 min) ao longo do dia

Higiene do sono (para todos os distúrbios)

  • Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana
  • Evitar cafeína, álcool e telas luminosas 2-3 horas antes de dormir
  • Manter o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável (18-22°C)
  • Praticar exercício físico regular, mas não próximo ao horário de dormir

Prevenção

Como prevenir Distúrbios do Sono (CID G47)

Muitos distúrbios do sono podem ser prevenidos ou minimizados com hábitos adequados de higiene do sono e estilo de vida saudável.

Medidas preventivas

  • Estabelecer rotina de sono: dormir e acordar nos mesmos horários todos os dias, inclusive fins de semana. Isso regula o relógio biológico (ritmo circadiano)
  • Criar ambiente propício: quarto escuro (usar cortinas blackout), silencioso e com temperatura entre 18-22°C. Investir em colchão e travesseiro confortáveis
  • Limitar uso de telas: a luz azul de celulares, tablets e computadores suprime a produção de melatonina. Evitar telas pelo menos 1 hora antes de dormir
  • Controlar peso: a obesidade é o principal fator de risco para apneia do sono
  • Evitar estimulantes à noite: café, chá preto/verde, refrigerantes de cola e chocolate contêm cafeína; evitar após as 14h
  • Atividade física regular: exercícios moderados melhoram a qualidade do sono, mas devem ser realizados pelo menos 3-4 horas antes de dormir
  • Gerenciar estresse: técnicas de relaxamento, meditação e, quando necessário, acompanhamento psicológico
  • Moderar álcool: embora pareça ajudar a adormecer, o álcool fragmenta o sono e piora a apneia

Pesquisas mostram que pessoas com boa higiene do sono têm risco 40-60% menor de desenvolver insônia crônica.

Complicações

Complicações dos Distúrbios do Sono (CID G47)

Os distúrbios do sono não tratados têm consequências graves para a saúde física e mental.

Complicações cardiovasculares

  • Hipertensão arterial: a apneia do sono é causa reconhecida de hipertensão resistente ao tratamento
  • Arritmias cardíacas: fibrilação atrial é 2-4 vezes mais comum em pacientes com apneia
  • Doença coronariana e AVC: risco aumentado em 2-3 vezes na apneia grave não tratada

Complicações metabólicas

  • Obesidade: a privação de sono altera os hormônios leptina e grelina, aumentando o apetite
  • Diabetes tipo 2: a apneia causa resistência à insulina, e dormir menos de 6 horas aumenta o risco de diabetes em 30%

Complicações neurológicas e psiquiátricas

  • Depressão e ansiedade: a insônia crônica aumenta o risco de depressão em 2 a 10 vezes
  • Déficit cognitivo: prejuízo na memória, concentração e capacidade de tomar decisões
  • Acidentes: a sonolência ao dirigir causa cerca de 20% dos acidentes de trânsito graves no Brasil

Outras complicações

  • Queda na qualidade de vida: irritabilidade, conflitos familiares e profissionais
  • Redução da imunidade: o sono inadequado compromete o sistema imunológico
  • Aumento da mortalidade: apneia grave não tratada está associada a risco 3 vezes maior de morte cardiovascular

Consulte Sempre um Médico

As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes sobre G47

Os distúrbios do sono, CID G47, são condições que afetam a qualidade, duração ou ritmo do sono. Os mais comuns são insônia (dificuldade para dormir), apneia obstrutiva do sono (paradas respiratórias durante o sono), narcolepsia (ataques irresistíveis de sono) e síndrome das pernas inquietas. Afetam cerca de 73 milhões de brasileiros.
Depende do tipo. A insônia aguda geralmente se resolve com melhora da higiene do sono e terapia cognitivo-comportamental. A apneia do sono pode ser controlada com CPAP, perda de peso ou cirurgia. A narcolepsia é uma condição crônica que requer tratamento contínuo com medicamentos, mas permite boa qualidade de vida com acompanhamento adequado.
Os sintomas mais comuns são dificuldade para adormecer ou manter o sono, sonolência excessiva durante o dia, ronco alto com engasgos (apneia), fadiga constante, irritabilidade, dificuldade de concentração, dor de cabeça matinal e necessidade frequente de cochilos. A sonolência ao dirigir é um sinal de alerta importante.
O médico do sono (somnologista) é o especialista mais indicado. Neurologistas, pneumologistas e otorrinolaringologistas com especialização em sono também tratam essas condições. O clínico geral pode iniciar a investigação e encaminhar ao especialista quando necessário.
Sim, em casos graves. A apneia do sono grave com sonolência incapacitante, a narcolepsia descontrolada e a insônia crônica severa podem dar direito a auxílio-doença se houver comprovação de incapacidade para o trabalho por perícia do INSS. Motoristas profissionais com apneia grave têm restrições específicas para exercer a atividade.
Varia conforme o tipo. A TCC para insônia dura 6-8 sessões (2 meses). Medicamentos para insônia devem ser usados por curto período (2-4 semanas). O tratamento da apneia com CPAP é contínuo (uso diário). A narcolepsia requer tratamento medicamentoso por toda a vida. A higiene do sono é uma prática permanente para todos.

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