Cistite
Informações sobre Cistite (CID-10: N30). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.
Sobre N30 - Cistite
O que é Cistite (CID N30)?
A cistite, classificada como CID N30, é a inflamação da bexiga urinária, sendo a forma mais comum de infecção do trato urinário (ITU). Na grande maioria dos casos, é causada por bactérias que ascendem pela uretra até a bexiga, provocando sintomas como ardência ao urinar, urgência miccional e aumento da frequência urinária.
A cistite é uma das infecções mais prevalentes no mundo, afetando principalmente mulheres. Estima-se que 50 a 60% das mulheres terão pelo menos um episódio de cistite ao longo da vida, e cerca de 25% apresentarão recorrência. No Brasil, as infecções urinárias representam uma das causas mais frequentes de consultas em pronto-socorro e atenção primária, respondendo por milhões de atendimentos anuais no SUS.
Subtipos do CID N30
- N30.0 — Cistite aguda: a forma mais comum, com início súbito dos sintomas
- N30.1 — Cistite intersticial (crônica): condição crônica de causa não infecciosa, com dor pélvica e urgência miccional
- N30.2 — Outras cistites crônicas
- N30.3 — Trigonite: inflamação localizada no trígono vesical
- N30.4 — Cistite por radiação: secundária a radioterapia pélvica
Por que as mulheres são mais afetadas?
A anatomia feminina é o principal fator: a uretra feminina é curta (3-4 cm, contra 15-20 cm no homem) e próxima ao ânus e à vagina, facilitando a migração de bactérias intestinais para a bexiga. Outros fatores incluem a atividade sexual, alterações hormonais na menopausa e gravidez.
Sintomas
- Disúria: dor ou ardência ao urinar — o sintoma mais característico
- Polaciúria: aumento da frequência urinária (urinar muitas vezes em pequena quantidade)
- Urgência miccional: necessidade imperiosa de urinar, às vezes com incontinência
- Dor suprapúbica: dor ou desconforto na região inferior do abdômen
- Hematúria: presença de sangue na urina (urina avermelhada ou rosada)
- Urina turva e com odor forte
- Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
Diagnóstico
O diagnóstico é geralmente clínico, baseado nos sintomas. O exame de urina (EAS/Urina tipo I) pode mostrar leucócitos, hemácias e bactérias. A urocultura com antibiograma é solicitada em casos de cistite complicada, recorrente ou quando não há resposta ao tratamento empírico. Em mulheres jovens com cistite simples não complicada, o tratamento pode ser iniciado sem exames laboratoriais.
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Causas
Causas da Cistite (CID N30)
A cistite bacteriana ocorre quando microrganismos, geralmente provenientes da flora intestinal, ascendem pela uretra e colonizam a bexiga.
Agentes causadores
- Escherichia coli (E. coli): responsável por 80 a 85% de todas as cistites não complicadas. É uma bactéria presente normalmente no intestino
- Staphylococcus saprophyticus: segunda causa mais comum em mulheres jovens (5-10%)
- Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis, Enterococcus: causas menos frequentes, mais comuns em infecções complicadas
- Fungos (Candida): em pacientes imunossuprimidos, diabéticos ou em uso prolongado de antibióticos
Fatores de risco em mulheres
- Atividade sexual: a relação sexual facilita a ascensão de bactérias pela uretra ("cistite de lua de mel"). Mulheres sexualmente ativas têm risco 3 vezes maior
- Uso de espermicidas e diafragma: alteram a flora vaginal protetora, facilitando a colonização por E. coli
- Menopausa: a queda do estrogênio altera o pH e a flora vaginal, reduzindo as defesas naturais
- Gravidez: alterações anatômicas e hormonais favorecem a estase urinária e a infecção
- Histórico prévio de ITU: quem já teve cistite tem maior risco de recorrência
Fatores de risco gerais
- Retenção urinária: segurar a urina por longos períodos permite a multiplicação bacteriana
- Diabetes mellitus: a glicosúria (açúcar na urina) favorece o crescimento bacteriano
- Cateter vesical: uso de sonda urinária é um dos principais fatores de risco em ambiente hospitalar
- Obstrução do trato urinário: cálculos renais, aumento da próstata (HPB) em homens
- Imunossupressão: HIV, uso de corticoides ou quimioterapia
- Higiene inadequada: limpeza no sentido do ânus para a uretra facilita a contaminação
Cistite intersticial (N30.1)
A cistite intersticial não é causada por infecção bacteriana. Trata-se de uma condição crônica de causa não completamente compreendida, possivelmente relacionada a defeitos na camada protetora (glicosaminoglicanos) da parede vesical, resposta autoimune ou disfunção neuronal. Afeta predominantemente mulheres e causa dor pélvica crônica, urgência e frequência urinária sem infecção comprovada.
Tratamentos
Tratamento da Cistite (CID N30)
O tratamento da cistite bacteriana é feito com antibióticos, cuja escolha depende do tipo de infecção (simples ou complicada), do perfil de resistência local e das características da paciente.
Cistite não complicada em mulheres
Primeira linha de tratamento (conforme diretrizes brasileiras):
- Fosfomicina trometamol 3g: dose única via oral. Prática e eficaz, com baixa taxa de resistência
- Nitrofurantoína 100 mg: 12/12h por 5 dias. Excelente eficácia contra E. coli com poucos efeitos colaterais
- Sulfametoxazol-trimetoprima (Bactrim) 800/160 mg: 12/12h por 3 dias. Opção quando a resistência local é inferior a 20%
Alternativas:
- Cefalexina 500 mg: 6/6h por 7 dias
- Amoxicilina-clavulanato 500/125 mg: 8/8h por 7 dias
Importante: Fluoroquinolonas (ciprofloxacino, norfloxacino) devem ser reservadas para casos complicados devido ao aumento da resistência bacteriana e efeitos adversos significativos.
Cistite complicada
Requer antibioticoterapia guiada por urocultura e antibiograma. Costuma durar 7-14 dias. Inclui casos em homens, gestantes, diabéticos, pacientes com cateter e infecções recorrentes.
Cistite na gestante
Deve ser sempre tratada, mesmo se assintomática (bacteriúria assintomática), pelo risco de evolução para pielonefrite. Antibióticos seguros na gravidez incluem cefalexina, nitrofurantoína (exceto perto do parto) e amoxicilina.
Medidas de alívio sintomático
- Aumento da ingesta hídrica: beber bastante água ajuda a diluir a urina e eliminar bactérias
- Analgésico urinário: fenazopiridina (Pyridium) alivia a dor e a ardência ao urinar. Atenção: deixa a urina alaranjada
- Analgésicos: paracetamol ou dipirona para dor
- Compressas mornas: na região suprapúbica para alívio do desconforto
Profilaxia de cistite recorrente
Para mulheres com 3 ou mais episódios por ano:
- Antibiótico pós-coital: dose única de nitrofurantoína ou fosfomicina após relação sexual
- Profilaxia contínua: nitrofurantoína 50-100 mg/dia por 6-12 meses
- Cranberry (oxicoco): suplementos podem reduzir a adesão bacteriana à parede da bexiga. Evidência moderada
- Estrogênio tópico vaginal: em mulheres na menopausa, restaura a flora vaginal protetora
- D-manose: suplemento que pode prevenir a adesão da E. coli à bexiga
Prevenção
Como prevenir a Cistite (CID N30)
A prevenção da cistite é especialmente importante para mulheres com episódios recorrentes. Medidas simples de higiene e hábitos podem reduzir significativamente o risco.
Medidas preventivas
- Beber bastante água: pelo menos 1,5 a 2 litros por dia. A urina diluída dificulta a multiplicação bacteriana e ajuda a "lavar" a bexiga
- Urinar frequentemente: não segurar a urina por longos períodos. Urinar a cada 2-3 horas
- Urinar após a relação sexual: esvaziar a bexiga logo após o ato sexual ajuda a eliminar bactérias que possam ter ascendido pela uretra
- Higiene correta: limpar-se sempre da frente para trás após ir ao banheiro, para evitar levar bactérias do ânus para a uretra
- Evitar duchas vaginais: alteram a flora vaginal protetora e aumentam o risco de infecção
- Evitar espermicidas: preferir outros métodos contraceptivos quando há cistite recorrente
- Roupas íntimas de algodão: preferir roupas íntimas que permitam ventilação. Evitar roupas muito justas
- Estrogênio tópico na menopausa: restaura as defesas naturais da vagina e uretra
Seguir essas medidas pode reduzir em até 50-60% a recorrência de cistite em mulheres com histórico de infecções urinárias de repetição.
Complicações
Complicações da Cistite (CID N30)
Embora a cistite simples seja uma condição benigna quando tratada adequadamente, a falta de tratamento ou complicações podem levar a quadros mais graves.
Complicações infecciosas
- Pielonefrite (infecção renal): a complicação mais temida. Ocorre quando a infecção ascende da bexiga para os rins. Causa febre alta, calafrios, dor lombar intensa, náuseas e vômitos. Requer tratamento com antibióticos mais potentes e, em casos graves, internação hospitalar
- Sepse urinária (urosepse): a infecção pode se disseminar pela corrente sanguínea, causando sepse — uma condição potencialmente fatal que requer internação em UTI
- Abscesso renal: formação de coleção purulenta no rim, complicação rara mas grave da pielonefrite
Complicações na gestante
- Trabalho de parto prematuro: infecções urinárias não tratadas na gestação aumentam o risco de prematuridade
- Baixo peso ao nascer: associado a infecções urinárias durante a gravidez
- Pielonefrite gestacional: mais frequente e mais grave durante a gravidez
Complicações crônicas
- Cistite recorrente: alguns pacientes desenvolvem padrão de infecções de repetição (3 ou mais episódios por ano)
- Resistência bacteriana: o uso frequente e inadequado de antibióticos pode selecionar bactérias resistentes, dificultando tratamentos futuros
- Cistite intersticial: em casos raros, infecções recorrentes podem contribuir para o desenvolvimento de dor vesical crônica
Quando procurar atendimento de urgência
- Febre acima de 38°C com sintomas urinários
- Dor lombar intensa associada aos sintomas de cistite
- Vômitos que impedem a ingestão de medicamentos
- Gestantes com qualquer sintoma urinário
Consulte Sempre um Médico
As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Perguntas Frequentes sobre N30
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