Psoríase
Informações sobre Psoríase (CID-10: L40). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.
Sobre L40 - Psoríase
O que é Psoríase (CID L40)?
A psoríase, classificada como CID L40, é uma doença inflamatória crônica, autoimune e não contagiosa da pele, caracterizada por placas avermelhadas cobertas por escamas prateadas. Ocorre quando o sistema imunológico ataca erroneamente as células da pele, acelerando seu ciclo de renovação de 28 dias para apenas 3-7 dias.
A psoríase afeta cerca de 2-3% da população mundial. No Brasil, estima-se que 5 milhões de pessoas convivam com a doença, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. Pode surgir em qualquer idade, com picos de incidência entre 15-25 anos e 50-60 anos.
Subtipos do CID L40
- L40.0 — Psoríase vulgar (em placas): a forma mais comum (80-90% dos casos). Placas vermelhas bem delimitadas com escamas prateadas em cotovelos, joelhos, couro cabeludo e região lombar
- L40.1 — Psoríase pustulosa generalizada: forma grave com pústulas (bolhas de pus estéril) disseminadas, febre e mal-estar
- L40.4 — Psoríase gutata: pequenas lesões em forma de gota, comum em crianças e adolescentes após infecção de garganta por estreptococo
- L40.5 — Artropatia psoriásica: psoríase com artrite associada, afetando até 30% dos pacientes
Sintomas
- Placas avermelhadas bem delimitadas cobertas por escamas prateadas ou esbranquiçadas
- Coceira (prurido), queimação e dor nas lesões
- Pele seca que pode rachar e sangrar (sinal de Auspitz)
- Alterações nas unhas: espessamento, descolamento, depressões puntiformes (pitting ungueal)
- Dor e inchaço articular quando há artrite psoriásica
- Fenômeno de Koebner: lesões que surgem em locais de trauma na pele
Áreas mais afetadas
- Cotovelos e joelhos
- Couro cabeludo
- Região lombar (sacral)
- Unhas das mãos e pés
- Palmas e plantas (psoríase palmoplantar)
- Dobras cutâneas (psoríase inversa)
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico, baseado no aspecto típico das lesões. Biópsia de pele pode ser necessária em casos atípicos. Exames laboratoriais (PCR, VHS, ácido úrico, fator reumatoide) ajudam a avaliar atividade inflamatória e excluir artrite reumatoide quando há queixa articular.
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Causas
Causas da Psoríase (CID L40)
A psoríase é uma doença autoimune com forte componente genético, na qual o sistema imunológico se torna hiperativo e ataca as células da própria pele.
Fatores genéticos
- Hereditariedade: 30-40% dos pacientes têm histórico familiar. Se um dos pais tem psoríase, o risco do filho é de 15-20%; se ambos têm, chega a 50-75%
- Genes HLA: a associação mais forte é com o alelo HLA-Cw6, presente em 60% dos pacientes com psoríase precoce
- Mais de 80 genes de suscetibilidade já foram identificados
Mecanismo imunológico
Na psoríase, células T do sistema imunológico são ativadas erroneamente e migram para a pele, liberando citocinas inflamatórias (TNF-alfa, IL-17, IL-23, IL-12) que estimulam a proliferação acelerada dos queratinócitos (células da pele).
Fatores desencadeantes
- Estresse emocional: o principal gatilho em até 40% dos pacientes. Ativa o eixo neuroendócrino-imune
- Infecções: infecção de garganta por estreptococo desencadeia psoríase gutata. HIV pode causar psoríase grave
- Medicamentos: lítio, betabloqueadores, antimaláricos, AINEs, corticoides sistêmicos (piora na retirada)
- Trauma na pele: fenômeno de Koebner — lesões surgem em locais de cortes, arranhões, tatuagens ou queimaduras solares
- Tabagismo: fumantes têm risco 2 vezes maior e doença mais grave
- Álcool: consumo excessivo piora a doença e reduz a resposta ao tratamento
- Obesidade: o tecido adiposo produz citocinas pró-inflamatórias que agravam a psoríase
- Clima: frio e baixa umidade pioram; exposição solar moderada melhora
Tratamentos
Tratamento da Psoríase (CID L40)
O tratamento é individualizado conforme a gravidade (leve, moderada ou grave), localização e impacto na qualidade de vida.
Tratamento tópico (psoríase leve — <10% da superfície corporal)
- Corticoides tópicos: primeira linha para a maioria dos pacientes. Potência alta (betametasona, clobetasol) para corpo; potência baixa a média para face e dobras
- Análogos da vitamina D: calcipotriol (isolado ou combinado com betametasona — Daivobet). Reduz a proliferação celular
- Coaltar (alcatrão de hulha): usado em xampus para psoríase do couro cabeludo
- Inibidores de calcineurina: tacrolimo para áreas sensíveis (face, genitais)
- Ácido salicílico: queratolítico para remover as escamas espessas
Fototerapia (psoríase moderada)
- UVB narrow-band (311nm): a forma mais utilizada. Sessões 2-3 vezes por semana por 2-3 meses
- PUVA: psoraleno + UVA — eficaz mas com mais efeitos colaterais
- Excimer laser: UVB concentrado para lesões localizadas
Tratamento sistêmico (psoríase moderada a grave — >10% da superfície corporal ou impacto significativo)
Medicamentos convencionais:
- Metotrexato: imunossupressor mais prescrito no SUS para psoríase. Comprimidos ou injeção semanal
- Ciclosporina: imunossupressor potente para controle rápido de crises. Uso por até 2 anos
- Acitretina: retinoide oral, especialmente eficaz para psoríase pustulosa e palmoplantar
Terapia biológica (imunobiológicos):
- Anti-TNF: adalimumabe, infliximabe, etanercepte
- Anti-IL-17: secuquinumabe, ixequizumabe — eficácia superior a 80% (PASI 90)
- Anti-IL-23: guselcumabe, risanquizumabe — alta eficácia e doses espaçadas (a cada 8 semanas)
- Anti-IL-12/23: ustequinumabe
Inibidores de PDE4 oral:
- Apremilaste: comprimido oral para psoríase moderada, alternativa a imunossupressores
Tratamento pelo SUS
O SUS oferece metotrexato, ciclosporina, acitretina e fototerapia. Imunobiológicos podem ser obtidos por protocolo clínico (PCDT) em centros especializados ou por via judicial.
Prevenção
Como prevenir crises de Psoríase (CID L40)
Não é possível prevenir o surgimento da psoríase em pessoas geneticamente predispostas, mas é possível reduzir a frequência e gravidade das crises.
Medidas preventivas
- Gerenciar estresse: técnicas de relaxamento, meditação, exercícios e, quando necessário, psicoterapia. O estresse é o gatilho mais comum
- Não fumar: o tabagismo piora a psoríase e reduz a eficácia dos tratamentos
- Moderar álcool: o consumo excessivo agrava a doença e interage com medicamentos
- Manter peso saudável: a perda de peso em obesos melhora significativamente a psoríase e a resposta ao tratamento
- Exposição solar moderada: sol em doses moderadas melhora a psoríase. Evitar queimaduras solares (fenômeno de Koebner)
- Hidratar a pele: emolientes diários mantêm a pele menos seca e reduzem descamação
- Evitar traumas na pele: prevenir cortes, arranhões e irritações que podem desencadear novas lesões
- Tratar infecções rapidamente: especialmente faringite estreptocócica em pacientes com psoríase gutata
- Adesão ao tratamento: manter o tratamento de manutenção mesmo nos períodos de remissão
Complicações
Complicações da Psoríase (CID L40)
A psoríase é uma doença sistêmica que vai além da pele, associada a diversas comorbidades.
Artrite psoriásica (L40.5)
Afeta até 30% dos pacientes com psoríase. Causa dor, inchaço e rigidez nas articulações, podendo levar a deformidades irreversíveis se não tratada. Pode afetar qualquer articulação, incluindo coluna e articulações sacroilíacas.
Comorbidades cardiovasculares
- Risco cardiovascular aumentado: pacientes com psoríase grave têm risco 50% maior de infarto e AVC
- Síndrome metabólica: obesidade, diabetes, hipertensão e dislipidemia são mais comuns em pacientes com psoríase
- Aterosclerose acelerada: a inflamação sistêmica crônica danifica os vasos sanguíneos
Impacto psicossocial
- Depressão: prevalência 2-3 vezes maior que na população geral. Até 10% dos pacientes têm ideação suicida
- Ansiedade social: vergonha das lesões visíveis pode levar ao isolamento
- Estigmatização: muitas pessoas confundem psoríase com doença contagiosa
- Impacto na vida sexual: lesões genitais afetam até 40% dos pacientes
Outras comorbidades
- Doença hepática gordurosa: mais prevalente em pacientes com psoríase
- Doença inflamatória intestinal: doença de Crohn e retocolite são mais comuns
- Linfoma: risco discretamente aumentado, especialmente com uso prolongado de alguns tratamentos
Consulte Sempre um Médico
As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Perguntas Frequentes sobre L40
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