CID C16 - Câncer de Estômago | Sintomas, Causas e Tratamento | MediLife
C16

Neoplasia maligna do estômago

Informações sobre Neoplasia maligna do estômago (CID-10: C16). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.

Sobre C16 - Neoplasia maligna do estômago

O que é o Câncer de Estômago (CID C16)?

O câncer de estômago, classificado como CID C16, também chamado de câncer gástrico, é uma neoplasia maligna que se origina nas células do revestimento interno (mucosa) do estômago. É um dos tipos de câncer mais comuns no mundo e representa um importante problema de saúde pública no Brasil.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que ocorram cerca de 21.230 novos casos de câncer de estômago por ano no Brasil, sendo aproximadamente 13.390 em homens e 7.840 em mulheres. É o quarto tipo de câncer mais frequente entre homens e o sexto entre mulheres no país. A taxa de mortalidade permanece elevada, pois a maioria dos casos é diagnosticada em estágio avançado.

Tipos de câncer gástrico

O tipo mais comum é o adenocarcinoma, responsável por cerca de 95% dos casos. Origina-se nas células glandulares da mucosa gástrica. Outros tipos menos frequentes incluem:

  • Linfoma gástrico: origina-se no tecido linfático do estômago (linfoma MALT)
  • Tumor estromal gastrointestinal (GIST): origina-se nas células intersticiais de Cajal
  • Tumor carcinoide: origina-se nas células produtoras de hormônios

Sintomas do câncer de estômago

Nos estágios iniciais, o câncer gástrico costuma ser silencioso ou apresentar sintomas inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico precoce:

  • Dor abdominal persistente na região do estômago
  • Náusea e vômitos frequentes
  • Sensação de estômago cheio mesmo após pequenas refeições (saciedade precoce)
  • Perda de peso involuntária e progressiva
  • Fadiga e fraqueza por anemia
  • Dificuldade para engolir (disfagia) quando o tumor está na transição esôfago-gástrica
  • Presença de sangue nas fezes (melena — fezes escurecidas) ou vômitos com sangue
  • Azia e queimação persistentes que não melhoram com tratamento convencional

Estadiamento

O estadiamento do câncer gástrico vai de I a IV, conforme a profundidade de invasão na parede do estômago, acometimento de linfonodos e presença de metástases à distância. A sobrevida em 5 anos varia de 70% no estágio I a menos de 5% no estágio IV, reforçando a importância do diagnóstico precoce.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta com biópsia. Exames complementares para estadiamento incluem tomografia computadorizada de tórax e abdômen, ultrassonografia endoscópica e, em alguns casos, PET-CT e laparoscopia diagnóstica.

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Causas

Causas do Câncer de Estômago (CID C16)

O câncer de estômago resulta de uma combinação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais que provocam alterações no DNA das células gástricas, levando ao crescimento descontrolado.

Infecção por Helicobacter pylori

A bactéria Helicobacter pylori é o principal fator de risco para o câncer gástrico, sendo classificada como carcinógeno do grupo 1 pela OMS. A infecção crônica causa inflamação persistente (gastrite crônica), que pode evoluir para gastrite atrófica, metaplasia intestinal, displasia e, finalmente, adenocarcinoma. Estima-se que o H. pylori esteja presente em 60-70% dos brasileiros.

Fatores alimentares

  • Alimentos defumados, salgados e em conserva: o consumo frequente de carnes processadas, embutidos, peixes salgados e alimentos em conserva com nitratos/nitritos aumenta significativamente o risco
  • Baixo consumo de frutas e vegetais: a deficiência de vitaminas antioxidantes (C e E) e carotenoides reduz a proteção natural da mucosa gástrica
  • Consumo excessivo de álcool: especialmente destilados, irritam a mucosa e potencializam outros carcinógenos

Fatores genéticos

  • Histórico familiar: ter parentes de primeiro grau com câncer gástrico aumenta o risco em 2 a 3 vezes
  • Câncer gástrico difuso hereditário: mutação no gene CDH1 (caderina-E) causa uma forma hereditária rara, com risco de até 80% ao longo da vida
  • Síndrome de Lynch: predisposição genética que aumenta o risco de vários cânceres, incluindo o gástrico

Condições pré-malignas

  • Gastrite atrófica crônica: redução das glândulas gástricas, frequentemente causada por H. pylori ou gastrite autoimune
  • Metaplasia intestinal: substituição do epitélio gástrico por epitélio tipo intestinal
  • Pólipos gástricos adenomatosos: podem sofrer transformação maligna
  • Cirurgia gástrica prévia: gastrectomia parcial aumenta o risco após 15-20 anos

Outros fatores de risco

  • Tabagismo: aumenta o risco em 1,5 a 2 vezes
  • Obesidade: associada ao câncer da cárdia (junção esôfago-gástrica)
  • Sexo masculino: homens têm risco 2 vezes maior que mulheres
  • Idade: a maioria dos casos ocorre após os 50 anos
  • Grupo sanguíneo A: risco discretamente aumentado

Tratamentos

Tratamento do Câncer de Estômago (CID C16)

O tratamento do câncer gástrico depende do estágio da doença, localização do tumor, estado geral do paciente e presença de metástases. A abordagem é multidisciplinar, envolvendo cirurgião oncológico, oncologista clínico e radioterapeuta.

Cirurgia

A cirurgia é o principal tratamento curativo para o câncer de estômago localizado:

  • Ressecção endoscópica: para tumores muito iniciais (limitados à mucosa), pode-se retirar o tumor por endoscopia, sem necessidade de abrir o abdômen
  • Gastrectomia subtotal: remoção de parte do estômago, indicada para tumores na porção inferior (antro)
  • Gastrectomia total: remoção de todo o estômago, necessária para tumores extensos ou na parte superior. O esôfago é conectado diretamente ao intestino delgado
  • Linfadenectomia D2: remoção dos linfonodos regionais, padrão no Brasil e recomendada para melhor controle da doença

Quimioterapia

  • Quimioterapia perioperatória: administrada antes (neoadjuvante) e após (adjuvante) a cirurgia, melhora significativamente a sobrevida. Esquemas comuns incluem FLOT (5-fluorouracil, leucovorin, oxaliplatina e docetaxel)
  • Quimioterapia paliativa: para doença avançada ou metastática, visa controlar sintomas e prolongar a sobrevida. Esquemas baseados em fluoropirimidinas, platinas e taxanos

Radioterapia

Pode ser usada em combinação com quimioterapia (quimiorradioterapia) após a cirurgia, especialmente quando a linfadenectomia não foi adequada. Também tem papel paliativo no controle de sangramento e dor.

Terapia-alvo e imunoterapia

  • Trastuzumabe: para tumores HER2-positivos (cerca de 15-20% dos casos)
  • Nivolumabe e pembrolizumabe: imunoterápicos aprovados para câncer gástrico avançado, especialmente com alta instabilidade de microssatélites (MSI-H) ou PD-L1 positivo
  • Ramucirumabe: anticorpo anti-VEGFR2 usado em segunda linha de tratamento

Tratamento pelo SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento completo para o câncer de estômago, incluindo cirurgia, quimioterapia e radioterapia nos centros de alta complexidade em oncologia (CACON e UNACON). O paciente tem direito a iniciar o tratamento em até 60 dias após o diagnóstico, conforme a Lei nº 12.732/2012.

Acompanhamento pós-tratamento

Após o tratamento, o acompanhamento inclui consultas regulares, exames de imagem e endoscopia periódica. Pacientes submetidos a gastrectomia total necessitam de suplementação de vitamina B12 injetável pelo resto da vida, além de acompanhamento nutricional para adaptação alimentar.

Prevenção

Como prevenir o Câncer de Estômago (CID C16)

A prevenção do câncer gástrico envolve o controle dos fatores de risco modificáveis e o rastreamento em populações de alto risco.

Medidas preventivas

  • Erradicação do H. pylori: o tratamento da infecção por Helicobacter pylori reduz significativamente o risco de câncer gástrico, especialmente quando realizado antes do desenvolvimento de lesões pré-malignas
  • Alimentação saudável: dieta rica em frutas, verduras e legumes frescos. Reduzir consumo de alimentos defumados, salgados em excesso, embutidos e ultraprocessados
  • Não fumar: a cessação do tabagismo reduz o risco progressivamente ao longo dos anos
  • Moderação no álcool: limitar o consumo de bebidas alcoólicas
  • Manutenção do peso saudável: a obesidade está associada ao câncer da cárdia
  • Rastreamento em grupos de risco: pessoas com histórico familiar de câncer gástrico, gastrite atrófica, metaplasia intestinal ou mutação no gene CDH1 devem realizar endoscopias periódicas

Segundo o INCA, estima-se que até 40% dos casos de câncer de estômago poderiam ser prevenidos com mudanças nos hábitos alimentares e controle do H. pylori.

Complicações

Complicações do Câncer de Estômago (CID C16)

O câncer gástrico pode causar complicações graves, tanto pela evolução da doença quanto pelos efeitos do tratamento.

Complicações da doença

  • Obstrução gástrica: o tumor pode bloquear a passagem do alimento, causando vômitos persistentes e desnutrição
  • Sangramento digestivo: hemorragia pela erosão de vasos sanguíneos pelo tumor, manifestando-se como melena ou hematêmese
  • Perfuração gástrica: rompimento da parede do estômago, causando peritonite — emergência cirúrgica
  • Metástases: disseminação para fígado, peritônio (carcinomatose peritoneal), pulmões, ossos e linfonodos distantes
  • Ascite maligna: acúmulo de líquido no abdômen por carcinomatose peritoneal
  • Desnutrição grave: pela dificuldade de alimentação e pelo consumo energético do tumor

Complicações do tratamento

  • Síndrome de dumping: após gastrectomia, o alimento passa rapidamente ao intestino, causando náusea, tontura, sudorese e diarreia
  • Deficiência de vitamina B12: após gastrectomia total, necessitando reposição vitalícia
  • Deficiência de ferro e cálcio: pela redução da absorção
  • Efeitos colaterais da quimioterapia: náusea, queda de cabelo, imunossupressão, neuropatia periférica

Consulte Sempre um Médico

As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes sobre C16

O câncer de estômago, classificado como CID C16, é uma neoplasia maligna que se desenvolve nas células do revestimento interno do estômago. O tipo mais comum é o adenocarcinoma (95% dos casos). Segundo o INCA, ocorrem cerca de 21 mil novos casos por ano no Brasil.
Sim, o câncer de estômago tem cura quando diagnosticado precocemente. No estágio I, a taxa de sobrevida em 5 anos chega a 70%. No entanto, quando diagnosticado em estágio avançado (III ou IV), as chances diminuem significativamente. Por isso, a detecção precoce através de endoscopia é fundamental.
Nos estágios iniciais, os sintomas são vagos: desconforto abdominal, azia persistente e perda de apetite. Em estágios mais avançados, surgem perda de peso involuntária, vômitos frequentes, dificuldade para engolir, sangramento digestivo (fezes escuras), fadiga intensa e sensação de estômago cheio após pequenas refeições.
O gastroenterologista é o especialista que realiza a endoscopia e faz o diagnóstico. Após confirmação, o paciente é encaminhado ao cirurgião oncológico e ao oncologista clínico para definição do tratamento. O acompanhamento é multidisciplinar, incluindo nutricionista, psicólogo e outros profissionais.
Sim. Pacientes com câncer (CID C16) têm direito a diversos benefícios: isenção de imposto de renda sobre aposentadoria, saque do FGTS e PIS/PASEP, auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez pelo INSS, e prioridade em processos judiciais. O diagnóstico de neoplasia maligna garante esses direitos independentemente do estágio da doença.
O tempo varia conforme o estágio. A quimioterapia neoadjuvante dura cerca de 2-3 meses antes da cirurgia. A recuperação cirúrgica leva 4-8 semanas. A quimioterapia adjuvante pode durar mais 3-4 meses. No total, o tratamento curativo pode levar de 6 a 12 meses. Para doença avançada, o tratamento paliativo pode ser contínuo.

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