Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação médica. Consulte seu médico ou o posto de vacinação para orientação individualizada. Calendário baseado nas recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Por que adultos também precisam de vacinas?
Quando pensamos em vacinação, a maioria das pessoas associa a crianças. Mas adultos também precisam manter o calendário vacinal atualizado. Com o passar dos anos, a imunidade conferida por algumas vacinas da infância diminui, novas vacinas são desenvolvidas e certos grupos de risco precisam de proteção adicional.
Dados do Ministério da Saúde mostram que a cobertura vacinal entre adultos é significativamente menor que entre crianças. Isso cria lacunas na proteção coletiva e aumenta o risco de surtos de doenças que já estavam controladas. A vacinação adulta é uma ferramenta fundamental de saúde pública que protege não apenas o indivíduo, mas toda a comunidade ao redor.
Calendário vacinal do adulto 2026 — Visão geral
| Vacina | Faixa Etária / Indicação | Doses / Reforço | Disponível no SUS? |
|---|---|---|---|
| Hepatite B | Todas as idades | 3 doses (0, 1 e 6 meses) | Sim |
| Tríplice Viral (SCR) | Até 59 anos (se não vacinado) | 2 doses (20-29 anos) ou 1 dose (30-59 anos) | Sim |
| dT (Difteria e Tétano) | Todas as idades | Reforço a cada 10 anos | Sim |
| dTpa (incluindo Coqueluche) | Gestantes (a cada gestação), profissionais de saúde | 1 dose por gestação (20ª semana em diante) | Sim (gestantes) |
| Febre Amarela | Residentes/viajantes para áreas de risco | 1 dose (válida para toda a vida desde 2017) | Sim |
| Influenza (Gripe) | Anual — todos os adultos, prioridade para grupos de risco | 1 dose anual | Sim (campanhas) |
| COVID-19 | Conforme orientação vigente do MS | Reforço conforme calendário atualizado | Sim |
| HPV | Até 45 anos (quadrivalente) | 2 ou 3 doses (dependendo da idade de início) | SUS: até 19 anos; rede privada: até 45 anos |
| Pneumocócicas | 60+ anos, imunossuprimidos, doenças crônicas | Esquema conforme indicação | Sim (para grupos prioritários) |
| Herpes-Zóster | 50+ anos | 2 doses (vacina recombinante Shingrix) | Rede privada |
| Meningocócica ACWY | Adolescentes e adultos jovens em situações de risco | 1 dose | SUS: adolescentes; rede privada: adultos |
| Dengue | Conforme indicação da ANVISA e MS | Conforme bula aprovada | Em implantação pelo SUS |
Detalhamento das principais vacinas para adultos
Hepatite B
A hepatite B é transmitida por sangue, relações sexuais e da mãe para o bebê. A vacina é altamente eficaz e segura, com três doses completando o esquema. Se você não sabe se foi vacinado na infância, procure o posto de saúde — é possível verificar pelo cartão de vacinação ou fazer o esquema completo, que é gratuito pelo SUS e não tem limite de idade.
Tríplice Viral (Sarampo, Caxumba, Rubéola)
Adultos nascidos após 1960 devem ter pelo menos uma dose documentada. Quem tem entre 20 e 29 anos deve ter duas doses. A vacina é fundamental para evitar surtos de sarampo, que voltaram a ocorrer no Brasil. Se você não tem comprovação de vacinação, procure seu posto de saúde.
Difteria e Tétano (dT) — Reforço a cada 10 anos
O tétano ainda mata no Brasil, especialmente em acidentes com objetos perfurantes ou contaminados. O reforço a cada 10 anos é essencial. Se houve um ferimento suspeito e o último reforço tem mais de 5 anos, procure atendimento para avaliar a necessidade de dose antecipada.
Influenza (Gripe) — Anual
O vírus influenza sofre mutações frequentes, o que torna necessária uma nova vacina a cada ano. Em 2026, a campanha do SUS prioriza idosos, gestantes, crianças pequenas, profissionais de saúde, portadores de doenças crônicas e outros grupos de risco. Mesmo quem não faz parte do grupo prioritário pode (e deve) se vacinar na rede privada.
COVID-19 — Reforço conforme orientação vigente
As recomendações de reforço para COVID-19 são atualizadas periodicamente pelo Ministério da Saúde com base na situação epidemiológica e nas variantes em circulação. Mantenha-se informado pelo site oficial do governo ou consulte seu médico sobre a necessidade de novas doses.
Febre Amarela
Desde 2017, a OMS reconhece que uma única dose da vacina confere proteção vitalícia. A vacinação é especialmente importante para quem reside ou viaja para áreas de risco (grande parte do território brasileiro). Alguns países exigem comprovante de vacinação para entrada.
HPV (Papilomavírus Humano)
A vacina contra HPV previne o câncer de colo de útero, pênis, ânus e orofaringe, além de verrugas genitais. Pelo SUS, está disponível para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Na rede privada, pode ser administrada em adultos até 45 anos. Quanto mais cedo, maior a eficácia.
Herpes-Zóster (Cobreiro)
A vacina recombinante contra herpes-zóster (Shingrix) é recomendada para adultos acima de 50 anos. O herpes-zóster causa dor intensa e prolongada (neuralgia pós-herpética) que pode durar meses. A vacina tem eficácia superior a 90% e é aplicada em duas doses com intervalo de 2 meses.
Como saber quais vacinas estão em dia
- Procure seu cartão de vacinação — se não tem, vá ao posto de saúde mais próximo.
- Carteira Digital de Vacinação — disponível no aplicativo ConecteSUS e, em breve, integrável com o MediLife.
- Consulte o médico — em consultas de rotina, peça para revisar seu status vacinal.
- Use o MediLife — no módulo de Carteira de Vacinação, cadastre suas vacinas e receba lembretes de reforços. Cruzando com informações do CIDário, o sistema ajuda a identificar vacinas relevantes para suas condições de saúde.
Vacinas e o sistema imunológico: como funciona a proteção
Vacinas funcionam ensinando o sistema imunológico a reconhecer e combater agentes infecciosos antes que eles causem doença. Quando você recebe uma vacina, o corpo é exposto a uma versão enfraquecida, inativada ou a fragmentos específicos do patógeno (como proteínas ou mRNA). O sistema imunológico responde produzindo anticorpos e "células de memória" — linfócitos especializados que lembram daquele invasor.
Se o organismo entrar em contato com o agente real no futuro, essas células de memória entram em ação rapidamente, neutralizando a infecção antes que ela se instale ou a tornando muito mais branda. Esse processo explica por que algumas vacinas precisam de reforço: com o tempo, o número de células de memória pode diminuir, e o reforço "reativa" a proteção.
A vacinação coletiva cria o chamado efeito rebanho: quando uma proporção suficiente da população está imunizada, mesmo quem não pode ser vacinado (imunossuprimidos, bebês muito novos, alérgicos a componentes da vacina) fica indiretamente protegido, pois o vírus ou bactéria tem dificuldade para circular. É por isso que sua vacinação protege não apenas você, mas toda a comunidade.
Vacinas para viajantes
Se você planeja viagens internacionais ou mesmo para regiões específicas do Brasil, verifique exigências vacinais:
- Febre Amarela — obrigatória para entrada em vários países da África e América do Sul.
- Hepatite A — recomendada para viagens a regiões com saneamento precário.
- Meningocócica — exigida para peregrinos a Meca (Hajj) e recomendada para cinturão da meningite na África.
- Raiva — recomendada para viajantes que terão contato com animais silvestres.
Perguntas frequentes (FAQ)
Posso tomar várias vacinas no mesmo dia?
Sim, na maioria dos casos. O sistema imunológico é capaz de responder a múltiplos antígenos simultaneamente. A administração de várias vacinas no mesmo dia é prática rotineira e segura, recomendada pela OMS e pelo PNI.
Vacina causa a doença?
Vacinas inativadas (como hepatite B, influenza injetável) não contêm vírus vivos e, portanto, não podem causar a doença. Vacinas atenuadas (como tríplice viral e febre amarela) contêm vírus enfraquecidos e, em raríssimos casos, podem causar sintomas leves. Os benefícios superam enormemente os riscos.
Grávidas podem tomar vacinas?
Algumas vacinas são recomendadas na gestação (dTpa, influenza, COVID-19), enquanto outras são contraindicadas (vacinas com vírus vivos atenuados, como tríplice viral e febre amarela). Sempre consulte o obstetra.
Perdi meu cartão de vacinação. E agora?
Procure a unidade de saúde onde foi vacinado ou acesse o ConecteSUS. Se não for possível recuperar o histórico, o médico pode orientar um esquema de "atualização" seguro.
O MediLife substitui o ConecteSUS?
Não. O MediLife complementa. Enquanto o ConecteSUS registra vacinas aplicadas pelo SUS, no MediLife você centraliza todas as vacinas (SUS e rede privada), adiciona lembretes para reforços e integra com seu histórico de saúde completo.