CID F20 - Esquizofrenia | Sintomas, Causas e Tratamento | MediLife
F20

Esquizofrenia

Informações sobre Esquizofrenia (CID-10: F20). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.

Sobre F20 - Esquizofrenia

O que é Esquizofrenia (CID F20)?

A esquizofrenia, classificada como CID F20, é um transtorno mental crônico e grave que afeta a forma como a pessoa pensa, sente e se comporta. Diferente do que muitos acreditam, a esquizofrenia não é "personalidade dividida" nem significa violência — é uma condição médica tratável que, com acompanhamento adequado, permite à pessoa ter uma vida funcional e significativa.

A esquizofrenia afeta cerca de 1% da população mundial, sem distinção significativa de gênero, etnia ou classe social. No Brasil, estima-se que 1,6 milhão de pessoas vivam com a condição. O início costuma ocorrer no final da adolescência e início da vida adulta — entre 15 e 25 anos nos homens e 25 e 35 anos nas mulheres.

Subtipos do CID F20

  • F20.0 — Esquizofrenia paranoide: a forma mais comum, com delírios persecutórios e alucinações auditivas
  • F20.1 — Esquizofrenia hebefrênica: desorganização do pensamento e comportamento, embotamento afetivo
  • F20.2 — Esquizofrenia catatônica: alterações motoras (imobilidade, agitação, posturas bizarras)
  • F20.3 — Esquizofrenia indiferenciada
  • F20.5 — Esquizofrenia residual: fase crônica com predomínio de sintomas negativos
  • F20.6 — Esquizofrenia simples: declínio funcional gradual sem episódios psicóticos evidentes

Sintomas positivos (excesso de função)

  • Delírios: crenças falsas e inabaláveis — de perseguição ("estão me espionando"), grandeza, referência ("a TV fala sobre mim") ou controle
  • Alucinações: experiências sensoriais sem estímulo real. As mais comuns são vozes que comentam o comportamento da pessoa ou dão ordens
  • Pensamento desorganizado: dificuldade de organizar ideias, fala incoerente, neologismos
  • Comportamento desorganizado ou catatônico: agitação sem propósito, imobilidade, posturas estranhas

Sintomas negativos (redução de função)

  • Embotamento afetivo: redução da expressão emocional (rosto inexpressivo, voz monótona)
  • Alogia: pobreza da fala
  • Avolição: falta de motivação e iniciativa
  • Anedonia: incapacidade de sentir prazer
  • Isolamento social

Importante: os sintomas negativos costumam ser mais incapacitantes que os positivos e mais difíceis de tratar, mas frequentemente são confundidos com "preguiça" ou "falta de vontade" — o que gera estigma.

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Causas

Causas da Esquizofrenia (CID F20)

A esquizofrenia não tem uma causa única — resulta de uma interação complexa entre fatores genéticos e ambientais que afetam o desenvolvimento e o funcionamento do cérebro. O modelo mais aceito é o da vulnerabilidade-estresse: uma predisposição biológica é "ativada" por fatores ambientais estressantes.

Fatores genéticos

  • Hereditariedade: o risco de esquizofrenia é de 1% na população geral, mas sobe para 10% em filhos de um pai com a doença e para 40-50% em gêmeos idênticos (monozigóticos)
  • Múltiplos genes envolvidos: não existe um "gene da esquizofrenia" — centenas de variantes genéticas contribuem, cada uma com efeito pequeno. Estudos de genoma amplo (GWAS) identificaram mais de 300 loci genéticos associados
  • Genes relacionados à dopamina e glutamato: sistemas neurotransmissores centrais na fisiopatologia da doença

Alterações cerebrais

  • Hipótese dopaminérgica: excesso de dopamina em certas áreas cerebrais (mesolímbica) está associado aos sintomas positivos; déficit em outras áreas (mesocortical) está ligado aos sintomas negativos e cognitivos
  • Hipótese glutamatérgica: disfunção dos receptores NMDA de glutamato contribui para o quadro
  • Alterações estruturais: redução do volume cerebral, especialmente no hipocampo e no córtex pré-frontal, e alargamento dos ventrículos
  • Alterações no neurodesenvolvimento: há evidências de que o cérebro de pessoas com esquizofrenia apresenta diferenças desde antes do nascimento

Fatores ambientais

  • Complicações obstétricas: infecções durante a gestação (influenza, toxoplasmose), desnutrição materna, pré-eclâmpsia e complicações no parto aumentam o risco
  • Uso de cannabis na adolescência: o uso de maconha, especialmente de variantes com alto teor de THC, antes dos 18 anos pode duplicar ou triplicar o risco em pessoas geneticamente vulneráveis
  • Estresse psicossocial: migração, discriminação, urbanicidade (viver em grandes cidades), traumas na infância
  • Idade paterna avançada: pais com mais de 50 anos têm risco ligeiramente aumentado de ter filhos com esquizofrenia (por acúmulo de mutações nos espermatozoides)

Tratamentos

Tratamento da Esquizofrenia (CID F20)

A esquizofrenia é tratável. Com o tratamento adequado, muitas pessoas com esquizofrenia conseguem estudar, trabalhar, ter relacionamentos e viver de forma independente. O tratamento é contínuo e combina medicamentos com abordagens psicossociais.

Medicamentos antipsicóticos (base do tratamento)

Antipsicóticos de primeira geração (típicos):

  • Haloperidol, clorpromazina
  • Eficazes para sintomas positivos (delírios, alucinações)
  • Mais efeitos colaterais motores (rigidez, tremores, acatisia)
  • Amplamente disponíveis no SUS

Antipsicóticos de segunda geração (atípicos):

  • Risperidona, olanzapina, quetiapina, aripiprazol, ziprasidona, clozapina
  • Melhor perfil de efeitos colaterais motores
  • Alguns mais eficazes para sintomas negativos
  • Risperidona e olanzapina disponíveis no SUS

Clozapina — para esquizofrenia resistente:

  • Indicada quando dois antipsicóticos em doses e tempo adequados não funcionaram
  • É o único medicamento com eficácia comprovada na esquizofrenia refratária
  • Requer monitoramento sanguíneo regular (risco de agranulocitose)
  • Disponível pelo SUS

Antipsicóticos injetáveis de longa ação (LAI):

  • Paliperidona, risperidona LAI — administrados quinzenal ou mensalmente
  • Excelentes para garantir a adesão ao tratamento

Abordagens psicossociais (essenciais)

  • Psicoeducação: ensinar o paciente e a família sobre a doença, medicamentos, sinais de recaída e estratégias de enfrentamento
  • Reabilitação psicossocial: treino de habilidades sociais, atividades ocupacionais, suporte para emprego e moradia
  • Terapia cognitivo-comportamental para psicose (TCCp): ajuda a lidar com sintomas residuais e melhorar o funcionamento
  • Terapia familiar: reduz o estresse familiar e as taxas de recaída em até 50%

Tratamento pelo SUS

  • CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): acompanhamento multidisciplinar regular
  • CAPS III: funcionamento 24h para situações de crise
  • Residências terapêuticas: moradia assistida para quem não tem suporte familiar
  • Farmácia do SUS: medicamentos antipsicóticos gratuitos (incluindo clozapina pela farmácia de alto custo)

Atenção: o tratamento não deve ser interrompido sem orientação médica. A interrupção abrupta dos antipsicóticos é a principal causa de recaídas e internações.

Prevenção

Como prevenir a Esquizofrenia (CID F20)

Como a esquizofrenia tem forte componente genético e neurodesenvolvimental, a prevenção primária completa não é possível. No entanto, estratégias podem reduzir o risco em pessoas vulneráveis e, principalmente, identificar e tratar precocemente os primeiros sinais.

Redução de fatores de risco

  • Pré-natal adequado: acompanhamento médico durante a gestação, vacinação, nutrição adequada e prevenção de infecções reduzem o risco de alterações no neurodesenvolvimento fetal
  • Evitar cannabis na adolescência: especialmente para jovens com histórico familiar de psicose. O uso precoce de maconha de alta potência é um dos poucos fatores de risco ambientais modificáveis com forte evidência
  • Reduzir estresse crônico: ambientes de apoio, prevenção de bullying e traumas na infância

Detecção precoce (essencial)

O tratamento precoce da esquizofrenia — nos primeiros meses do primeiro episódio — está associado a melhores resultados a longo prazo:

  • Período prodrômico: antes do primeiro surto, podem surgir sinais sutis por meses ou anos — isolamento social progressivo, queda no desempenho escolar/profissional, desconfiança incomum, discurso estranho, higiene pessoal descuidada
  • Se notar esses sinais: busque avaliação psiquiátrica sem demora. Quanto mais cedo o tratamento começa, melhor o prognóstico

Combate ao estigma

  • A esquizofrenia NÃO significa "personalidade dividida" nem "loucura violenta"
  • Pessoas com esquizofrenia são muito mais vítimas de violência do que perpetradoras
  • Com tratamento adequado, a maioria das pessoas com esquizofrenia vive na comunidade de forma pacífica e produtiva
  • O estigma é uma barreira enorme à busca de tratamento e à recuperação

Complicações

Complicações da Esquizofrenia (CID F20)

A esquizofrenia, especialmente quando não tratada ou mal acompanhada, pode levar a complicações significativas em múltiplas áreas da vida.

Complicações psiquiátricas

  • Risco de suicídio: cerca de 5 a 10% das pessoas com esquizofrenia morrem por suicídio — o risco é maior nos primeiros anos após o diagnóstico, em homens jovens e em pessoas com bom nível de funcionamento prévio (que têm maior consciência da perda)
  • Comorbidades: depressão (50%), ansiedade (30-50%), uso de substâncias (40-50%)

Complicações clínicas

  • Redução da expectativa de vida: pessoas com esquizofrenia vivem em média 15 a 20 anos menos que a população geral, principalmente por doenças cardiovasculares, metabólicas e respiratórias
  • Síndrome metabólica: ganho de peso, diabetes, dislipidemia e hipertensão — em parte causadas pelos medicamentos antipsicóticos (especialmente olanzapina e clozapina) e pelo estilo de vida
  • Tabagismo: até 80% das pessoas com esquizofrenia fumam — taxa muito superior à da população geral

Complicações funcionais e sociais

  • Declínio cognitivo: dificuldades de memória, atenção, velocidade de processamento e função executiva comprometem a funcionalidade
  • Desemprego: cerca de 80-90% das pessoas com esquizofrenia estão desempregadas nos países em desenvolvimento
  • Isolamento social: os sintomas negativos, o estigma e a falta de habilidades sociais contribuem
  • Situação de rua: pessoas com esquizofrenia sem suporte familiar ou institucional compõem parcela significativa da população em situação de rua

Complicações do tratamento

  • Discinesia tardia: movimentos involuntários (especialmente da boca e face) causados pelo uso prolongado de antipsicóticos típicos
  • Síndrome neuroléptica maligna: emergência médica rara com rigidez, febre e instabilidade autonômica
  • Agranulocitose: redução perigosa dos glóbulos brancos (risco específico da clozapina, monitorado por hemograma)

Consulte Sempre um Médico

As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes sobre F20

A esquizofrenia é um transtorno mental crônico que afeta a percepção da realidade. A pessoa pode ter alucinações (ouvir vozes que não existem), delírios (crenças falsas inabaláveis), pensamento desorganizado e redução da expressão emocional. NÃO é 'personalidade dividida' — esse é um dos maiores mitos. É uma doença cerebral com bases genéticas e neurobiológicas, que afeta cerca de 1% da população mundial.
A esquizofrenia é uma condição crônica, portanto não tem 'cura' no sentido de desaparecer completamente. Porém, é muito tratável. Com medicamentos antipsicóticos e acompanhamento psicossocial, muitas pessoas conseguem controlar os sintomas e ter uma vida funcional — estudar, trabalhar, ter relacionamentos. Cerca de 20-30% dos pacientes alcançam remissão completa dos sintomas. O tratamento contínuo é essencial para prevenir recaídas.
Os sintomas são divididos em positivos e negativos. Os positivos incluem alucinações (ouvir vozes é o mais comum), delírios (de perseguição, grandeza), pensamento desorganizado e comportamento bizarro. Os negativos incluem apatia, falta de motivação, embotamento emocional, isolamento social e pobreza de fala. Há também sintomas cognitivos: dificuldades de memória, atenção e organização. Os sintomas negativos costumam ser mais incapacitantes a longo prazo.
O psiquiatra é o especialista indicado para o diagnóstico e tratamento medicamentoso da esquizofrenia. O CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) oferece acompanhamento multidisciplinar gratuito pelo SUS, com psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional e assistente social. Em situações de crise (agitação, risco de autoagressão), procure o SAMU (192), o CAPS III (24h) ou o pronto-socorro psiquiátrico mais próximo.
Sim, a esquizofrenia (CID F20) é uma das condições que mais frequentemente gera direito a benefícios do INSS. O auxílio-doença pode ser concedido durante surtos e períodos de descompensação. A aposentadoria por invalidez pode ser concedida quando há incapacidade permanente para o trabalho. Além disso, pessoas com esquizofrenia podem ter direito ao BPC (Benefício de Prestação Continuada/LOAS) — um salário mínimo mensal para quem não tem condições de se manter e cuja família tem renda per capita inferior a 1/4 do salário mínimo.
O tratamento da esquizofrenia é contínuo e, na maioria dos casos, para a vida toda. Após o primeiro episódio psicótico, recomenda-se manter o antipsicótico por pelo menos 1 a 2 anos. Após múltiplos episódios, o tratamento é geralmente mantido indefinidamente. A interrupção abrupta do medicamento é a principal causa de recaídas. O acompanhamento no CAPS, a terapia e a reabilitação psicossocial também devem ser contínuos.

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