Parto único por cesariana
Informações sobre Parto único por cesariana (CID-10: O82). Sintomas, causas, tratamentos e orientações médicas.
Sobre O82 - Parto único por cesariana
O que é Parto por Cesariana (CID O82)?
O parto por cesariana, classificado como CID O82, é um procedimento cirúrgico no qual o bebê nasce por meio de uma incisão no abdômen e no útero da mãe, em vez de pela via vaginal. É a cirurgia mais realizada em mulheres no mundo e, quando bem indicada, é um procedimento seguro que salva vidas.
No Brasil, a cesariana é um tema de grande relevância em saúde pública. O país possui uma das maiores taxas de cesariana do mundo: 56% de todos os nascimentos (DATASUS), enquanto a OMS recomenda que essa taxa não ultrapasse 15%. No setor privado (planos de saúde), a taxa chega a 80-85%, enquanto no SUS é de aproximadamente 40%.
Indicações médicas reais para cesariana
A cesariana deve ser indicada quando há risco real para a mãe ou o bebê:
Indicações absolutas (cesariana obrigatória):
- Placenta prévia total (placenta sobre o colo uterino)
- Descolamento prematuro de placenta com comprometimento fetal
- Prolapso de cordão umbilical
- Ruptura uterina
- Apresentação transversa persistente
- Herpes genital ativo no momento do parto
Indicações relativas (avaliar caso a caso):
- Cesárea anterior (avaliar possibilidade de VBAC)
- Apresentação pélvica (bebê sentado)
- Macrossomia fetal (bebê acima de 4-4,5 kg)
- Sofrimento fetal durante o trabalho de parto
- Falha de progressão do trabalho de parto
- Pré-eclâmpsia grave
- HIV com carga viral elevada
Tipos de cesariana
- Cesariana eletiva: agendada previamente, antes do início do trabalho de parto, quando há indicação médica conhecida
- Cesariana de urgência: realizada quando surgem complicações durante a gestação ou o trabalho de parto que exigem nascimento rápido
- Cesariana de emergência: situação de risco iminente (ex: sofrimento fetal agudo) com necessidade de nascimento em minutos
O procedimento
A cesariana é realizada sob anestesia regional (raquidiana ou peridural), com a paciente acordada. Uma incisão horizontal (Pfannenstiel) é feita na região suprapúbica, seguida da abertura das camadas abdominais e do útero. O bebê é extraído em poucos minutos, e o fechamento leva cerca de 30-45 minutos. O procedimento completo dura em média 45-60 minutos.
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Causas
Fatores que Levam à Cesariana (CID O82)
A cesariana pode ser necessária por indicações médicas legítimas ou pode ser influenciada por fatores não médicos que contribuem para as altas taxas no Brasil.
Indicações médicas
- Complicações maternas: pré-eclâmpsia grave, eclâmpsia, placenta prévia, descolamento prematuro de placenta, infecção ativa (herpes, HIV com carga viral alta)
- Complicações fetais: sofrimento fetal agudo, apresentação anômala (pélvica, transversa), macrossomia, malformações que requerem equipe neonatal imediata
- Falha de progressão: quando o trabalho de parto não evolui adequadamente apesar de medidas como ocitocina e amniotomia
- Cesáreas prévias múltiplas: duas ou mais cesáreas anteriores aumentam o risco de ruptura uterina em parto vaginal
Fatores não médicos (cultura da cesárea no Brasil)
- Conveniência do agendamento: a cesárea permite escolher data e hora do nascimento, facilitando a logística do médico e da família
- Medo da dor do parto: a tocofobia (medo do parto) é um fator significativo na decisão por cesariana
- Modelo de assistência: no sistema privado, o obstetra acompanha a gestante individualmente, e a disponibilidade para um parto que pode durar horas é um desafio
- Desinformação: muitas gestantes não recebem informação adequada sobre os benefícios do parto normal e os riscos da cesariana desnecessária
- Questões médico-legais: o receio de processos judiciais por complicações no parto vaginal pode influenciar a decisão médica
- Fatores culturais: a cesariana é vista por parte da sociedade como mais "moderna" ou "segura"
O problema das cesáreas desnecessárias
A OMS estima que até metade das cesáreas realizadas no Brasil não têm indicação médica clara. Cesáreas sem indicação expõem mãe e bebê a riscos cirúrgicos desnecessários, aumentam os custos do sistema de saúde e podem ter impactos negativos em gestações futuras (placenta acreta, ruptura uterina).
Tratamentos
O Procedimento da Cesariana e Recuperação (CID O82)
Embora a cesariana não seja um "tratamento" no sentido tradicional, é um procedimento cirúrgico que requer cuidados específicos antes, durante e após.
Antes da cesariana
- Jejum de 8 horas para sólidos e 2 horas para líquidos claros
- Tricotomia (raspagem dos pelos) da região da incisão
- Antibiótico profilático (cefazolina) antes da incisão para prevenir infecção
- Cateter vesical (sonda de urina)
Durante o procedimento
- Anestesia: raquidiana ou peridural (a paciente fica acordada e consciente). Anestesia geral apenas em emergências ou contraindicações
- Incisão: horizontal (Pfannenstiel) na região do biquíni, raramente vertical
- Nascimento: o bebê nasce nos primeiros 5-10 minutos do procedimento
- Cesariana humanizada: permite que a mãe veja o nascimento (campo cirúrgico rebaixado), contato pele a pele imediato e início da amamentação na sala cirúrgica
Recuperação pós-cesariana
No hospital (48-72 horas):
- Retirada do cateter vesical em 12-24 horas
- Deambulação precoce (levantar e caminhar em 6-12 horas): previne trombose e acelera a recuperação
- Analgésicos: dipirona, paracetamol e anti-inflamatórios para controle da dor
- Início da alimentação após retorno dos ruídos intestinais
- Amamentação sob orientação
Em casa (primeiras semanas):
- Repouso relativo: evitar esforços, levantar peso e dirigir por 2-4 semanas
- Cuidados com a cicatriz: manter limpa e seca, observar sinais de infecção
- Retorno às atividades normais: gradual, em 4-6 semanas
- Exercícios: caminhadas leves após 2 semanas; exercícios mais intensos após 6-8 semanas com liberação médica
- Revisão obstétrica em 7-10 dias (pontos) e 40 dias (puerpério)
Possíveis intercorrências pós-operatórias
- Dor e desconforto na cicatriz (normal nas primeiras semanas)
- Constipação intestinal (gases e dificuldade para evacuar)
- Sangramento vaginal (loquiação): normal por até 6 semanas
Prevenção
Como Reduzir a Necessidade de Cesariana (CID O82)
Embora a cesariana não possa ser "prevenida" quando há indicação médica real, muitas cesáreas desnecessárias podem ser evitadas com informação, preparação e escolhas conscientes.
Para a gestante
- Informação de qualidade: buscar fontes confiáveis sobre parto normal e cesariana. Entender as indicações reais e os riscos de cada via
- Pré-natal adequado: acompanhamento regular para identificar e tratar precocemente condições que possam complicar o parto
- Exercícios durante a gestação: atividade física regular (caminhada, pilates, yoga) fortalece o corpo e favorece o parto vaginal
- Plano de parto: elaborar com o obstetra um plano que expresse as preferências da gestante
- Escolha consciente do obstetra: perguntar sobre a taxa de cesariana do profissional e a filosofia em relação ao parto
- Considerar a doula: a presença de doula reduz em 25% a taxa de cesariana
- Evitar cesariana eletiva antes de 39 semanas: o bebê precisa desse tempo para maturação pulmonar completa
Para o sistema de saúde
- Implementação de protocolos baseados em evidências para indicação de cesariana
- Auditoria das taxas de cesariana por hospital e profissional
- Capacitação de equipes para assistência ao parto normal
- Modelos de atenção com enfermeiras obstetras para partos de baixo risco
O programa "Parto Adequado" no Brasil, iniciativa da ANS com o IHI (Institute for Healthcare Improvement), já demonstrou redução de até 20% nas taxas de cesariana em hospitais participantes, sem aumento de complicações.
Complicações
Complicações do Parto por Cesariana (CID O82)
A cesariana, embora segura quando bem indicada, é uma cirurgia de grande porte e carrega riscos inerentes a qualquer procedimento cirúrgico.
Complicações imediatas (durante ou logo após a cirurgia)
- Hemorragia: perda sanguínea média na cesariana é de 500-1000 ml (contra 300-500 ml no parto normal). Em casos graves, pode necessitar de transfusão
- Infecção de ferida operatória: ocorre em 3-5% das cesáreas, com sinais de vermelhidão, secreção e febre
- Endometrite: infecção do útero, mais frequente na cesariana que no parto vaginal
- Lesão de bexiga ou intestino: rara (menos de 1%), mais frequente em cesáreas de repetição com aderências
- Complicações anestésicas: cefaleia pós-punção, hipotensão, reação adversa
- Tromboembolismo: o risco de trombose venosa profunda e embolia pulmonar é maior após cesariana
Complicações para o recém-nascido
- Taquipneia transitória: dificuldade respiratória temporária por não haver compressão torácica no canal de parto
- Alteração do microbioma: bebês nascidos por cesárea não são expostos às bactérias do canal vaginal, o que pode afetar o desenvolvimento imunológico
- Corte acidental: lacerações na pele do bebê durante a abertura do útero (1-2% dos casos)
Complicações em gestações futuras
- Placenta acreta/increta/percreta: a placenta se implanta anormalmente na cicatriz uterina. O risco aumenta a cada cesariana: 0,3% na primeira, 0,6% na segunda, 2,1% na terceira e 6,7% na quarta
- Placenta prévia: risco aumentado de a placenta se implantar sobre o colo uterino
- Ruptura uterina: risco de ruptura na cicatriz em parto vaginal posterior (0,5-1%)
- Aderências pélvicas: tecido cicatricial pode dificultar cirurgias futuras e causar dor crônica
Consulte Sempre um Médico
As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem uma consulta médica. Não se autodiagnostique nem se automedique. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Perguntas Frequentes sobre O82
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