CID L20 - Dermatite Atópica (Eczema) | Sintomas, Causas e Tratamento | MediLife
L20

Dermatite atópica

Informações sobre Dermatite atópica (CID-10: L20). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.

Sobre L20 - Dermatite atópica

O que é Dermatite Atópica (CID L20)?

A dermatite atópica, classificada como CID L20, é uma doença inflamatória crônica da pele caracterizada por coceira intensa, pele seca e lesões eczematosas recorrentes. É a forma mais comum de eczema e uma das doenças dermatológicas mais frequentes, especialmente em crianças.

A dermatite atópica afeta cerca de 15-20% das crianças e 3-5% dos adultos no mundo. No Brasil, estima-se que mais de 10 milhões de pessoas convivam com a doença. Faz parte da chamada "marcha atópica", junto com asma e rinite alérgica, condições que frequentemente coexistem no mesmo paciente ou família.

Subtipos do CID L20

  • L20.0 — Prurigo de Besnier: forma clássica do adulto
  • L20.8 — Outras dermatites atópicas: eczema flexural, neurodermite difusa
  • L20.9 — Dermatite atópica não especificada

Sintomas por faixa etária

Bebês (0-2 anos):

  • Lesões na face (bochechas), couro cabeludo e superfícies extensoras dos membros
  • Pele vermelha, descamativa e com crostas
  • Coceira intensa que interfere no sono

Crianças (2-12 anos):

  • Lesões nas dobras (cotovelos, joelhos, pescoço, pulsos, tornozelos)
  • Pele espessada e áspera (liquenificação)
  • Coceira crônica com escoriações

Adolescentes e adultos:

  • Lesões nas dobras, mãos, pescoço, pálpebras e face
  • Pele muito seca, espessada e pigmentada
  • Coceira intensa e persistente

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Hanifin e Rajka. Não existe exame específico para dermatite atópica. IgE total e IgE específicas podem estar elevadas, mas não são necessárias para o diagnóstico. Biópsia de pele é raramente necessária, apenas para excluir outras condições.

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Causas

Causas da Dermatite Atópica (CID L20)

A dermatite atópica é uma doença multifatorial, resultante da interação entre predisposição genética, disfunção da barreira cutânea e desregulação imunológica.

Fatores genéticos

  • Mutação no gene da filagrina (FLG): presente em 20-40% dos pacientes, causa defeito na barreira cutânea. A filagrina é uma proteína essencial para a integridade da camada córnea da pele
  • Hereditariedade: se um dos pais tem dermatite atópica, o risco da criança é de 50%. Se ambos têm, chega a 80%
  • Associação com outras doenças atópicas: asma, rinite alérgica e alergias alimentares compartilham a mesma predisposição genética

Disfunção da barreira cutânea

  • A pele atópica tem deficiência de ceramidas e lipídios intercelulares, resultando em pele seca que perde água facilmente (aumento da perda transepidérmica de água)
  • A barreira comprometida permite a entrada de alérgenos, irritantes e microrganismos, desencadeando inflamação

Desregulação imunológica

  • Resposta imune Th2 (tipo 2) exagerada, com produção aumentada de citocinas como IL-4, IL-5, IL-13 e IL-31 (esta última responsável pela coceira intensa)
  • Produção elevada de IgE (anticorpo associado a alergias)

Fatores desencadeantes e agravantes

  • Irritantes: sabonetes, detergentes, tecidos sintéticos ou de lã, suor excessivo
  • Alérgenos: ácaros, pólen, pelos de animais, mofo
  • Clima: frio e ar seco pioram; calor excessivo e suor também
  • Estresse emocional: fator agravante importante
  • Infecções: Staphylococcus aureus coloniza a pele de 90% dos pacientes atópicos e agrava as lesões
  • Alimentos: em crianças pequenas, leite de vaca, ovo, trigo, soja e amendoim podem desencadear crises (confirmados por teste de provocação oral)

Tratamentos

Tratamento da Dermatite Atópica (CID L20)

O tratamento da dermatite atópica envolve cuidados diários com a pele, controle de crises inflamatórias e, em casos graves, terapias sistêmicas.

Cuidados básicos (pilar do tratamento)

  • Hidratação intensiva: aplicar hidratante (emoliente) pelo menos 2 vezes ao dia em todo o corpo, imediatamente após o banho (nos primeiros 3 minutos). Cremes com ceramidas, ureia ou ácido hialurônico são preferíveis
  • Banho adequado: morno (não quente), curto (5-10 minutos), com sabonete suave sem perfume (syndets). Evitar bucha e esfregar a pele
  • Roupas: preferir algodão. Evitar lã, nylon e tecidos sintéticos
  • Ambiente: manter a casa limpa, controlar ácaros, evitar carpetes e cortinas pesadas

Tratamento tópico (crises)

  • Corticoides tópicos: são a base do tratamento das crises. Potência baixa (hidrocortisona) para face e dobras; potência média (mometasona, betametasona) para corpo. Usar pelo tempo necessário para controlar a crise (7-14 dias)
  • Inibidores de calcineurina tópicos: tacrolimo e pimecrolimo — alternativas aos corticoides para áreas sensíveis (face, pescoço, genitais) e uso prolongado. Não causam atrofia da pele
  • Crisaborole (inibidor de PDE4): pomada anti-inflamatória não esteroidal para doença leve a moderada
  • Terapia proativa: aplicação de corticoide ou tacrolimo 2 vezes por semana nas áreas que costumam ter crises, mesmo quando a pele está aparentemente normal — reduz recorrências em 50-70%

Tratamento sistêmico (doença moderada a grave)

  • Dupilumabe: anticorpo monoclonal anti-IL-4/IL-13, revolucionou o tratamento. Injeção subcutânea a cada 2 semanas. Melhora de 70-80% dos sintomas. Aprovado para adultos e crianças a partir de 6 meses
  • Inibidores de JAK: baricitinibe, upadacitinibe, abrocitinibe — comprimidos orais com resposta rápida (dias). Alternativa ao dupilumabe
  • Ciclosporina: imunossupressor oral para crises graves, uso por curto período (3-6 meses)
  • Metotrexato e azatioprina: imunossupressores convencionais para casos refratários
  • Fototerapia (UVB narrow-band): exposição controlada à radiação ultravioleta, eficaz para doença moderada a grave

Prevenção

Como prevenir a Dermatite Atópica (CID L20)

A prevenção completa não é possível em indivíduos geneticamente predispostos, mas é possível reduzir a frequência e gravidade das crises.

Prevenção primária (em bebês de risco)

  • Hidratação da pele desde o nascimento: estudos mostram que aplicar emoliente desde as primeiras semanas de vida em bebês de risco (pais atópicos) pode reduzir o desenvolvimento de dermatite atópica em 30-50%
  • Aleitamento materno: amamentação exclusiva por 6 meses é recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria
  • Introdução alimentar adequada: não atrasar a introdução de alimentos potencialmente alergênicos (ovo, amendoim) — a introdução precoce e regular pode ser protetora

Prevenção de crises

  • Hidratação diária constante: mesmo nos períodos sem crise, manter a pele bem hidratada
  • Evitar gatilhos conhecidos: irritantes (sabonetes perfumados, amaciantes), alérgenos identificados, temperaturas extremas
  • Controle do estresse: técnicas de relaxamento e, quando necessário, acompanhamento psicológico
  • Terapia proativa: aplicação tópica preventiva nas áreas de crise
  • Manter unhas curtas: reduz lesões por coçar, especialmente em crianças

Complicações

Complicações da Dermatite Atópica (CID L20)

A dermatite atópica pode causar complicações significativas, especialmente quando grave ou mal controlada.

Complicações infecciosas

  • Infecção bacteriana (impetigo): o Staphylococcus aureus infecta as lesões eczematosas, causando crostas amareladas, pus e piora da inflamação. Necessita de antibiótico tópico ou sistêmico
  • Eczema herpético (erupção variceliforme de Kaposi): infecção pelo vírus herpes simples sobre a pele atópica. É uma emergência dermatológica com vesículas disseminadas, febre e mal-estar
  • Molusco contagioso: infecção viral mais extensa e persistente em pele atópica

Complicações oculares

  • Conjuntivite alérgica: coceira e vermelhidão nos olhos
  • Ceratoconjuntivite atópica: inflamação crônica que pode afetar a visão
  • Catarata subcapsular anterior: em casos graves de longa duração ou uso prolongado de corticoides

Impacto psicossocial

  • Distúrbios do sono: a coceira noturna é devastadora para a qualidade do sono do paciente e da família
  • Ansiedade e depressão: prevalência significativamente maior em pacientes com dermatite atópica
  • Bullying e isolamento social: crianças com lesões visíveis podem sofrer estigmatização
  • Impacto econômico: custos com tratamento e faltas no trabalho ou escola

Marcha atópica

  • Asma: 30-50% dos pacientes com dermatite atópica desenvolverão asma
  • Rinite alérgica: presente em até 75% dos pacientes
  • Alergias alimentares: mais comuns em crianças com dermatite atópica grave

Consulte Sempre um Médico

As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes sobre L20

A dermatite atópica, CID L20, é uma doença inflamatória crônica da pele que causa coceira intensa, pele seca e lesões vermelhas e descamativas. É a forma mais comum de eczema, afetando 15-20% das crianças e 3-5% dos adultos. Tem base genética e está frequentemente associada a asma e rinite alérgica.
A dermatite atópica não tem cura, mas pode ser muito bem controlada. Em muitas crianças (60-70%), a doença melhora significativamente ou desaparece até a adolescência. Em adultos, tende a ser crônica com períodos de crise e melhora. Novos tratamentos como dupilumabe e inibidores de JAK oferecem controle excelente para formas graves.
Coceira intensa (sintoma principal e mais incapacitante), pele seca e áspera, lesões vermelhas e descamativas, especialmente nas dobras dos braços e pernas, pescoço e face. A coceira piora à noite e pode perturbar gravemente o sono. A pele pode ficar espessada e escurecida pelo ato crônico de coçar.
O dermatologista é o especialista principal para diagnóstico e tratamento. Para crianças, o pediatra ou o alergista pediátrico também podem acompanhar. Em casos graves que necessitem de tratamentos sistêmicos avançados, o acompanhamento com dermatologista especializado em atopia é recomendado.
Em casos graves, sim. Dermatite atópica severa com lesões extensas, infecções secundárias recorrentes ou acometimento das mãos que impeça atividades profissionais pode dar direito a auxílio-doença. A avaliação é feita por perícia do INSS, considerando a gravidade da doença e o impacto na capacidade de trabalho.
O tratamento é contínuo e de longo prazo. A hidratação diária da pele é permanente. Corticoides tópicos são usados por 7-14 dias durante crises. Terapia proativa preventiva é feita 2 vezes por semana. Tratamentos sistêmicos como dupilumabe podem ser usados por anos. O acompanhamento dermatológico é contínuo.

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