CID S82 - Fratura da Perna e Tornozelo | Tipos, Tratamento e Recuperação | MediLife
S82

Fratura da perna incluindo tornozelo

Informações sobre Fratura da perna incluindo tornozelo (CID-10: S82). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.

Sobre S82 - Fratura da perna incluindo tornozelo

O que é Fratura da Perna e do Tornozelo (CID S82)?

A fratura da perna incluindo o tornozelo, classificada como CID S82, refere-se à quebra de um ou ambos os ossos da perna: a tíbia (o osso principal e mais largo, que suporta o peso) e a fíbula (osso mais fino, na parte lateral). Inclui também as fraturas do tornozelo (maléolos), que são extremamente comuns.

As fraturas da perna representam uma parcela significativa dos atendimentos ortopédicos de emergência. A fratura de tornozelo é uma das fraturas mais comuns em adultos, enquanto a fratura da diáfise da tíbia é a fratura de osso longo mais frequente. No Brasil, acidentes de trânsito (especialmente envolvendo motocicletas) são a principal causa de fraturas graves da perna.

Tipos de fratura (subtipos do CID S82)

  • S82.0 — Fratura da patela (rótula): fratura do osso do joelho
  • S82.1 — Fratura da extremidade superior da tíbia (platô tibial): fratura articular do joelho
  • S82.2 — Fratura da diáfise da tíbia: fratura do corpo da tíbia
  • S82.3 — Fratura da extremidade distal da tíbia (pilão tibial): fratura articular do tornozelo
  • S82.4 — Fraturas da fíbula: isoladas ou associadas
  • S82.5 — Fratura do maléolo medial: proeminência óssea interna do tornozelo
  • S82.6 — Fratura do maléolo lateral: proeminência óssea externa do tornozelo
  • S82.7 — Fraturas múltiplas da perna
  • S82.8 — Fratura bimaleolar/trimaleolar: fratura de ambos ou três maléolos do tornozelo

Sintomas

  • Dor intensa que impede colocar peso sobre a perna
  • Inchaço volumoso e rápido
  • Deformidade evidente (angulação ou encurtamento da perna)
  • Impossibilidade de caminhar
  • Hematoma extenso
  • Formigamento ou palidez do pé (sinal de comprometimento vascular — emergência)

Diagnóstico

Radiografia da perna incluindo joelho e tornozelo em duas incidências. Tomografia computadorizada é essencial para fraturas articulares (platô tibial, pilão tibial, fraturas complexas de tornozelo) para planejamento cirúrgico. Ressonância magnética pode ser necessária para avaliar lesões ligamentares associadas.

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Causas

Causas da Fratura da Perna e do Tornozelo (CID S82)

As fraturas da perna ocorrem por traumas de diferentes energias, e a gravidade está diretamente relacionada à magnitude da força aplicada.

Mecanismos de trauma

  • Acidentes de trânsito: especialmente motocicletas. São a principal causa de fraturas graves e expostas da tíbia no Brasil. A fratura da tíbia por atropelamento é uma lesão clássica chamada "fratura do para-choque"
  • Entorse de tornozelo: mecanismo mais comum de fratura maleolar. O pé vira para dentro (inversão) ou para fora (eversão) com força suficiente para quebrar o maléolo em vez de apenas lesionar ligamentos
  • Queda de altura: fraturas do platô tibial (joelho) e do pilão tibial (tornozelo) por impacto axial
  • Trauma esportivo: futebol (entrada de carrinho), esqui, basquete, corrida
  • Queda simples: em idosos com osteoporose, uma queda doméstica pode causar fratura do tornozelo
  • Trauma direto: pancada direta na perna em acidentes

Fatores de risco

  • Motociclismo: motociclistas são o grupo com maior risco de fraturas da tíbia no Brasil
  • Esportes de impacto: futebol, esqui, basquete, atletismo
  • Osteoporose: em idosos, principalmente mulheres pós-menopáusicas
  • Fraturas de estresse: em corredores, militares e atletas. Microtraumas repetitivos na tíbia (canelite avançada)
  • Idade avançada: maior risco de quedas e ossos mais frágeis

Classificações importantes

  • Fraturas de tornozelo (Weber): classificadas conforme a altura da fratura da fíbula em relação à sindesmose (ligamento entre tíbia e fíbula). Weber A (abaixo), B (ao nível) e C (acima) — esta classificação orienta o tratamento
  • Fraturas expostas (Gustilo-Anderson): classificadas em graus I, II, IIIA, IIIB e IIIC conforme a gravidade da lesão de partes moles

Tratamentos

Tratamento da Fratura da Perna e do Tornozelo (CID S82)

O tratamento depende do osso fraturado, da estabilidade, do envolvimento articular e da gravidade das lesões associadas.

Tratamento conservador

Indicado para fraturas estáveis e sem desvio significativo:

  • Fratura de tornozelo estável (Weber A sem desvio): bota gessada ou bota ortopédica removível por 6 semanas. Carga parcial com muletas progressiva
  • Fratura de fíbula isolada estável: bota gessada ou imobilizador por 4-6 semanas
  • Fratura da tíbia sem desvio: gesso suropodálico (joelho a pé) por 8-12 semanas em casos selecionados
  • Analgesia: paracetamol, dipirona e anti-inflamatórios. Opioides fracos (tramadol) para dor intensa inicial

Tratamento cirúrgico

Necessário na maioria das fraturas desviadas e articulares:

Fraturas de tornozelo:

  • Redução aberta e fixação interna (RAFI) com placa e parafusos para fraturas desviadas
  • Parafuso sindesmótico quando há lesão da sindesmose (Weber C)
  • A cirurgia deve ser realizada idealmente em até 24-48 horas, antes do inchaço dificultar o procedimento

Fraturas da diáfise da tíbia:

  • Haste intramedular bloqueada: é o tratamento padrão-ouro. A haste é inserida pelo canal medular da tíbia, com parafusos de bloqueio nas extremidades. Permite carga precoce
  • Fixador externo: para fraturas expostas ou com lesão grave de partes moles. Estabilização temporária até que as condições permitam fixação definitiva
  • Placa e parafusos: para fraturas proximais ou distais, onde a haste intramedular não é adequada

Fraturas do platô tibial:

  • Frequentemente requerem tomografia para planejamento
  • Fixação com placas e parafusos, eventualmente com enxerto ósseo para preencher depressão articular

Reabilitação

  • Fisioterapia: essencial para recuperar a mobilidade do joelho e tornozelo, força muscular e marcha normal
  • Carga progressiva: conforme orientação do ortopedista, com base na estabilidade da fixação e nos sinais de consolidação
  • Tempo de consolidação: 8-16 semanas para tíbia, 6-8 semanas para tornozelo
  • Retorno ao esporte: 4-6 meses para fraturas simples, 6-12 meses para fraturas complexas

Prevenção

Como prevenir Fraturas da Perna e do Tornozelo (CID S82)

A prevenção envolve segurança no trânsito, prática esportiva adequada e fortalecimento ósseo e muscular.

Medidas preventivas

  • Segurança no trânsito: uso de equipamentos de proteção para motociclistas (botas, caneleiras), respeito às leis de trânsito e direção defensiva
  • Fortalecimento muscular: fortalecer a musculatura da perna (panturrilha, quadríceps, isquiotibiais) protege os ossos e as articulações contra impactos
  • Treino proprioceptivo: exercícios de equilíbrio em prancha instável reduzem o risco de entorse e fratura de tornozelo. Essencial para atletas
  • Calçado adequado: usar calçados estáveis e com bom suporte. Evitar saltos altos em superfícies irregulares
  • Fortalecimento ósseo: cálcio, vitamina D e exercícios com carga para manter a densidade óssea
  • Aquecimento e alongamento: antes de atividades esportivas, aquecer e alongar a musculatura das pernas
  • Prevenção de quedas em idosos: adaptação do ambiente doméstico, exercícios de equilíbrio e revisão de medicamentos
  • Progressão gradual em corrida: aumentar volume e intensidade de corrida gradualmente para prevenir fraturas de estresse

O treino proprioceptivo regular reduz em até 50% o risco de entorses de tornozelo e fraturas maleolares em atletas.

Complicações

Complicações da Fratura da Perna e do Tornozelo (CID S82)

As fraturas da perna são propensas a diversas complicações, especialmente pela localização subcutânea da tíbia (pouca cobertura de tecidos moles) e pela alta energia frequentemente envolvida.

Complicações agudas

  • Síndrome compartimental: a complicação aguda mais temida. Aumento da pressão nos compartimentos musculares da perna que compromete a circulação. Sinais: dor desproporcional à lesão, dor ao esticar os dedos do pé passivamente, tensão da perna. Emergência cirúrgica — fasciotomia em até 6 horas para evitar necrose muscular e amputação
  • Fratura exposta: fraturas da tíbia são as que mais frequentemente se tornam expostas, pois o osso é coberto apenas por pele na face anteromedial. Risco alto de infecção — requer limpeza cirúrgica e antibióticos
  • Lesão vascular: especialmente em fraturas do platô tibial (artéria poplítea) e fraturas de alta energia
  • Trombose venosa profunda (TVP): risco aumentado pela imobilização e lesão vascular

Complicações tardias

  • Pseudoartrose (não-união): a tíbia é o osso longo com maior taxa de não-consolidação, especialmente em fraturas expostas, fumantes e diabéticos. Pode necessitar de nova cirurgia com enxerto ósseo
  • Consolidação viciosa: cicatrização em posição inadequada com desvio angular ou rotacional, podendo causar alteração da marcha e artrose
  • Infecção: osteomielite (infecção do osso) é uma complicação grave, especialmente em fraturas expostas e após cirurgia com implantes metálicos
  • Rigidez articular: perda de mobilidade do joelho ou tornozelo
  • Artrose pós-traumática: desgaste articular em fraturas que atingem a superfície do joelho ou tornozelo
  • Dor crônica: após implante de material metálico, alguns pacientes referem dor e desconforto no local das placas e parafusos

Consulte Sempre um Médico

As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes sobre S82

O CID S82 engloba fraturas dos ossos da perna (tíbia e fíbula) e do tornozelo (maléolos). A fratura de tornozelo é uma das mais comuns em adultos, e a fratura da diáfise da tíbia é a fratura de osso longo mais frequente. Podem variar de fraturas simples do tornozelo a fraturas graves por acidentes de trânsito.
Sim, a grande maioria consolida com tratamento adequado. A tíbia leva 8-16 semanas para consolidar, e fraturas de tornozelo 6-8 semanas. A recuperação funcional completa com fisioterapia leva de 3 a 6 meses para fraturas simples e até 12 meses para fraturas complexas. Tabagismo e diabetes podem retardar a cicatrização.
Os sintomas incluem dor intensa que impede pisar no chão, inchaço volumoso e rápido, deformidade visível (perna torta ou encurtada), hematoma extenso e impossibilidade de caminhar. Formigamento, palidez ou frialdade do pé são sinais de alerta de comprometimento vascular que exigem atendimento imediato.
Procure o pronto-socorro imediatamente. O ortopedista traumatologista é o especialista responsável pelo tratamento. Fraturas graves podem necessitar de ortopedista subespecializado em trauma. O acompanhamento pós-operatório inclui fisioterapia intensiva para recuperação da marcha e função.
Sim, fraturas da perna e tornozelo geram afastamento prolongado. Fraturas simples de tornozelo: 60-90 dias. Fraturas da diáfise da tíbia: 90-180 dias. Fraturas complexas: 6-12 meses ou mais. O tempo varia conforme a gravidade, o tipo de trabalho e a evolução da consolidação. Fraturas graves podem gerar aposentadoria por invalidez.
Fraturas de tornozelo simples: 6-8 semanas para consolidação óssea, 3-4 meses para caminhar normalmente. Fraturas da tíbia: 8-16 semanas para consolidar. Fraturas complexas ou expostas: até 6 meses. A fisioterapia deve iniciar o mais cedo possível e continuar por vários meses. Retorno ao esporte leva 6-12 meses.

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