CID S52 - Fratura do Antebraço | Tipos, Tratamento e Recuperação | MediLife
S52

Fratura do antebraço

Informações sobre Fratura do antebraço (CID-10: S52). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.

Sobre S52 - Fratura do antebraço

O que é Fratura do Antebraço (CID S52)?

A fratura do antebraço, classificada como CID S52, refere-se à quebra de um ou ambos os ossos do antebraço: o rádio (osso do lado do polegar) e a ulna (osso do lado do dedo mínimo). É uma das fraturas mais comuns em ortopedia, afetando todas as faixas etárias, desde crianças até idosos.

As fraturas do antebraço representam aproximadamente 15-20% de todas as fraturas atendidas em pronto-socorros. Em crianças, é a fratura mais frequente, responsável por até 40% das fraturas pediátricas. Em idosos, especialmente mulheres com osteoporose, a fratura da extremidade distal do rádio (fratura de Colles) é extremamente comum.

Tipos de fratura do antebraço

  • S52.0 — Fratura da extremidade superior da ulna: fratura do olécrano (ponta do cotovelo) ou processo coronoide
  • S52.1 — Fratura da extremidade superior do rádio: fratura da cabeça do rádio, comum em quedas com o braço estendido
  • S52.2 — Fratura da diáfise da ulna: fratura do corpo da ulna
  • S52.3 — Fratura da diáfise do rádio: fratura do corpo do rádio
  • S52.4 — Fraturas da diáfise do rádio e da ulna: fratura de ambos os ossos
  • S52.5 — Fratura da extremidade distal do rádio (fratura de Colles/Smith): a mais comum, na região do punho
  • S52.6 — Fratura da extremidade distal do rádio e da ulna: fratura de ambos os ossos na região do punho

Sintomas

  • Dor intensa e imediata no local da fratura
  • Inchaço (edema) progressivo
  • Deformidade visível (angulação ou encurtamento do antebraço)
  • Incapacidade de movimentar o braço ou o punho
  • Hematoma e equimose (roxo)
  • Crepitação (ruído de atrito entre fragmentos ósseos)
  • Formigamento ou dormência nos dedos (quando há comprometimento nervoso)

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por radiografia do antebraço em pelo menos duas incidências (anteroposterior e lateral), sempre incluindo as articulações do cotovelo e do punho. A tomografia computadorizada pode ser necessária para fraturas articulares complexas. Em crianças, as fraturas podem ser incompletas ("galho verde") e mais difíceis de visualizar.

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Causas

Causas da Fratura do Antebraço (CID S52)

As fraturas do antebraço são causadas por traumas que superam a resistência mecânica dos ossos.

Mecanismos de trauma mais comuns

  • Queda com apoio sobre a mão estendida (FOOSH - Fall On Outstretched Hand): o mecanismo mais frequente. A energia do impacto é transmitida pela mão até o antebraço, causando fratura. É a causa clássica da fratura de Colles (extremidade distal do rádio)
  • Trauma direto: pancada direta no antebraço, comum em acidentes de trânsito, agressões e esportes de contato
  • Queda de altura: crianças caindo de playground, bicicleta ou skate
  • Acidentes de trânsito: causa frequente de fraturas complexas de ambos os ossos
  • Esportes: futebol (queda), skate, patins, ciclismo, artes marciais

Fatores de risco

  • Crianças: ossos em crescimento são mais vulneráveis. A placa de crescimento (fise) é um ponto fraco que pode ser afetado
  • Osteoporose: ossos enfraquecidos em mulheres pós-menopáusicas e idosos. Uma queda simples pode causar fratura
  • Deficiência de vitamina D e cálcio: ossos mais frágeis
  • Idade avançada: perda de massa óssea e maior risco de quedas
  • Atividades de risco: esportes de impacto, trabalho em alturas

Fraturas específicas

  • Fratura de Colles: fratura da extremidade distal do rádio com desvio dorsal. A mais comum em idosos que caem com a mão espalmada
  • Fratura de Smith: fratura distal do rádio com desvio palmar (queda com punho flexionado)
  • Fratura de Monteggia: fratura da ulna associada a luxação da cabeça do rádio no cotovelo
  • Fratura de Galeazzi: fratura do rádio associada a luxação da ulna no punho
  • Fratura de Nightstick: fratura isolada da diáfise da ulna por trauma direto (defesa de agressão)

Tratamentos

Tratamento da Fratura do Antebraço (CID S52)

O tratamento depende do tipo de fratura, sua localização, grau de desvio e idade do paciente.

Tratamento conservador (sem cirurgia)

Indicado para fraturas estáveis, sem desvio significativo ou com desvio aceitável:

  • Redução fechada: manipulação dos fragmentos sob anestesia para realinhar o osso
  • Imobilização gessada: gesso ou tala mantendo o antebraço imóvel por 4 a 8 semanas, dependendo da fratura. Em fraturas do punho, gesso axilopalmar (braço todo) nas primeiras 2-3 semanas, depois gesso antebraquiopalmar (apenas antebraço)
  • Controle radiográfico semanal: nos primeiros 14 dias para verificar se não houve perda da redução
  • Analgésicos: paracetamol e dipirona. Anti-inflamatórios após os primeiros dias

Tratamento cirúrgico

Indicado em fraturas com desvio significativo, instáveis, articulares, expostas (osso perfura a pele) ou que perdem a redução:

  • Redução aberta e fixação interna (RAFI): placa e parafusos para manter os fragmentos alinhados. Procedimento mais comum em adultos com fraturas desviadas da diáfise
  • Fixação com fios de Kirschner: fios metálicos finos que mantêm os fragmentos, muito utilizados em fraturas do punho e em crianças
  • Fixador externo: estrutura metálica externa conectada ao osso por pinos. Usado em fraturas expostas ou muito cominutivas (vários fragmentos)
  • Hastes intramedulares: haste inserida dentro do canal do osso, mais comum em crianças

Reabilitação

  • Fisioterapia: iniciada assim que a fratura estiver estabilizada (imediata em pós-operatório ou após retirada do gesso). Inclui exercícios de mobilidade, fortalecimento e destreza
  • Mobilização precoce: mover os dedos e o ombro desde o primeiro dia de imobilização para prevenir rigidez
  • Tempo de consolidação: 6 a 8 semanas em adultos, 4 a 6 semanas em crianças
  • Retorno às atividades: 2 a 3 meses para atividades leves, 4 a 6 meses para esportes de impacto

Prevenção

Como prevenir Fraturas do Antebraço (CID S52)

A prevenção envolve a redução do risco de quedas e o fortalecimento dos ossos.

Medidas preventivas

  • Prevenção de quedas em idosos: iluminação adequada, barras de apoio no banheiro, tapetes antiderrapantes, remoção de obstáculos no chão, uso de calçados adequados e avaliação de medicamentos que causam tontura
  • Equipamentos de proteção: uso de protetores de punho em esportes como skate, patins e ciclismo
  • Fortalecimento ósseo: dieta rica em cálcio (leite, queijo, iogurte, vegetais verde-escuros) e vitamina D (exposição solar de 15-20 minutos diários, suplementação quando indicada)
  • Exercícios de equilíbrio: tai chi, pilates e exercícios proprioceptivos reduzem o risco de quedas em idosos
  • Tratamento da osteoporose: densitometria óssea para rastreamento em mulheres acima de 65 anos e tratamento quando indicado
  • Supervisão de crianças: uso adequado de playground, capacete e equipamentos de proteção em atividades esportivas
  • Atividade física regular: exercícios com carga (musculação, caminhada) estimulam a formação óssea

Programas de prevenção de quedas em idosos podem reduzir a incidência de fraturas em até 30-40%.

Complicações

Complicações da Fratura do Antebraço (CID S52)

As fraturas do antebraço podem apresentar complicações que afetam a recuperação funcional do membro.

Complicações agudas

  • Síndrome compartimental: aumento da pressão dentro dos compartimentos musculares do antebraço, comprometendo a circulação. É uma emergência cirúrgica — sinais incluem dor desproporcional à lesão, dor ao esticar os dedos passivamente, palidez e formigamento. Requer fasciotomia (abertura cirúrgica dos compartimentos)
  • Lesão neurovascular: dano a nervos (mediano, ulnar, radial) ou vasos sanguíneos pelos fragmentos ósseos
  • Fratura exposta: quando o fragmento ósseo perfura a pele, com risco de infecção. Requer limpeza cirúrgica de urgência e antibióticos

Complicações tardias

  • Consolidação viciosa (mal-união): a fratura cicatriza em posição inadequada, causando deformidade e limitação funcional. Pode necessitar de nova cirurgia para correção
  • Pseudoartrose (não-união): falha na cicatrização da fratura, com persistência de mobilidade anormal no foco. Mais comum em fraturas da ulna
  • Rigidez articular: perda de amplitude de movimento do punho, cotovelo ou antebraço (rotação). É a complicação tardia mais comum
  • Síndrome do túnel do carpo: compressão do nervo mediano no punho, especialmente em fraturas distais do rádio
  • Artrose pós-traumática: desgaste articular em fraturas que atingem a superfície articular
  • Sinostose radioulnar: formação de ponte óssea entre rádio e ulna, limitando a rotação do antebraço

Consulte Sempre um Médico

As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes sobre S52

A fratura do antebraço, classificada como CID S52, é a quebra de um ou ambos os ossos do antebraço (rádio e/ou ulna). O tipo mais comum é a fratura da extremidade distal do rádio (fratura de Colles), que ocorre perto do punho. É frequente em crianças (quedas) e idosos com osteoporose.
Sim, a grande maioria das fraturas do antebraço consolida completamente com tratamento adequado. O osso leva de 6 a 8 semanas para cicatrizar em adultos e 4 a 6 semanas em crianças. A recuperação funcional completa com fisioterapia leva de 3 a 6 meses. Em crianças, o potencial de remodelação óssea é excelente.
Os sintomas incluem dor intensa e imediata, inchaço progressivo, deformidade visível (angulação do braço), incapacidade de movimentar o braço ou punho, hematoma, formigamento ou dormência nos dedos e, em alguns casos, crepitação ao movimentar. Se suspeitar de fratura, imobilize o braço e procure o pronto-socorro.
Em caso de suspeita de fratura, procure o pronto-socorro para avaliação imediata com radiografia. O ortopedista (ou ortopedista pediátrico para crianças) é o especialista que realiza o tratamento definitivo. O acompanhamento inclui consultas regulares com radiografias de controle e, posteriormente, fisioterapia.
Sim, fraturas do antebraço geralmente geram afastamento do trabalho. O tempo depende da gravidade e do tipo de tratamento: fraturas tratadas com gesso requerem 6-8 semanas de imobilização mais reabilitação; fraturas operadas podem ter recuperação mais rápida. O afastamento total médio é de 60-120 dias, podendo ser maior em fraturas complexas ou em trabalho braçal.
O tempo de imobilização gessada varia: fraturas do punho (Colles) ficam 4-6 semanas com gesso. Fraturas da diáfise (meio do antebraço) ficam 6-8 semanas. Em crianças, o tempo é geralmente menor (3-4 semanas para punho, 4-6 para diáfise). Após a retirada do gesso, a fisioterapia é essencial para recuperar a mobilidade.

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