Febre de origem desconhecida
Informações sobre Febre de origem desconhecida (CID-10: R50). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.
Sobre R50 - Febre de origem desconhecida
O que é Febre de Origem Desconhecida (CID R50)?
A febre de origem desconhecida (FOD), classificada como CID R50, refere-se à elevação da temperatura corporal acima de 37,8°C que persiste sem uma causa identificada após investigação médica inicial. A febre é um dos mecanismos de defesa mais antigos do organismo, indicando que o sistema imunológico está combatendo algum agente agressor.
A febre é o sintoma mais comum que leva pacientes a procurarem atendimento médico, sendo especialmente frequente em crianças. No Brasil, a febre representa uma parcela significativa dos atendimentos pediátricos de emergência, podendo chegar a 20-30% das consultas em pronto-socorros pediátricos.
Classificação da febre
- Febre baixa: 37,8°C a 38,5°C
- Febre moderada: 38,5°C a 39,5°C
- Febre alta: acima de 39,5°C
- Hiperpirexia: acima de 41°C — emergência médica
Febre de origem desconhecida clássica
Definida como febre acima de 38,3°C por pelo menos 3 semanas de duração, sem diagnóstico após pelo menos 1 semana de investigação hospitalar ou 3 consultas ambulatoriais. As quatro grandes categorias de causas são:
- Infecções (30-40%): tuberculose, endocardite, abscessos ocultos
- Neoplasias (20-30%): linfomas, leucemias, tumores sólidos
- Doenças autoimunes (15-20%): lúpus, artrite reumatoide, vasculites
- Causas diversas/não diagnosticadas (15-25%): febre por medicamentos, trombose, tireoidite
Quando procurar atendimento
- Adultos: febre acima de 39°C, febre por mais de 3 dias sem melhora, febre com confusão mental, rigidez de nuca, dificuldade respiratória ou manchas na pele
- Crianças: bebês menores de 3 meses com qualquer febre, crianças com febre acima de 39°C, febre com manchas roxas na pele, convulsão febril, prostração intensa
- Idosos: atenção especial — idosos podem ter infecções graves com pouca ou nenhuma febre
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Causas
Causas da Febre (CID R50)
A febre é um sintoma inespecífico com inúmeras causas possíveis. Na maioria dos casos agudos, é causada por infecções virais autolimitadas.
Causas infecciosas (mais comuns)
- Infecções virais: gripe, resfriado, COVID-19, dengue, chikungunya, mononucleose, hepatites virais
- Infecções bacterianas: pneumonia, infecção urinária (cistite/pielonefrite), amigdalite, otite, sinusite, meningite
- Tuberculose: febre baixa vespertina com sudorese noturna e perda de peso. Causa importante de FOD no Brasil
- Endocardite: infecção das válvulas cardíacas, causa clássica de FOD
- Abscessos: coleções purulentas ocultas (abdominal, hepático, dentário)
- Infecções tropicais: malária, leishmaniose, doença de Chagas aguda
Causas inflamatórias e autoimunes
- Doenças autoimunes: lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, doença de Still do adulto
- Vasculites: arterite de células gigantes, poliarterite nodosa
- Doença inflamatória intestinal: doença de Crohn, retocolite ulcerativa
Causas neoplásicas
- Linfomas: especialmente linfoma de Hodgkin — febre que aparece e desaparece ciclicamente (febre de Pel-Ebstein)
- Leucemias: febre associada a palidez, sangramentos e aumento de gânglios
- Tumores sólidos: carcinoma renal, hepatocarcinoma
Outras causas
- Febre medicamentosa: reação a antibióticos, anticonvulsivantes, alopurinol e outros. A febre desaparece com a suspensão do medicamento
- Trombose venosa profunda e embolia pulmonar: podem causar febre baixa
- Tireoidite: inflamação da tireoide
- Febre factícia: febre simulada pelo paciente (manipulação do termômetro)
- Pós-operatório: febre nos primeiros dias após cirurgia (atelectasia, infecção de sítio, trombose)
Febre em crianças
Em crianças, a causa mais comum de febre são infecções virais autolimitadas (80% dos casos). Outras causas importantes incluem otite média, faringite estreptocócica, infecção urinária e pneumonia. A convulsão febril, embora assustadora para os pais, ocorre em 2-5% das crianças e geralmente é benigna.
Tratamentos
Tratamento da Febre (CID R50)
O tratamento da febre envolve o controle do sintoma (antipirético) e, principalmente, o tratamento da causa subjacente.
Quando tratar a febre
Importante: a febre em si é um mecanismo de defesa que ajuda o organismo a combater infecções. Nem toda febre precisa ser tratada com medicamentos. Os antitérmicos são indicados quando:
- A temperatura é igual ou superior a 37,8°C e causa desconforto
- O paciente apresenta mal-estar, dor no corpo ou cefaleia
- Há risco de convulsão febril (crianças predispostas)
- Febre em cardiopatas ou pneumopatas (aumento do consumo de oxigênio)
Medicamentos antitérmicos
- Paracetamol (acetaminofeno): primeira escolha em adultos e crianças. Dose: 500-750 mg a cada 6 horas em adultos; 10-15 mg/kg/dose em crianças. Máximo: 4g/dia em adultos
- Dipirona (metamizol): amplamente utilizada no Brasil. Dose: 500-1000 mg a cada 6 horas em adultos; 10-25 mg/kg/dose em crianças. Excelente antitérmico
- Ibuprofeno: anti-inflamatório com ação antitérmica. Dose: 200-400 mg a cada 6-8 horas em adultos; 5-10 mg/kg/dose em crianças
Atenção: AAS (aspirina) é CONTRAINDICADO em crianças e adolescentes por risco de síndrome de Reye, uma condição grave que afeta o fígado e o cérebro.
Medidas não farmacológicas
- Hidratação: aumentar a ingesta de líquidos (água, sucos, chás). A febre aumenta a perda de água por evaporação
- Roupas leves: não agasalhar excessivamente. Roupas leves facilitam a perda de calor
- Ambiente arejado: manter o ambiente com temperatura agradável
- Compressas mornas: compressas em axilas, virilha e testa. Nunca usar compressas com álcool ou água gelada
- Banho morno: pode ajudar a reduzir a temperatura em 0,5-1°C
- Repouso: o corpo precisa de energia para combater a infecção
Investigação da causa
Quando a febre persiste por mais de 72 horas sem causa aparente, o médico deve investigar com exames laboratoriais (hemograma, PCR, VHS, hemocultura, EAS/urocultura), radiografia de tórax e outros exames direcionados pela história clínica e exame físico.
Prevenção
Como prevenir a Febre e suas Causas (CID R50)
Como a febre é um sintoma e não uma doença, a prevenção se concentra em evitar as condições que a causam, principalmente infecções.
Medidas preventivas
- Vacinação: manter o calendário vacinal atualizado é a medida mais eficaz. Vacinas contra gripe, COVID-19, pneumocócica, meningocócica, hepatite e outras previnem infecções graves que causam febre
- Higiene das mãos: lavar as mãos com água e sabão frequentemente ou usar álcool gel 70%. Previne até 50% das infecções respiratórias e gastrointestinais
- Etiqueta respiratória: cobrir boca e nariz ao tossir e espirrar
- Alimentação e hidratação: dieta equilibrada e boa hidratação mantêm o sistema imunológico forte
- Sono adequado: dormir 7-8 horas por noite. Privação de sono reduz a imunidade
- Atividade física: exercícios moderados regulares fortalecem o sistema imunológico
- Evitar aglomerações: em períodos de surtos de doenças respiratórias
- Proteção contra mosquitos: uso de repelentes e eliminação de criadouros para prevenir dengue, chikungunya e malária
Crianças que estão com a vacinação em dia e mantêm hábitos de higiene adequados apresentam 60-80% menos episódios de febre por infecções ao longo do ano.
Complicações
Complicações da Febre (CID R50)
Na maioria dos casos, a febre é um sintoma benigno e autolimitado. No entanto, febre muito alta ou prolongada pode causar complicações.
Complicações da febre alta
- Convulsão febril: ocorre em 2-5% das crianças entre 6 meses e 5 anos. Embora muito assustadora para os pais, a convulsão febril simples (duração menor que 15 minutos, generalizada, sem recorrência em 24h) é geralmente benigna e não causa danos cerebrais
- Desidratação: a febre aumenta as perdas de água por evaporação e suor. Crianças pequenas e idosos são mais vulneráveis
- Desconforto e prostração: mal-estar geral, dores musculares, cefaleia e inapetência
- Hiperpirexia (acima de 41°C): emergência médica. Pode causar danos aos tecidos, edema cerebral, coagulação intravascular disseminada e falência múltipla de órgãos. Requer resfriamento ativo imediato
Complicações em grupos de risco
- Recém-nascidos (até 28 dias): qualquer febre nessa faixa etária é potencialmente grave e requer avaliação hospitalar imediata com exames e, frequentemente, antibioticoterapia empírica
- Idosos: podem ter infecções graves com pouca febre (resposta imune atenuada). A ausência de febre não descarta infecção grave
- Imunossuprimidos: pacientes em quimioterapia, transplantados ou com HIV têm risco de infecções oportunistas graves
- Cardiopatas e pneumopatas: a febre aumenta o consumo de oxigênio e a frequência cardíaca, podendo descompensar doenças prévias
Complicações do tratamento inadequado da causa
- Sepse: infecção que se espalha pela corrente sanguínea. Pode evoluir rapidamente para choque séptico e morte se não tratada precocemente
- Meningite: febre com rigidez de nuca e alteração de consciência — emergência neurológica
Consulte Sempre um Médico
As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Perguntas Frequentes sobre R50
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