Este conteúdo é informativo e não substitui orientação médica profissional. Consulte sempre o pediatra antes de administrar qualquer medicamento a uma criança. Em caso de emergência, ligue para o SAMU (192) ou Disque-Intoxicação (0800-722-6001).
Por que a medicação infantil exige tanto cuidado
Crianças não são adultos em miniatura. Seu organismo processa os medicamentos de forma diferente: o metabolismo hepático é mais rápido em crianças mais velhas e mais lento em recém-nascidos, a função renal ainda está amadurecendo, a proporção de água corporal é diferente e a barreira hematoencefálica é mais permeável. Tudo isso significa que as doses devem ser cuidadosamente calculadas e que nem todo medicamento aprovado para adultos é seguro para crianças.
Erros de medicação em pediatria são mais comuns do que se imagina. Segundo estudos publicados pela Academia Americana de Pediatria, erros de dosagem representam uma parcela significativa das causas de eventos adversos medicamentosos em crianças. A boa notícia é que a maioria desses erros é prevenível com informação e organização adequadas.
Como se calcula a dose infantil
A dosagem de medicamentos pediátricos é calculada principalmente com base no peso corporal da criança, expressa em miligramas por quilograma (mg/kg). Em alguns casos, usa-se a superfície corporal (mg/m²), especialmente em tratamentos oncológicos.
Exemplo prático: se um pediatra prescreve amoxicilina na dose de 50 mg/kg/dia dividida em três tomadas para uma criança de 20 kg, o cálculo seria 50 x 20 = 1.000 mg por dia, divididos em três doses de aproximadamente 333 mg a cada 8 horas.
Regras de ouro para dosagem infantil:
- Sempre pese a criança em uma balança confiável antes de calcular a dose.
- Nunca use colheres de cozinha para medir medicamentos líquidos, pois o volume varia muito. Use sempre a seringa dosadora ou o copo medidor que acompanha o medicamento.
- Confira se a concentração do medicamento está correta (por exemplo, amoxicilina 250 mg/5 mL é diferente de 500 mg/5 mL).
- Não arredonde doses para mais. Na dúvida, arredonde para menos e consulte o pediatra.
- Nunca fracione comprimidos de adultos para dar a crianças, a menos que o médico tenha orientado especificamente.
No Bulário MediLife, você pode consultar informações sobre dosagem pediátrica dos medicamentos mais comuns.
Formas farmacêuticas pediátricas
A indústria farmacêutica produz diversas formas adaptadas para crianças, cada uma com suas particularidades:
| Forma farmacêutica | Faixa etária usual | Observações importantes |
|---|---|---|
| Gotas | Recém-nascidos a 2 anos | Contar gotas com precisão; algumas gotas não podem ser diluídas |
| Suspensão/Xarope | 6 meses a 12 anos | Agitar bem antes de usar; usar seringa dosadora |
| Comprimido mastigável | A partir de 3-4 anos | Criança deve ser capaz de mastigar adequadamente |
| Comprimido dispersível | A partir de 6 meses | Dissolve em água; ideal para quem não engole comprimidos |
| Supositório | Todas as idades | Útil em vômitos; armazenar na geladeira se indicado |
| Comprimido/Cápsula | A partir de 6-8 anos | Apenas quando a criança consegue engolir com segurança |
Medicamentos pediátricos mais comuns
Antitérmicos e analgésicos
O paracetamol (Tylenol) e o ibuprofeno (Alivium) são os antitérmicos mais seguros e utilizados em pediatria. O paracetamol pode ser dado desde o nascimento, enquanto o ibuprofeno geralmente é recomendado a partir dos 6 meses. A dose deve ser sempre calculada pelo peso, nunca pela idade. O ácido acetilsalicílico (AAS/aspirina) é contraindicado em crianças pelo risco de Síndrome de Reye, uma condição rara, mas potencialmente fatal.
Antibióticos
A amoxicilina é o antibiótico mais prescrito em pediatria, utilizado para otites, sinusites e infecções respiratórias. É fundamental completar todo o período de tratamento prescrito, mesmo que a criança melhore antes. A interrupção precoce do antibiótico favorece a resistência bacteriana. Outros antibióticos comuns em pediatria incluem a azitromicina e a cefalexina.
Antialérgicos
Anti-histamínicos de segunda geração como desloratadina e cetirizina são preferidos em crianças por causar menos sonolência. A dose varia conforme a idade e o peso. Anti-histamínicos de primeira geração como prometazina devem ser usados com cautela em crianças pela sedação excessiva.
Medicamentos para asma e bronquite
O salbutamol (spray de alívio rápido) e a beclometasona ou fluticasona (corticoides inalatórios para prevenção) são amplamente utilizados. O uso correto do espaçador com máscara é essencial para que o medicamento chegue adequadamente aos pulmões da criança. Peça orientação ao pediatra ou pneumologista sobre a técnica correta de inalação.
Armazenamento seguro de medicamentos em casas com crianças
A intoxicação por medicamentos é uma das principais causas de envenenamento acidental em crianças menores de 5 anos. Medidas de prevenção incluem guardar todos os medicamentos em local alto e trancado, fora do alcance e da visão das crianças. Nunca diga que o remédio é "bala" ou "docinho" para convencer a criança a tomar. Prefira embalagens com tampas de segurança (child-proof). Descarte medicamentos vencidos ou que sobraram. Mantenha o número do Disque-Intoxicação (0800-722-6001) em local visível. Após cada uso, guarde o medicamento imediatamente, mesmo que vá dar outra dose em breve.
O que fazer em caso de ingestão acidental
Se uma criança ingerir acidentamente qualquer medicamento, mantenha a calma e aja rapidamente. Ligue imediatamente para o Disque-Intoxicação (0800-722-6001) ou SAMU (192). Identifique qual medicamento foi ingerido, a quantidade estimada e há quanto tempo. Não provoque vômito a menos que orientado por um profissional de saúde. Leve a embalagem do medicamento ao pronto-socorro. Observe sinais como sonolência, agitação, vômitos, convulsões ou dificuldade para respirar.
Dicas para administrar medicamentos a crianças
Dar remédio para crianças pode ser um desafio para os pais. Algumas estratégias que ajudam incluem manter uma atitude calma e segura, pois a criança percebe a ansiedade dos pais. Para bebês, use a seringa dosadora posicionada na lateral da boca, entre a bochecha e a gengiva, em pequenas quantidades. Para crianças maiores, ofereça um alimento ou bebida saborosa logo após o medicamento para tirar o gosto. Nunca misture medicamento na mamadeira inteira, pois se a criança não terminar, não receberá a dose completa. Elogie a criança após tomar o medicamento. Se a criança vomitar em até 15 a 20 minutos após a dose oral, consulte o pediatra sobre repetir a dose.
Perguntas frequentes sobre medicação infantil
Posso dar mel para bebês quando estão com tosse?
O mel é contraindicado para crianças menores de 1 ano pelo risco de botulismo infantil, uma doença grave causada pela bactéria Clostridium botulinum. Para crianças acima de 1 ano, o mel pode ser uma opção natural para aliviar a tosse, mas sempre consulte o pediatra.
Antibiótico precisa de receita médica para crianças?
Sim. Todos os antibióticos no Brasil exigem receita médica (RDC 20/2011 da ANVISA). Nunca dê sobras de antibióticos de tratamentos anteriores sem orientação médica. A automedicação com antibióticos é uma das principais causas de resistência bacteriana.
O que é a "dose de ataque" que o pediatra às vezes prescreve?
A dose de ataque é uma primeira dose maior que as subsequentes, usada para atingir rapidamente o nível terapêutico do medicamento no sangue. É comum com alguns antibióticos e antifúngicos. Siga rigorosamente a orientação do pediatra quanto a essa dose inicial diferenciada.
Posso usar medicamento vencido em criança se não tiver outro?
Não. Medicamentos vencidos podem ter perdido sua eficácia ou, pior, ter se degradado em substâncias potencialmente tóxicas. Nunca administre medicamentos fora do prazo de validade, especialmente em crianças. Em caso de urgência, procure um pronto-socorro ou UPA.
Paracetamol ou ibuprofeno: qual escolher?
Ambos são seguros e eficazes. O paracetamol pode ser usado desde o nascimento e é geralmente a primeira opção. O ibuprofeno é indicado a partir dos 6 meses e tem a vantagem de ser também anti-inflamatório. Não devem ser alternados rotineiramente sem orientação médica, pois isso aumenta o risco de erros de dosagem.
Como o MediLife ajuda pais e cuidadores
O MediLife facilita a rotina de medicação das crianças: cadastre os medicamentos com dosagem por peso, configure lembretes nos horários corretos com alertas de confirmação, consulte bulas e posologias pediátricas no Bulário MediLife, registre vacinas e consultas no calendário e use o Verificador de Sintomas para orientação inicial. Cuidar do seu filho com organização é cuidar com mais segurança. Crie sua conta gratuita agora.